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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Acontecimentos no ano de 1763

  • Desmoronamento da ponte de S. Gonçalo em Amarante
Em 10 de Fevereiro de 1763, uma ponte romana com um cruzeiro a meio, que havia sido construída em 1250,em Amarante, desmoronou-se devido a uma cheia do Rio Tâmega.

O cruzeiro, ou Senhor da Boa Passagem, foi retirado uma hora antes deste acontecimento histórico e mais tarde colocado na janela de um recanto da Igreja de São Gonçalo, ficando a Mãe de Deus a proteger o trânsito. É a imagem da Senhora da Ponte
.
  • Nascimento de D.João do 3º filho de D.Maria
D. João, infante de Portugal. Nasceu e viria a faleceu em 1763, sendo sepultado no panteão de S.Vicente de Fora.

Também chamado João como seu irmão João de Bragança natimorto em Outubro do ano transacto. Só o seguinte filho a quem foi dado igualmente o nome de João escapará à morte prematura passando à História como rei D.João VI

sábado, 17 de dezembro de 2011

Acontecimentos no ano de 1762

  • Fim da publicação da Gazeta de Lisboa

Foi no ano de 1715, que o primeiro jornal oficial português iniciou a sua publicação. Embora seja geralmente conhecido como "Gazeta de Lisboa", ao longo da sua publicação tem ostentado títulos muito diversos.

No dia 10 de Agosto, o jornal apresentava o seu primeiro número com a denominação de "Notícias do Estado do Mundo". O seu redactor era José Freire de Monterroio Mascarenhas, que dirigiu o jornal até à sua morte, em 1760.

Em 17 de Agosto de 1715, o número dois aparecia já com o título de "Gazeta de Lisboa", título que se manteve até 30 de Dezembro de 1717.

No ano de 1718, no dia 6 de Janeiro, o título passou para "Gazeta de Lisboa Ocidental" até 31 de Agosto de 1741.

Em 7 de Setembro de 1741, retomou o título de "Gazeta de Lisboa", que vai perdurar até 31 de Janeiro de 1760. Durante este período, das muitas notícias que foram sendo publicadas, destacou-se a descrição, curiosamente bastante sóbria, do terramoto de 1755 que devastou Lisboa, bem como uma grande parte do Algarve.

Em 22 de Julho de 1760, o título mudou para "Lisboa", sendo seu redactor o poeta Pedro António Correia Garção. Este título vai manter-se até 15 de Junho de 1762.

Por ordem do Marquês de Pombal, o jornal esteve suspenso de Junho de 1762 a Agosto de 1778. Não se sabendo a causa imediata e concreta desta suspensão, todos os estudiosos da matéria invocam o desagrado do ministro com alguns artigos menos favoráveis à sua governação. O facto é que o jornal não voltou a publicar-se durante o reinado de D. José.

  • A Colónia do Sacramento rende-se a forças espanholas.
Tropas espanholas comandadas por D. Pedro de Cevallos,primeiro vice-rei do rio da Prata e comandante das forças espanholas em Buenos Aires, invadem no dia 5 de Outubro a Colónia do Sacramento, povoação portuguesa na margem esquerda do estuário do rio da Prata, que viria a render-se as tropas espanholas do dia 27 do mesmo mês

A Colónia do Sacramento rende-se e é ocupada por forças espanholas.

  • Armistício ente Portugal e a Espanha
Em Fontainebleau reuniram-se os plenipotenciários discutindo o tratado de paz, e em vista disto o conde de Aranda e o conde de Lippe concordaram entre si um armistício que foi assinado no dia 1 de Dezembro de 1762, e que terminou no dia 11 com a chegada do próprio conde de Oeiras, que vinha trazer a notícia que no dia 3 de Outubro se assinara em Fontainebleau a paz entre a França, Inglaterra, Espanha e Portugal. A 7 de Março seguinte foi proclamada a paz definitiva.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Acontecimentos no ano de 1761

  • Nascimento de D.José príncipe da Beira
Príncipe da Beira é, desde 1734, o título conferido ao primogénito do herdeiro presuntivo da Coroa de Portugal, o qual, por sua vez tem actualmente o título de Príncipe Real. Hoje em dia é usado por D. Afonso de Santa Maria, filho mais velho do pretendente ao trono português, o Príncipe Real D. Duarte Pio.

O título Princesa da Beira foi criado em 1645, por D. João IV, como designação da filha mais velha do monarca, independentemente de ser ou não, herdeira presuntiva da coroa. O título Príncipe do Brasil estava reservado aos primogénitos varões do monarca, estes sim, quando existissem, sempre herdeiros presuntivos da coroa. Até então o herdeiro real tinha o simples título de Príncipe, sendo que a filha mais velha do monarca apenas o recebia se não tivesse irmãos varões.

Em 17 de Dezembro de 1734 o rei D. João V reorganiza o sistema de títulos da família real. A partir daí, tanto o título de Príncipe do Brasil como o de Príncipe da Beira poderiam ser atribuídos a pessoas dos dois sexos. Passavam a ser Príncipes do Brasil todos os herdeiros presuntivos do trono. Já o título de Príncipe da Beira passava a ser o do filho herdeiro do Príncipe do Brasil (portanto, o segundo na linha de sucessão). Pelo novo sistema, a primeira Princesa da Beira foi a neta recém-nascida de D. João V, D. Maria Francisca, futura rainha D. Maria I.

O Primeiro Príncipe da Beira do sexo masculino foi D. José, filho da Princesa D. Maria Francisca I e de seu consorte, D. Pedro III. nascido no Palácio da Ajuda, em Lisboa no dia 20 de Agosto de 1761,

  • A criação do Tesouro Real
O Tesouro Geral foi uma instituição portuguesa criada por Alvará de 22 de dezembro de 1761, da autoria do Marquês de Pombal, como instituição de topo da administração fiscal portuguesa destinada a centralizar a gestão corrente das contas públicas.

A sua concepção insere-se na e reorganização do sistema de cobrança de impostos e no combate ao fluxo contrabandista, que punha em causa os monopólios comerciais concedidos às companhias de comércio portuguesas. O Real Erário, ressalvadas as diferenças institucionais, foi o antepassado directo do actual Ministério das Finanças.

O extinguiu o emprego de Contador Mor.

O Tesouro Geral era dividido em quatro contadorias, cada uma das quais chefiada por um contador-geral, organizadas de acordo com a estrutura territorial do império português. Paralelamente à reorganização orgânica, foram introduzidos novos métodos contabilísticos, com a imposição do método das partidas dobradas para a escrituração da contabilidade pública.

Fonte:Wikipédia

sábado, 5 de novembro de 2011

Acontecimentos no ano de 1761

  • Edificação do Teatro do Bairro Alto
Parece não haver dúvida que foi num Teatro do Bairro Alto, no Palácio do Condes de Soure à Rua da Rosa, que se representaram, entre 1733 e 1739, as "óperas" para "bonecos" de António José da Silva, o Judeu, possivelmente no mesmo que local em que viria a cantar, trinta anos depois, em 1768, Luisa Todi.

Destruído pelo Terramoto de 1755, foi reconstruído em 1761 e, depois de um segundo abalo de terra em 1762, esse “arremedo” de uma pequena Versalhes, teve enorme prestígio.

O Marquês de Pombal, em 17.7. 1771, decreto um alvará que justificava a necessidade deste teatro público, onde se poderia adquirir uma educação para equilibrar uma herança de centenas de anos de ignorância e obscurantismo. O documento reclamava a exclusividade de representação dos balli, serenatas, óperas, oratórias, dramas, comédias, fogos de artifício, etc..

  • Incorporação na coroa dos bens dos jesuítas

A 25 de Agosto de 1761, era assinada a lei que "mandava incorporar ao fisco e a câmara real todos os bens seculares que a Companhia de Jesus possuía e administrava neste reinos , e todo o seu domínio, com os padres".

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Acontecimentos no ano de 1760

  • Casamento da princesa da Beira
Quando se tratou do casamento da princesa da Beira D.Maria, houve na corte quem lembrasse as Actas das cortes de Lamego, que determinavam que as herdeiras do trono casassem com nobres portugueses.

No caso concreto de D.Maria, porém desde cedo soube que que o seu tio Pedro seria o seu futuro marido, ao mesmo tempo que se assumia a ideia que não eram muito os pretendentes estrangeiros à sua mão.

Em 1743 o avô D.João V solicitara ao Papa dispensas pela proximidade de laços parentais e pela idade da princesa que tinha 9 anos e D.Pedro 26, o que reforça a ideia da predestinação desse casamento.

O casamento aconteceu a 6 de Julho, contando a princesa da Beira já 25 anos e o seu tio e marido 43 e por todo o reino, com grandes festejos por todo o Império, nomeadamente no Brasil, onde os festejos se prolongaram por 3 dias, com espectáculos de ópera, procissões touradas e outras manifestações culturais e artísticas.

  • Incidente com o núncio papal
Ocorreu quando deste casamento um grave incidente com o núncio papal Filippo Acciajuoli, porque intencionalmente ninguém lhe enviou convite para a cerimónia do casamento nem para o jantar com o Corpo diplomático, nas vésperas do casamento, com o ministro D.Luís da Cunha.

Esta atitude ocorreu depois da expulsão dos jesuítas ocorrida no ano anterior, a partir da qual o o núncio papal passou a ser pessoa a abater, por naturalmente , não e colocar ao lado de Pombal, nessa matéria.

O núncio em resposta, não colocou luminárias no seu palacete na noite de festa e fechou os portões o que foi considerada uma ofensa a sua Majestade, sendo de imediato convidado a abandonar o País

quarta-feira, 23 de março de 2011

Acontecimentos no ano de 1758

  • Direitos a pagar por escravos
Pelo alvará de 11 de Janeiro de 1758, os navios que carregavam negros por sua conta e risco poderiam sair dos portos sem qualquer tipo de embargo. Com o objectivo de se pôr ordem na arrecadação dos direitos dos escravos, que trazia prejuízos à Fazenda e ao comércio de Angola, estabeleceu-se um novo contrato: para se receber cada «macho ou fêmea» com altura de quatro palmos craveiras da vara de medição, teriam que se pagar 8700 réis; se a altura fosse inferior pagar-se-iam 4350 réis.

  • A reforma da Companhia de Jesus
Na sequência dos acontecimentos que conduziram a uma grave crise entre a Companhia de Jesus, é importante salientar que a vulnerabilidade da Companhia de Jesus não decorria apenas das suas conflituosas relações com o governo temporal, porque simultâneamente tornara-se alvo das acções disciplinares da própria igreja católica, quando o papa Benedito XIV, pela breve de 1 de Abril instituiu a reforma da Companhia de Jesus, nomeando como reformador o patriarca de Lisboa o cardeal Saldanha, com a incumbência de a executar em todo o reino de Portugal

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Instituida no Porto a Ordem Terceira da Trindade

A Ordem dos Pregadores (dominicanos) foi fundada em 1206 por S. Domingos de Gusmão e teve a sua Regra (masculina) aprovada em 1216 e a sua Ordem Terceira reconhecida e organizada em 1285.

Presentes os dominicanos em Portugal desde 1217, e no Porto desde 1238, desde essa altura vários leigos se organizaram em volta dos conventos e comunidades de dominicanos, partilhando e vivendo da mesma espiritualidade e contribuindo para sua missão e/ou sustento. De várias localidades no país há relatos disso mesmo (ver História de São Domingos em 2 volumes, por Fr. Luís de Sousa, Editora Lello, 1977).

Pelo século XVII os movimentos laicais na Igreja tem um novo ressurgimento, fruto da maior autonomia, desenvolvimento, poderio económico e cultural das classes mais burguesas e mercantis um pouco por toda a Europa.

No Porto é organizada e instituída oficialmente em 1633 a Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, ainda existente nos dias de hoje. «Vendo crescer os seus sucessos», os vizinhos leigos ligados aos dominicanos não se quiseram ficar atrás e em 1671 deram início à Ordem Terceira de São Domingos no Porto, oficializada e reconhecida em 1676 no Convento dos frades dominicanos do Porto.

E tal foi o sucesso e o número de irmãos e irmãs aderentes, que passados alguns anos «consideraram alguns zelosos que a ordem terceira de Nossa Padre São Francisco tinha uma capela muito formosa unida ao convento, na qual se juntavam os Irmãos a ouvir as suas práticas, a frequentar os sacramentos, a fazer suas orações e tomar suas disciplinas; entraram em desejos e fazer uma semelhante capela porque até então tinham à sua conta a capela do Espírito Santo da nossa Igreja e nela exercitavam os seus espirituais exercícios com algum detrimento dos religiosos, e para aliviá-los, aprecia conveniente fazerem nova Capela não só para os seus espirituais exercícios mas para jazigo dos Irmãos que naquela quisessem sepultar-se»..

Resolvida a questão da localização (no adro em frente à Igreja do Convento de S. Domingos por cedência dos frades, a primeira pedra foi lançada em 18 de Dezembro de 1683 e inaugurada a 7 de Janeiro de 1685 e dedicada a Santa Catarina de Sena, também ela terceira dominicana.

Mas foi solução por pouco tempo, pois logo em 1712 e atendendo ao número crescente de membros, decidiram erigir nova e mais larga capela, ocupando parte mais alargada do adro e da rua defronte do convento sendo a primeira pedra lançada a 20 de Fevereiro de 1713 e inaugurada 10 anos depois, aos «onze dias do mês de Abril de 1723» Para fazer face às despesas de construção e porque o altar-mor da capela primitiva não se adequava ao novo templo, foi o mesmo vendido ao «abade de Lamas na comarca da Feira», retábulo que é hoje o único vestígio conhecido da capela dos terceiros dominicanos.

Fosse pelo poderio económico dos leigos, fosse pela necessidade de os frades usarem a capela dos terceiros devido ao estado de ruína da Igreja conventual e falta de «cabedal» para a reerguer, fosse por quezílias muito humanas relativas ao poder, o certo é que desde o final dos anos 30 do século XVIII se instalou uma permanente disputa entre a Ordem Terceira e os seus vizinhos frades.

A origem do conflito deve-se ao facto de os frades terem decidido em 1739 erguer uns arcos sobre o seu adro virado para o actual largo de S. Domingos fazendo ligação directa entre o seu convento e dita igreja dos terceiros, o que este levaram a mal. Todos os meios foram usados de parte a parte: tribunais civis, pedidos ao patriarca de Lisboa, ao Geral da Ordem, embaixadas em Lisboa e Roma, e múltiplas intervenções do bispo, do rei do papa.

Em 14 de Maio de 1755 o Papa Bento XIV finalmente decreta por bula papal a extinção da Ordem Terceira de S. Domingos no Porto e a imediata criação da Arquiconfraria da Ordem da Santíssima Trindade e da Redenção dos Cativos (ainda hoje existente), para onde passariam automaticamente todos os ex-terceiros e respectivos legados e património.

Fonte :PORTO ANTIGO

sábado, 1 de janeiro de 2011

A doença do rei e o afastamento de Pombal

D.José teve a primeira apoplexia a 12 de Novembro de 1776 e imediatamente pediu que lhe ministrassem os sacramentos, mas Pombal mão acreditou na gravidade da doença do soberano e tentou afastar médicos e padres. Porém as suas previsões não se confirmaram e a 27 de Novembro a rainha assumiu a regência visto que D.José já só comunicava escrevendo, pois não falava.

Não se sabe se por sua iniciativa mas o facto é que foi vedado a Pombal o acesso à sua câmara.

Durante a regência de D.Mariana Vitória aconteceram as libertações de inimigos de Pombal, como D.Miguel da Anunciação bispo de Coimbra, encarcerado há oito anos em Pedrouços e Seabra da Silva mandado regressar do exílio em Angola.

Como se verá contudo, nem de todas as suas funções foi Pombal afastado.

Acontecimentos no ano de 1777

  • O incêndio da Trafaria
O marquês de Pombal, entendendo que estava empenhada a dignidade da coroa portuguesa, não hesitou em se preparar para a guerra, pois a Espanha rompera as hostilidades contra Portugal por causa dos limites da América e a França preparava-se para a auxiliar, por força do pacto de família Bourbon Não cuidava decerto que poderia afrontar essa aliança com os nossos limitados recursos, mas entendia também que, logo que o dever falava

Seria esmagado, mas a sua defesa contra agressões injustas era já um protesto contra a violência. Quando se preparava para esta luta, cometeu o marquês de Pombal um acto de atrocidade, que não é dos que menos mancham a sua memória. Tinham-se refugiado na Trafaria alguns refractários, como se diria hoje. Sendo difícil apanhá-los naquela aldeia pobríssima, o marquês de Pombal ordenou que se lançasse fogo a essa povoação de pescadores. Essa ordem foi executada barbaramente em seu nome no dia 23 de Janeiro de 1777
  • A morte do Rei
As primeiras horas da madrugada do dia 24 de Fevereiro morria D.José I e a memória da sua impiedade perante o povo estava bem viva pois ainda não tinham secado as lágrimas, do que viram morrer pessoas na Trafaria.

Pelo menos o crime foi cometido em seu nome, mesmo que não tivesse sido sua a ordem. Naquele dia provavelmente caso único em Portugal, o povo saiu à rua para festejar a sua morte o fim dum ciclo doloroso e cruel.

Do Palácio da Ajuda veio a notícia assinada pelo ministro Aires de Sá e Melo, em nome da rainha regente. Luto decretado de oito dias sem sair dos aposentos para a viúva, mais 1 ano, seis meses rigoroso e 6 aliviado. As cerimónias fúnebres realizaram-se a 27 de Fevereiro, durante a noite, levando o corte fúnebre horas a percorrer a distância entre o Palácio da Ajuda e a Igreja de São Vicente de Fora

sábado, 18 de dezembro de 2010

Acontecimentos no ano de 1775(3ª Parte)



  • Execução de João Baptista Pele
Quando da inauguração da estátua de D.José no Terreiro do Paço em Lisboa em Junho de 1775, ocorreria um suposto atentado contra o Marquês de Pombal, um acto cuja eventual motivação nunca foi devidamente esclarecida, embora hipóteses não faltem, atendendo aos inimigos que Pombal, reunira ao longo de tantos anos da sua controversa governação.

O suposto conspirador era um pintor genovês João Baptista Pele que foi denunciado por um seu vizinho que esperava receber vantagens por essa denuncia.

O certo é que nada se passou. o réu sempre negou o seu envolvimento ou pretensão de actuação.

O certo é que o juízo, argumentando que o réu aparentava ser vagabundo e libertino, acabaram por condenar o réu por crime de Lesa-majestade e a pena de lhe serem retiradas as mãos, o corpo desmembrado por 4 cavalos até ser despedaçado e os pedaços depois consumidos pelo fogo, viria a ser concretizada a 11 de Outubro de 1775 na Junqueira , seguindo-se um Te Deum de acção de graças mandado celebrar pela Câmara de Lisboa.
  • A reconquista do Rio Grande do Sul
Em 1763, os espanhóis, achando que aquele território lhes pertencia, invadiram e dominaram o município.

A guarda portuguesa não suportou a carga desferida pelos soldados espanhóis e fugiu para o outro lado do canal, estabelecendo-se em São José do Norte.


A ocupação da cidade de Rio Grande pelas forças do exército espanhol durou 13 anos, tempo em que foi dominada pela Coroa da Espanha.

No livro de registos da Igreja de São Pedro, construída em 1756 pelos portugueses - hoje a Catedral de São Pedro (na foto) não consta sequer um baptizado ou casamento de espanhóis naquela época. Rio Grande era simplesmente um quartel militar.

Em São José do Norte, os portugueses arquitectavam uma forma de reconquistar a terra perdida. um plano ardiloso e meticulosamente arquitectado,foi colocado em prática na noite de 31 de Março de 1776.

Soldados portugueses vestidos com trajes de gala soltavam fogos, acendiam fogueiras, dançavam e cantavam. Era o aniversário da rainha de Portugal, Mariana Vitória.


Despreocupados, os espanhóis aliviaram a guarda, acreditando que os portugueses não atacariam no outro dia porque estariam cansados da festa. No entanto, tudo não passava de pura encenação. Um plano malicioso do comandante-geral Johann Heinrich Bohm, um alemão contratado pela Corte de Portugal para reconquistar Rio Grande, cidade revestida de importância estratégica para os militares por causa do porto marítimo.


Assim no dia 1 de Abril. Os soldados portugueses se apossaram dos fortes Santa Bárbara e Trindade, dominados pelos castelhanos.
Percebendo a desvantagem, os soldados espanhóis trataram de fugir para o Uruguai.

Estava mantida, para sempre, a soberania da cidade gaúcha.

Fonte : doma racional

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Acontecimentos no ano de 1775(2ªParte)

  • Instalação em Azeitão duma fábrica de estampagem de tecidos
Como demonstrou Jorge Borges de Macedo, a última fase da política de Pombal é principalmente dirigida para o fomento das manufacturas sendo justamente neste surto manufactureiro que se integra a fundação da fábrica de tecidos e estamparia de algodão estabelecida em Azeitão por uma sociedade entre Estêvão Larcher, mestre tintureiro que trabalhara ao serviço da Real Fábrica de Lanifícios de Portalegre e José Magalhães, negociante de vinhos em Londres, que obtiveram um auxílio pecuniário para a sua instalação e numerosos favores, idênticos aos das demais fábricas privilegiadas, tais como a isenção de direitos sobre os utensílios, drogas e matérias-primas que importassem para o funcionamento da sua fábrica e ainda dos direitos de saída em Portugal e de entrada nos domínios dos tecidos que exportassem.

Esta fábrica de estamparia e as primeiras que se seguiram deviam tecer pelo menos uma parte dos seus panos. As provisões concedidas pela Junta da Administração das Fábricas do Reino e pela Junta do Comércio pressupunham a instalação de um certo número de teares.

(Créditos : Indústria e negócio: a estamparia
da região de Lisboa, 1780-1880 de José Manuel Pedreira)

  • Inauguração do mercado da Praça da Figueira em Lisboa
Todo o conjunto urbano da Praça da Figueira data da segunda metade do séc. XVIII, estando o seu nome ligado a um dos mais populares mercados a céu aberto que existiu em Lisboa. Local do antigo Hospital de Todos os Santos, destruído pelo terramoto de 1755, a praça passou por diversas fases: em 1835 foi arborizada, em 1849 rodeada de grades de ferro e em 1883,foi demolida.
A nova praça inaugurada em 1885 apresentava quatro cúpulas, três naves e uma área de 8.000 metros quadrados permanecendo assim durante 64 anos após os quais se procedeu à sua demolição definitiva. Hoje é um espaço rodeado de edifícios simples e equilibrados, de onde se tem uma boa perspectiva do Castelo de S. Jorge.

Créditos: Cidadania Lisboa

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Acontecimentos no ano de 1775 (I Parte)


  • Junho-16-Inicio da reconstrução da Igreja da Candelária no Rio de Janeiro
Segundo conta a história - semi-lendária - sobre a origem da igreja, nos princípios do século XVII uma tempestade quase fez naufragar um navio chamado Candelária, no qual viajavam os espanhóis António Martins Palma e Leonor Gonçalves.
O casal fez a promessa de edificar uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Candelária se escapassem com vida. A nau finalmente aportou no Rio de Janeiro, e o casal fez construir uma pequena ermida no local da actual Igreja da Candelária em 1609.
Em 1755 essa igreja foi demolida, pois o Marquês do Lavradio apoiou a ideia do bispo D. José Joaquim Justiniano Castelo Branco de ali construir outra igreja, maior e mais imponente.
A igrejinha paroquial da Candelária foi reformada em 1710, mas na segunda metade do século XVIII necessitava uma ampliação.
O sargento-mor Francisco João Roscio, engenheiro militar português, desenhou os planos para uma nova igreja. As obras começaram em 1775 e a inauguração, com a igreja ainda inacabada, ocorreu em 1811 em presença do Príncipe-Regente, e futuro Rei de Portugal, D. João VI.
A igreja tinha nesse momento uma só nave, e os altares do interior da igreja haviam sido esculpidos por Mestre Valentim, o grande artista do estilo rococó do Rio, mas foram substituídos nas reformas posteriores.
A fachada e o projecto geral de planta em cruz latina com cúpula sobre o transepto lembram muito certas obras do barroco português, como por exemplo a igreja do Convento de Mafra (1717-1730), perto de Lisboa, e a Basílica da Estrela (1779-1790), na capital portuguesa.
A fachada é particularmente bela entre as igrejas coloniais brasileiras. Como ocorre também com a maioria das igrejas coloniais do Rio, a fachada da Igreja da Candelária está voltada para a Baía de Guanabara, uma vez que essa era a via principal de entrada na cidade.
  • Junho,6-Inauguração da estátua equestre de D.José no Terreiro do Paço
D.José foi imortalizado numa estátua equestre da autoria de Machado de Castro, inaugurada em Junho de 1775. no inacabado Terreiro do Paço,comemorando o seu 61º aniversário.
Este conjunto escultórico está localizado no centro da Praça do Comércio. Na parte superior está o rei D.José I a cavalo, a olhar para o Tejo, um elegante e harmonioso conjunto, pela elegância do cavalo e o porte do cavaleiro, que a classifica como uma das mais belas da Europa.
O pedestal, feito em pedra de lioz de Pêro Pinheiro, contém dois grupos alegóricos: o Triunfo e a Fama. Na face voltada para o arco da Rua Augusta, está uma alegoria em baixo relevo que representa a generosidade e o empenho do monarca na reconstrução da cidade destruída com o terramoto em 1755.
Na frente do monumento estão as armas reais e a efígie do marquês, retirada após a queda do Marquês em 1777, depois reposta em 1833.

sábado, 13 de março de 2010

Acontecimentos no ano de 1759

  • Março-Fundação da Real Fábrica de Chapéus em Pombal
Localizada a três quilómetros de Pombal, a Quinta da Gramela é hoje propriedade particular. Em 1759 era constituída por casas térreas e só posteriormente é construído o solar, com uma capela adjacente. Aqui funcionou a Fábrica de Chapéus de Pombal.
Abril,11-Elevação da vila de Aveiro à categoria de cidade
Em sessão da Câmara Municipal, e estando presentes a nobreza e muito povo, João de Sousa Ribeiro da Silveira fez entrega da carta que elevou Aveiro à categoria de cidade.

Feita a publicação, saíram todos para a vizinha igreja matriz, onde se celebrava neste mesmo dia a festa de S. Miguel, e, ainda de manhã, «se cantou com boa música uma Missa solene e orou com admirável estilo o M.R.P.M. Frei Bernardo de S. José Magalhães, da Sagrada Religião dos Pregadores»; de tarde, «cantou-se o te-deum e se fizeram várias preces pela duração da vida, saúde e felicidades do nosso ínclito Soberano, a que se seguiu uma pomposa procissão por várias ruas, que estavam vistosamente ornamentadas».

As demonstrações de alegria, com «luminárias, iluminações de diferentes artifícios e encamisadas de primorosa ideia», continuaram nos dias seguintes; além disso, «correram em algumas tardes touros e tudo se fez com galantaria e grandeza»

(Gazeta de Lisboa, n.º 44, 1-11-1759; Padre João Vieira Resende, Monografia da Gafanha, pgs. 171-172; Arquivo, I, pgs. 21-27)

  • Abril,19-Criação da Aula de Comércio
O ISCAL orgulha-se de ter uma história marcada pela tradição e pelo rigor académicos. Por isso relembra o seu passado para melhor projectar o seu futuro que quer construir.

Na segunda metade do século XVIII foi criada pelo Marquês de Pombal a "Aula do Comércio" (Alvará de 19 de Maio de 1759), há cerca de 240 anos.

Passaram então a ministrar-se "lições de aritmética, de pesos e medidas das diversas praças comerciais, de câmbios, de seguros e de escrituração comercial", com vista a dotar profissionais competentes para as organizações de negócios, cuja falta se fazia sentir.

Esta sua perspectiva faz com que seja o Marquês de Pombal justamente considerado um dos primeiros micro economistas do mundo.

O Curso, com duração de três anos, era ministrado por "lentes" (aquele que lê, professores …) cujo primeiro foi JOÃO HENRIQUE SOUSA e frequentado essencialmente por filhos de homens de negócios e também por escolares sem recursos.

O primeiro Curso iniciou-se em 1 de Setembro de 1759 e o interesse foi de tal ordem que o numero previsto de 50 alunos foi largamente ultrapassado, facto que já em 1765 obrigou a fixação do «numerus clausus» em 200 alunos ao candidatarem-se a primeira matricula.

Muitos nomes ilustres passaram pela Aula do Comércio sendo de salientar ALEXANDRE HERCULANO, e o diplomata CIPRIANO RIBEIRO FREIRE, o 1º BARÃO DE QUINTELA, autor do Dicionário Bibliográfico Português, e INOCÊNCIO FRANCISCO DA SILVA. Créditos : Iscal

sexta-feira, 12 de março de 2010

Acontecimentos no ano de 1758

  • Janeiro,11-Alvará que declara a liberdade de comércio com Angola
Este alvará determinou “a liberdade de comércio” em Congo, Angola, Loango e Benguela, proibindo a formação de monopólios.

O mesmo alvará aproveitava ainda para regular as partidas dos navios e a cobrança dos impostos.
  • Fevereiro, 1 - São mandados construir seis faróis.
O alvará da Junta Geral da Fazenda, de 1 de Fevereiro de 1758, incluía-o entre os seis faróis que mandava edificar: Berlengas, Nossa Senhora da Guia, Fortaleza de São Lourenço (Bugio), São Julião da Barra, Barra do Porto e costa de Viana.

A verdade, porém, é que, apesar de constarem deste alvará, nem a construção do farol de Montedor nem a de outros viria a concretizar-se, razão pela qual um decreto de 12 de Dezembro de 1826 determina, novamente, que se proceda à construção dos faróis de Montedor, das Berlengas, do Cabo de São Vicente, do Cabo de Santa Maria e do Cabo Mondego.
  • Março, 10 - Manuel Saldanha de Albuquerque, conde de Ega, é nomeado vice-rei da Índia.
Manuel Saldanha de Albuquerque, tinha sido nomeado em 1754 governador da ilha da Madeira para onde partiu com sua família e em 1758 recebeu ordem de vir a Lisboa para ser empregado numa comissão de serviço, e partiu para o Oriente com a nomeação de vice-rei da Índia, e agraciado com o título de conde da Ega, por decreto de 25 de Março do referido ano de 1758.

Chegando ao Oriente, continuou a guerra em que andávamos então empenhados, e concluiu vantajosamente a paz com o Marata; tomou e mandou demolir a fortaleza de Pondá, e conquistou os terrenos que formam a província do Canácona.

Na expulsão dos jesuítas em 1759 cumpriu fielmente as ordens do marquês de Pombal, prendendo e enviando para o reino 231 padres que então existiam na Índia. Nesse mesmo ano foi residir em Pangim.

A despesa causada por esta mudança, o fausto em que sempre vivia, alguns actos despóticos e pouco regulares, que praticou, tudo ocasionou graves acusações de ter delapidado a fazenda pública, por ocasião do sequestro dos bens dos jesuítas.

O facto de seu irmão, o cardeal Saldanha, ter votado no conselho de Estado contra a morte dos meninos de Palhavã, também concorreu muito para desmerecer do agrado do marquês de Pombal, e o conde de Ega foi exonerado do seu elevado cargo, sendo substituído pelo conde da Lousã.

Entregando então o governo, saiu de Goa em 25 de Dezembro de 1765 a bordo do navio Nossa Senhora de Brotas, que o trouxe para Lisboa, e apenas entrou o Tejo foi preso, juntamente com o seu secretário Belchior José Vaz de Carvalho, e encarcerado na Torre do Otão em Setúbal

(cf. O portal da História)

  • Agosto,27-Falecimento de D.Bárbara de Bragança rainha de Espanha, filha de D.João V
Maria Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa nasce em Lisboa, a 4 de Dezembro de 1711; faleceu em Madrid e está sepultada no Convento das Salesas Reales, da mesma cidade. Casou em 1729 com D. Fernando, príncipe das Astúrias, que subiu ao trono de Espanha como Fernando VI;

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Acontecimentos no ano de 1757



  • Reestruturação da real Fabrica das Sedas em Lisboa
A Real Fábrica das Sedas, que foi, no seu início, resultado de uma iniciativa de Robert Godin, que em 1731, requereu autorização para estabelecer uma fábrica de tecidos de seda, que só em 1734 viria a concretizar esse projecto, depois de reunir os fundos necessários para a edificação dessa fábrica

Após um período de decadência, este empreendimento acabou por se tornar propriedade da Fazenda Real. Por Decreto de 14 de Maio de 1750, expedido pelo Conselho da Fazenda, Vasco Lourenço Veloso foi incumbido da administração da fábrica, entrando em exercício efectivo a 15 de Junho de 1750.


Apesar dos esforços desenvolvidos por Vasco Lourenço Veloso para reestabelecer a fábrica das sedas, e inexistência de subsídios, que cobrissem as necessidade da sua laboração, fez subsistir o problema da falta de fundos.


Tendo sido criada por Decreto de 30 de Setembro de 1755, a Junta do Comércio destes Reinos e seus Domínios teve também a incumbência da administração da Real Fábrica das Sedas.


Tornando-se impraticável a sua administração directa, foi criada uma direcção subordinada à mesma Junta, para que a regesse conforme os Estatutos, confirmados pelo Alvará de 6 de Agosto de 1757, sendo da mesma data o Regimento Secretíssimo.
Pelos Estatutos foi criada uma Direcção, subordinada à Junta do Comércio destes Reinos e seus Domínios, e composta por 4 directores. à Real Fábrica das Sedas, neste ano em 1757 foi atribuído pelo Marquês de Pombal, outro amplo edifício no Bairro dos Fabricantes, situado na zona onde hoje se encontra localizada a freguesia de Sõa Mamede em Lisboa.
  • Concessão de instalação dum Fábrica de cal em Alcântara
EU EIRey faço faber aos que eíle Alvará deconfirmação virem, que fendo-me preferite afupplica de Guilherme Stephens, homem de Nego-cio da naçaõ Británica, e rendente nefta Corte, pa-ra nella eftabelecer huma Fabrica de cal

Foi com esta palavras que o Marquês de Pombal (pelo punho de D.José I) concedeu a Guilherme Stephens um inglês que tinha vinda para Portugal recentemente autorização para explorar, nas proximidades de Alcântara, alguns fornos de cal, utilizando carvão de pedra que mandava vir de Inglaterra, livre de direitos.

Comprometia-se Stephens a fabricar a cal "cozida a carvão e sem gastos de lenhas do Reino e vendendo esta a preço moderado".

Para o efeito passou a importar carvão de Inglaterra tendo lhe sido as "vargens e terras do Prazo da horta Navia de Alcantara" que se comprometeu a produzir quantidades suficientes de acordo com as necessidades da reconstrução de Lisboa.

Acrescente-se que ao mesmo tempo a Fazenda Real se comprometia por edital de 29 de Julho de adquirir toda a cal, telha ou tijolo que não se achasse comprador. Era um evidente apoio ao incremento de produção das indústrias associadas à construção civil.
  • Setembro,19-Expulsão do paço dos confessores jesuítas da família real
As primeiras providências de Pombal contra os jesuítas remontem ao dia 19 de Setembro de 1757, em que,pelas 11 horas da noite,foram expulsos do Paço os padres jesuítas que eram confessores da família real ,sendo igualmente proibido aos padres da Companhia de Jesus, aparecerem ali sem autorização do Rei. (leia-se Marquês de Pombal)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Acontecimento no ano de 1755(2ªParte)

  • Início da construção do Palácio dos marqueses de Castelo Melhor, hoje Palácio Foz

Após o terramoto, tendo ficado arrasado o velho edifício do antigo palácio dos Condes de Castelo Melhor, foi necessário proceder-se à construção dum novo palácio junto ao decadente edifício contíguo a então já existente rampa da Glória

Ignora-se o nome do autor do traçado do Palácio, durante muitos anos atribuído ao arquitecto italiano Francisco Xavier Fabri. Os biógrafos seus compatriotas são coincidentes na inviabilização dessa hipótese, já que mencionam a sua chegada a Portugal somente em 1790.

É no entanto quase certo que tenha presidido às obras até à sua morte, em 1807. Os trabalhos ficaram então suspensos, para serem retomados em 1846, sendo apenas inaugurado em 1858 (mais de 100 anos depois de serem iniciadas as obras)

Pouco se sabe acerca do interior do Palácio Castelo Melhor excepto que, a avaliar pela referida Capela deveria ser uma mansão sumptuosa, recheada de madeiras exóticas especialmente enviadas do Brasil pelo irmão do Conde, D. António Vasconcelos, à data Governador do Grão Pará.

Pouco tempo usufruiu a família da casa em 1889 a sexta Marquesa, D. Helena, vendeu-o e a Tristão Guedes de Queiroz Correia Castelo Branco.
  • Instalação da família real em Belém, passando depois para o Alto da Ajuda onde se constrói a real Barraca

Também a família real optou por viver durante meses em grandes barracas, até se mudar para a zona da Ajuda onde foi construído um edifício em madeira, conhecido, mesmo internacionalmente, como a "Real Barraca da Ajuda", e que ardeu em 1794, dando posteriormente origem a construção de um palácio sensivelmente na mesma zona.
  • Algumas medidas tomadas para a defesa da Saúde Pública
O Estado, através da acção do marquês de Pombal chamou a si a responsabilidade de organizar medidas de emergência cujas prioridades foram: evitar as doenças, alimentar a população e impor a ordem pública.

Nesse sentido, foram tomadas, entre muitas outras, as seguintes disposições:

- para prevenir a disseminação de doenças devido ao grande número de cadáveres existente, o patriarca de Lisboa autorizou que os mortos fossem colocados em barcos e deitados ao mar em pleno oceano Atlântico.

- Mandaram-se erguer pela cidade forcas onde eram sumariamente executados todos os que fossem apanhados a roubar ou cometer outro tipo de crimes - e os ladrões eram numerosos pois tinham fugido das cadeias aquando da sua destruição.

- Impuseram-se limites máximos para o preço dos principais alimentos no sentido de desencorajar a especulação.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Acontecimentos no ano de 1753(II)

  • Agosto,11-Decreto autorizando Feliciano Oldenberg a fundar a Companhia Real Portuguesa da Ásia.
Já antes do início do reinado de D.José, que se pensava na criação dum projecto de criação dum companhia para o comércio na Ásia. No ano anterior um comerciante francês conseguira o privilégio do estabelecimento desse comércio, pelas costa indianas.

Essa decisão provocara o protesto de muita gente, negociantes portugueses, apoiados pelos jesuítas e por Sebastião José (ainda em tempo de aliança ), por a coroa não ter entregue essa concessão a um português.

Foi então nomeado um português de origem alemã Feliciano Velho Oldenberg, com fortuna construída no comércio do tabaco e da prata.

Foi então criada as bases desta companhia que deveria promover a viagem de 11 navios, para a Índia e para Macau, com a validade de 10 anos.

A empresa veio a falir, por causas pouco claras, tanto quanto os meandros da própria constituição do capital da empresa, conexões entre o secretário de Estado Diogo de Mendonça e Oldenberg e do próprio rei encarregando um seu criado Pedro Virgolino de investir dinheiro em seu próprio nome.
  • Fundação da escola de escultura de Mafra, sob a direcção de Alessandro Giusti, onde se formaram, entre outros, Machado de Castro.
Com a consciência do seu valor artístico, Machado de Castro, intentou ir para as obras da grandiosa basílica de Mafra, onde estavam muitos artistas de merecimento, tendo à frente o professor e ilustre estatuário romano Alexandre Giusti.

O seu ardente desejo de se aperfeiçoar na arte, o obrigou a sair de Lisboa, onde auferia bons lucros, e ir encerrar-se naquela vila conseguindo dentro em pouco, em 1756, ser nomeado ajudante do professor romano, situação em que se conservou durante 14 anos, trabalhando sempre assíduo e com o maior aproveitamento, adquirindo cada dia novos conhecimentos, e produzindo trabalhos já de excepcional valor.

Mas em Mafra esperava-o um novo futuro. Como ali se tornara um ponto de reunião, não só de viajantes estrangeiros, como de poetas, artistas e sábios portugueses, Machado soube tirar óptimo partido, para se instruir, com a conversação dos homens doutos.

Um dos frequentadores era o poeta Cândido Lusitano, que não se cansava de admirar as novas produções dos artistas, que trabalhavam ali. Travou relações com o jovem escultor, e desde logo lhe votou sincera amizade. Reconhecendo o seu desejo de aprender, encarregou-se de lhe dar lições de Retórica, que o nosso artista aceitou gratamente.

Mafra foi, por assim dizer, para Machado de Castro, não só um centro de educação artística, como uma espécie de universidade onde se lhe deparavam os melhores livros do seu tempo, como professores que o instruíssem e o iniciassem no movimento intelectual do século.

As novas relações com o poeta e pintor Vieira Lusitano, marcaram assim uma época na educação literária de Machado de Castro. As novas teorias que se revoltavam contra a imitação servil dos mestres, contra o fanatismo das regras e que colocava acima de tudo o entusiasmo e espontaneidade da poesia, a imitação da natureza, foram adoptadas para sempre pelo nosso ilustre artista, tornado um entusiasta discípulo delas. Joaquim Machado de Castro caracteriza-se, porém, pelo seu bom senso, pela rectidão dos seus julgamentos e a lucidez das suas ideias.

(retirado do Portal da História
  • Dezembro,31-Morte de Alexandre de Gusmão, principal inspirador e definidor da política externa portuguesas entre 1735 e 1750.

acontecimentos no ano de 1753(I

  • Março,01-Entra solenemente em Pequim a Missão diplomática chefiada por Francisco Xavier Assis Pacheco de Sampaio.
Com o recrudescimento da opressão chinesa e a imposição, em 1736, duma autoridade nativa com a designação de tchó-t'óng, que passou a exercer autoridade na cidade só a partir de 1797, foi pedido ao rei D. José novo embaixador, sendo Dom Francisco Xavier Assis Pacheco e Sampaio magnificamente recebido na corte do Imperador Qianlong, em Pequim, aonde chegara a 1 de Maio de 1753.

Após cinco semanas de banquetes e festas, o embaixador deixou a capital chinesa com ricos presentes, mas sem nada conseguir, devido à animosidade das autoridades chinesas.

(ver mais sobre Macau aqui)
  • Junho,30-Decreto que manda fabricar a pólvora por conta da Fazenda real.
O início do fabrico da pólvora, por iniciativa da família Cramer por ler-se em

As fabricas de pólvora em Barcarena e Alcântara-27

O seu cancelamento em 1753, deveu-se exclusivamente ao facto de se julgar mais seguro para a defesa do Reino que as fábricas de pólvora passassem a ser administradas directamente pela Fazenda.

Acontecimentos no ano de 1752

  • Criação da capitania Geral de Moçambique autonomizada do Estado da Índia.
Moçambique foi com a sua própria formação portuguesa totalmente entregue ao Estado da Índia, para ser apanágio político, administrativo, social e económico.

Não há qualquer exagero em afirmar-se que Moçambique foi, em todos os aspectos da sua vida, uma colónia de Goa, sob a égide da Metrópole. Macau também, em grande parte. De facto, a importante colónia de Moçambique, desmesuradamente maior que Goa, só em 1752 cria a sua própria estrutura político-administrativa independente do Estado da Índia.

Super Goa

As razões desta alteração estão por esclarecer, devem contudo estar associadas a uma reforma administrativa que já vinha ocorrendo desde o tempo de D.João V no sentido de promover alguma economia e que viria a culminar com a não nomeação de vice-reis para a Índia, entre 1767 até 1808.
  • Outubro,13-Instalação do Tribunal da Relação no Rio de Janeiro-a Bahia perde o privilégio de ter o único Tribunal do Estado do Brasil.
Em 13 de Outubro, é instalada a Relação do Rio de Janeiro, com jurisdição sobre Minas Gerais e as Capitanias do Sul. O centro do poder económico estava mudando e o fluxo de ouro e diamantes exigia o desenvolvimento de um porto na região Sul-Sudeste.
  • Reconhecimento pelo rei dos seus irmãos, legitimados por D.João V, em 1742.
Como antecedente desta questão consultar Os meninos da Palhavã e ... outras mais

Estes bastardos irmão de D.José I, só seriam reconhecidos depois de alguma polémica e dum longo requerimento do seu mentor Frei Gaspar, feito pouco antes de falecer. Porém a admissão à presença real só viria a acontecer em Janeiro de 1755.

Os meninos de Palhavã, viriam a desempenhar um papel político relevante.


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Acontecimentos no ano de 1750(III)

  • Setembro,21-Juramento de D.José I como protector da Universidade de Coimbra.
Desde o reinado de D. Manuel I concretamente desde 1503, quando a Universidade recebeu os seus terceiros estatutos, que todos os Reis de Portugal passaram a ter o título de "Protectores" da Universidade, podendo nomear os professores e emitir estatutos.

  • Dezembro-Morre Manuel Pereira Sampaio ministro de Portugal em Roma.

O Comendador Manuel Pereira Sampaio, encarregado de negócios e depois embaixador em Roma, durante a década de quarenta, ao qual se devem inúmeras encomendas de obras de arte para a Patriarcal e ainda a monumental tarefa que foi a realização e envio para Portugal da capela de S. João Baptista, destinada à igreja lisboeta de S. Roque.

A morte deste ministro Plenipotenciário de D. João V, significou o afastamento de mais um dos inimigos de Pombal, aliás uma característica destes primeiro tempos de governação.
  • Dezembro,05-Publicação dum novo esquema de de cobrança dos quintos do ouro do Brasil.
Esta foi a primeira grande medida respeitante ao Brasil, que foi tomada por Carvalho e Melo, alterando o sistema de cobrança dos quintos de ouro. Substituindo a lei que impunha a cobrança por capitação, substituindo-a pela avença, ou seja 100 arrobas ano era o tributo fixo para a Fazenda Real.

Acabava-se a proporcionalidade entre a riqueza arrecadada e o imposto a pagar e consequentemente a equidade, que a capitação assegurava.

Por certo que este novo sistema interessava aos mais poderosos e mais abonados, que ficariam a ganhar, enquanto outros iam ser mais penalizados.

  • Dezembro,14-Morre D.Nuno da Cunha de Ataíde cardeal-inquisidor.
Estudou em Coimbra Direito Canónico, tendo aí exercido também as funções de cónego da Sé. Foi ainda membro do Conselho de Estado, Inquisidor-mor dos Reinos de Portugal e Algarves, e capelão privado d'el-rei D. Pedro II.

Foi designado bispo de Elvas (1705), cargo que recusou, tendo em compensação recebido o título de bispo de Targa.

Clemente XI elevou-o ao cardinalato a 18 de Maio de 1712, com o título de Santa Anastácia.

Está sepultado na Sé de Lisboa.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Acontecimentos no ano de 1750-2ºparte

  • Setembro,11-Ludovice é nomeado arquitecto-mor do Reino e Eugénio dos Santos nomeado arquitecto-mor da cidade de Lisboa.
Johann Friedrich Ludwig (1670 - 1752) foi um arquitecto e ourives alemão. Natural da conhecido em Portugal como João Frederico Ludovice. Da Suábia, emigrou para a Itália, onde se converteu ao Catolicismo. Veio depois para Portugal, projectando entre outras obras o Palácio Nacional de Mafra (1717-1730), ao serviço de D. João V. Naturalizou-se, mais tarde, cidadão português.

A consagração suprema, foi dada porém, em 1750, por D. José I, que o nomeou Arquitecto-Mor do Reino, com a patente de Brigadeiro. No decreto de nomeação referem-se os serviços prestados “ tanto no Reino como fora dele”, pelo que é de presumir que a sua acção se tenha estendido também ao Brasil.

Eugénio dos Santos e Carvalho (Aljubarrota, 1711 — Lisboa, 5 de Agosto de 1760) foi um dos engenheiros militares, e o arquitecto responsável, pela reconstrução da Baixa Pombalina de Lisboa após o terramoto de 1755.

Foi aluno na “Aula de Fortificação e de Arquitectura Militar” onde entrou em 1735, mas já no ano seguinte estava a trabalhar nas fortificações de Estremoz, onde foi responsável pelas obras do Paiol de Santa Bárbara, Paço e Armazéns.

Posteriormente foi responsável pelas fortificações da Marinha e trabalhou na construção do Hospital das Caldas da Rainha, dirigidas por Manuel da Maia.


Em 1750 foi nomeado inspector das obras da Corte, entre as quais as obras dos Paços da Ribeira e dos outros Paços reais e arquitecto do Senado de Lisboa.

Homem de confiança do mestre Manuel da Maia, engenheiro-mor do Reino, a sua obra mais notável foi a Praça do Comércio, que abre os horizontes de Lisboa ao Rio Tejo.

  • Setembro,21-Juramento de D.José I como protector da Universidade de Coimbra.
  • Outubro-Carvalho e Melo impugna o projecto dum tratado comercial com a Espanha, mesmo assumindo que isso poderia por em causa o Tratado de Madrid, de que era bastante crítico
  • Dezembro-Morre Manuel Pereira Sampaio ministro de Portugal em Roma.
  • Dezembro,05-Publicação dum novo esquema de de cobrança dos quintos do ouro do Brasil.
Esta foi a primeira grande medida respeitante ao Brasil, que foi tomada por Carvalho e Melo, alterando o sistema de cobrança dos quintos de ouro. Substituindo a lei que impunha a cobrança por capitação, substituindo-a pela avença, ou seja 100 arrobas ano era o tributo fixo para a Fazenda Real.

Acabava-se a proporcionalidade entre a riqueza arrecadada e o imposto a pagar e consequentemente a equidade, que a capitação assegurava.

Por certo que este novo sistema interessava aos mais poderosos e mais abonados, que ficariam a ganhar, enquanto outros iam ser mais penalizados.

  • Dezembro,14-Morre D.Nuno da Cunha de Ataíde cardeal-inquisidor.
Estudou em Coimbra Direito Canónico, tendo aí exercido também as funções de cónego da Sé. Foi ainda membro do Conselho de Estado, Inquisidor-mor dos Reinos de Portugal e Algarves, e capelão privado d'el-rei D. Pedro II.

Foi designado bispo de Elvas (1705), cargo que recusou, tendo em compensação recebido o título de bispo de Targa.

Clemente XI elevou-o ao cardinalato a 18 de Maio de 1712, com o título de Santa Anastácia.

Está sepultado na Sé de Lisboa.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Regimento pombalino do Tribunal do Santo Ofício.

  • Setembro,01-publicação do novo Regimento para a Direcção do Conselho Geral do Santo Ofício e Governo das Inquisições,
Com a publicação do novo Regimento para a Direcção do Conselho Geral do Santo Ofício e Governo das Inquisições, decretado em nome do Inquisidor Geral e Regedor das Justiças, Cardeal da Cunha, que assumira em 1770 o cargo vago pela morte de Paulo de Carvalho, regimento, de inspiração pombalina, proíbe o segredo das testemunhas, os tormentos, as sentenças de morte baseadas no depoimento de uma só testemunha e os autos-de-fé realizados em público, estabelecendo, porém, excepções em que tormentos ou mesmo autos públicos podessem ser executados em heresiarcas, dogmatistas, sigilistas e outros desvios considerados particularmente perigosos.

Os Autos da Fé poderiam continuar, mas seriam realizados em locais fechados, sem o aparato que até esse momento os caracterizara.

Em verdade, muitas das novas disposições não faziam senão reconhecer normas que, de fato, estavam já ficando fora de uso. A última execução pública tinha acontecido em Lisboa em 1761, com a queima - depois de garroteado - do jesuíta Gabriel Malagrida.

É que Pombal - talvez involuntariamente - atacara às bases dessa instituição desde um outro ângulo. O anacronismo da Inquisição não era já apenas jurídico mas, também, - e principalmente - social, político e económico.

Muitas gerações haviam passado desde a reconquista e a expulsão dos judeus. Nem os conversos à força nem os seus filhos ou netos eram mais vivos. Os actuais "cristãos novos" não eram mais novos. Apesar da permanente segregação, muitos acabaram integrando-se ao ritmo da sociedade católica e os que ainda se mantinham fiéis à sua cultura não eram mais vistos como um perigo para a nação. Por outra parte, Pombal e seus seguidores admiravam o grau de desenvolvimento alcançado por outros países com base no comércio, não ignorando que grande parte desse comércio estava alicerçado no capital e no trabalho dos judeus expulsos de Espanha e Portugal.

(Fonte de recolha Memória da Justiça Brasileira - Volume 2, do Lic. Carlos Alberto Carrillo.)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A deportação de Seabra da Silva

Nada faria prever que o ministro de Estado adjunto ao marquês de Pombal, desde Junho de 1771, aparentemente merecendo sempre a confiança de Pombal, visse essa situação completa e drasticamente alterada dum momemto para o outro.

A 17 de Janeiro de 1774, quando Seabra da Silva se dirigiu ao cais de Belém, para acompanhar a família real que partia para Salvaterra, ao chegar junto ao rei, pedindo-lhe as suas ordens. Ouviu estupefacto este dizer-lhe " Vá recebe-las do marquês de Pombal".

Ali chegado, lhe disse Pombal que estava demitido e desterrado.Perguntado pelas razões, disse-lhe Pombal que e tratava duma ordem real que era a seguinte:

«Cumpre ao meu real serviço que haja como hei por escuso de todos os empregos que nele ocupou o doutor José de Seabra da Silva, e lhe ordeno que no termo de quarenta e oito horas haja de sair da cidade de Lisboa e seu termo, e no de quinze dias peremptórios se apresente no Vale de Besteiros para dele não sair até segunda ordem minha. O marquês de Pombal, do meu conselho de Estado e secretário e ministro dos negócios do reino, o tenha assim entendido e faça executar, registando-se este decreto no livro a que pertence, e averbando-se os que por ele ficam reduzidos de nenhum valor. Palácio de Nossa Senhora da Ajuda em 17 de Janeiro de 1774

Foi para Vale de Besteiros e ali esteve três meses, seguindo depois dali preso para S. João da Foz no Porto, onde chegou no dia 4 de Maio. A 4 de Outubro foi tirado de S. João da Foz, e conduzido debaixo de prisão para um navio que seguia para o Rio de Janeiro, em escala para Angola com destino ao presídio das Pedras Negras, o desterro mais cruel a que se podia condenar um homem.

A resposta à pergunta sobre o motivo de tão inesperada decisão, é um dos dos enigmas mais insondáveis da nossa História, mas ao que parece tratar-se dum plano, que o marquês de Pombal urdira em combinação com D. José, para afastar do trono a princesa D. Maria, tornando seu sucessor, o príncipe D. José,seu neto e que o ministro Seabra da Silva, terá deixado transpirar esse segredo.

Não havendo a certeza de ser este o motivo de punição tão severa, parece contudo a hipótese mais plausível, conhecendo-se o relacionamento pouco amistoso entre Pombal e a Infanta, que lhe não perdoara por certo a perseguição que este faz a muitos dos seus mestre e amigos mais queridos.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Acontecimento no ano de 1774

  • Janeiro,2-Primeira reunião do Senado da Câmara, no novo Palácio do Rossio em Lisboa, com a presença do marquês de Pombal, Secretário de Estado e da corte.

Depois do terramoto a Senado da Câmara de Lisboa reunia no em casas de madeira no sítio que é hoje conhecido como Campo de Santana, enquanto Eugénio dos Santos executava um projecto de construção dum edifício condigno, mais tarde acabado com risco definitivo de Reinaldo dos Santos.

Obras que começaram em Abril de 1770, sendo inaugurado a 2 de Janeiro de 1774, com uma sessão solena com a presença da corte e do Marquês de Pombal.

Todo o recheio viria a desaparecer num incêndio de 19 de Novembro de 1863, n destruindo não só o Paço da Cidade, como também, em parte, de edifícios pombalino daquele quarteirão.

  • Janeiro,11-É assinado um tratado de paz entre Portugal e o sultão de Marrocos.
Com o abandono, em 1769, da última cidade marroquina ocupada pelos portugueses – Mazagão criaram-se as condições para o estabelecimento de boas relações políticas e comerciais com o reino de Marrocos. Jorge Colaço foi o primeiro cônsul português em Tânger,depois da assinatura do tratado de paz entre Portugal e Marrocos em 1774.

  • Janeiro,15-A legislação do governo da índia é alterada, suprimindo-se a Relação de Goa e o cargo de Vice-rei
Quando em 1765 o vice-rei da India e 1º conde de Ega, fiel seguidor de Pombal durante muito tempo, chegou a Lisboa foi preso, sob a acusação de se ter dedicado a tráficos comerciais ilícitos, e o seu substituto morreu durante a viagem para a India, motivou que entre 1765 e 1768, o governo daquela colónia tenha sido exercido por um conselho de governo, formado por 3 pessoas entre elas o primaz das Índias e o vedor da fazenda, já aqui radicado há muito tempo, chamado João José de Melo, que viria a assumir depois funções de governador-geral entre 1768 e 1774. até à sua morte,mas que, provavelmente já com a sua concordância, nunca foi nomeado vice-rei.

O seu substituto, ido do continente, D.José Pedro da Câmara, já não recebeu também o título de vice-rei, mas apenas o de Governador e Capitão-geral da Índia, situação que se manteria, para os seus sucessores, até ao ano de 1806

terça-feira, 14 de abril de 2009

Acontecimentos no ano de 1773

  • Janeiro,15-Criação da Companhia Geral das Reais Pescas do Reino do Algarve.
Para fazer face a uma crise que se instalou, nas pescas, nomeadamente na região do Algarve, desde sempre conhecida como local de grandes baleeiros, o Marquês de Pombal, tentou desenvolver um plano de fomento das pescas, fundando esta Companhia, à qual foi concedido o exclusivo da pesca do atum e da corvina por um período de doze anos.

Foram tomadas algumas medidas importantes como a redução de todos os direitos do pescado a 20%, e a entrega, à Companhia, de todo o espólio das armações pertencentes à Fazenda Real o que, em si, representava significativo uma entrada grande de capital, mas em complemento, o preço do sal das marinhas de Castro Marim e Tavira descia para 900 réis o moio.

A Companhia, com sede em Lisboa, era composta por quatro membros (um dos quais residia no Algarve), eleitos pelos accionistas que detivessem, no mínimo, cinco acções. Possuía ainda três administradores, um em Lagos, um em Faro e outro em Tavira.

  • Maio,25-São mandados queimar os registos dos «Cristãos-Novos», terminando-se com a necessidade de atestados de «Limpeza de Sangue» para ocupação de cargos régios.
Com esta lei termina a diferença entre cristão-novos e velhos, tornando inválidos todos os anteriores decretos e leis que discriminavam os cristão-novos.

Passou a ser proibido usar a palavra cristão-novo, quer por escrito, quer oralmente. As penas para que usasse a expressão eram pesadas. Algumas fontes referem que Sebastião José de Carvalho e Melo tomou estas medidas a favor dos cristãos-novos ,devido ao facto de estes, sendo na sua grande maioria comerciantes, darem um grande contributo económico a Portugal

  • Março,29-O castelo de Coimbra começa a ser demolido.

Tudo mudou com a chegada da Reforma Pombalina a Coimbra, na década de 1770. Apesar de, para além de outros aspectos, esta ter sido fundamental na modernização dos espaços destinados ao ensino, construindo novos edifícios e beneficiando outros, não o acabou por ser para o seu castelo.

Quando se projectou a construção de um moderno e bem equipado observatório astronómico, segundo os moldes mais inovadores de então, foi precisamente escolhida a área ocupada pelo castelo medieval.

Adicionalmente, devido ao facto de este espaço estar rodeado por vários edifícios, convinha que fosse alto e tivesse vários pisos. Projectado, juntamente com outros, no ano de 1772, as suas obras iniciaram-se em 1773. No entanto, acabou por se revelar um completo fracasso.

Para começar, todo o custo da obra revelou-se, de facto, astronómico. Apesar dos sinais de ruína, a demolição do castelo, nomeadamente das suas robustas torres, estava-se a revelar muito demorada e difícil, para além de francamente dispendiosa.

Uma das medidas para tentar contornar este ónus, foi não demolir a parte de baixo da Torre de Menagem, de forma quadrangular, integrando-a no interior da obra. Por outro lado, descobriu-se, muito tardiamente que, afinal, a sua localização não seria a mais indicada.

O futuro Observatório Astronómico tornar-se-ia, muito provavelmente, num “elefante branco”. Desta forma, as obras foram suspensas em 1775, quando só estavam erguidas as paredes do andar térreo. Na sequência disto, optou-se por uma solução menos dispendiosa e de conclusão mais célere, que ficou localizada ao fundo do Pátio da Universidade, entre o Colégio de S. Pedro e a Biblioteca Joanina. Aí ficou o novo Observatório Astronómico, até ser demolido em 1951.

Nota retirada integralmente deste magnífico texto.

sábado, 4 de abril de 2009

A extinção da Companhia de Jesus

Desde a expulsão da Companhia de Jesus de Portugal e dos seus territórios em 1759, que a evolução dos acontecimentos posteriores, viriam a apontar para um mesmo caminha, o banimento dos jesuítas, matéria que Portugal dentro em breve seria apenas pioneiro.

Em França na corte de Luís XV, quer grande parte dos magistrados do parlamento, quer o secretário de Estado, o duque de Choiseul eram hostis à Companhia de Jesus, também indiciados num atentado contra o rei em 1757.

Contudo a gota de água foi um processo complicado de dívidas a uma empresa marselhesa, que levou à insolvência, dos negócio jesuítas nas Antilhas. Acabando a Companhia por ser suprimida por Luís XV em Novembro de 1764, muito embora este tenha tentado protelar o mais possível a sua decisão, atendendo a que o rei tinha um confessor jesuíta, que bastante o influenciava em sentido contrário.


Em Espanha, foi um motim popular, iniciado em Madrid a 23 de Março de 1766, motivada por uma carestia de géneros de primeira necessidade, chegando o motim ao ponto de terem cercado o palácio real.

Para além das razões desse motim, o certo é que estes acontecimentos traumatizaram imenso o rei Carlos III, acabando por serem abrangidos na inculpação os jesuítas, cujo principal artífice dessa acusação, foi Pedro Campomanes, uma personagens das mais influentes de Espanha, com reflexo nos variados cargos que ocupou.

Em Abril de 1767, Carlos III acaba por assinar a ordem de expulsão da Companhia de Jesus.


Curiosamente a maioria dos bispos espanhóis, declarou-se a favor da medida, tal como boa parte da opinião pública internacional, com excepção da Áustria e dos países da Europa Central

Muito embora, os processo de expulsão dos jesuítas já tivessem acontecido em grande parte dos países europeus, nomeadamente Portugal,França, Espanha, Parma e em Nápoles o certo é que só depois da morte do papa Clemente XIII a 2 de Fevereiro 1769, que fora sempre intransigente na defesa daquela Companhia, foi possível abrirem-se portas para outras decisões.

O novo papa Clemente XIV um franciscano, foi favorável à extinção daquela Companhia a 23 de Julho de 1773, através da breve papal Dominus ac Redemptor, estava consumado o triunfo completo do marquês de Pombal

sábado, 21 de março de 2009

A reforma da Universidade de Coímbra

A grande tarefa naqueles anos era a reforma da Universidade de Coimbra, que na perspectiva de Pombal estava uma ruina pela influência que nela tinham tido os jesuítas.

Para iniciar a sua reforma foi criada por carta régia de 23 de Dezembro de 1770 a Junta de Providência Literária, que foi constituída por várias personalidades para além do próprio marquês, que pudessem contribuir para a restruturação daquela Universidade.


Do trabalho dessa comissão saiu em Setembro de 1772, referida restruturação que a par das áreas tradicionais. Teologia, Direito Canónico, Direito Civil e Teologia, criou novas faculdades de Matemática e de Filosofia Natural,e para apoio a essas novas faculdades, institutos como o Observatório Astronómico e o Laboratório Químico.

Também o colégio das Artes foi nessa altura incorporado na Universidade de Coimbra, enquanto o Colégio dos
Jesuítas (Colégio das 11mil virgens) foi cedido ao bispado para nele se estabelecer a Sé Nova da cidade.

Todo esse projecto resultou do acompanhamento pessoal de Pombal que havia sido nomeado Plenipotenciário e Lugar-Tenente da Universidade de Coimbra, com a determinação de a inspeccionar, o que fez, permanecendo cerca de um mês em Coimbra, mandando proceder à sua total renovação, como se pode aferir por alguns dos números, referentes a alterações no corpo docente onde foram reformados compulsivamente 27 lentes e admitidos 53, entre os quais alguns estrangeiros.


Durante a permanência de Pombal em Coimbra foi também nomeado, reformador e reitor da novas universidade Francisco de Lemos, com o qual participou num conjunto de solenidades que marcaram a publicação dos novos estatutos em 29 de Setembro de 1772, que constituiu um dos momentos altos deste reinado.

Como forma de fazer face a aumento das despesas com a reforma da Universidade e do ensino em geral, Pombal criará um pouco mais tarde (Novembro) o "Subsídio Literário" que não passa de um imposto sobre o consumo de vinhos e aguardentes.