sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Regimento pombalino do Tribunal do Santo Ofício.

  • Setembro,01-publicação do novo Regimento para a Direcção do Conselho Geral do Santo Ofício e Governo das Inquisições,
Com a publicação do novo Regimento para a Direcção do Conselho Geral do Santo Ofício e Governo das Inquisições, decretado em nome do Inquisidor Geral e Regedor das Justiças, Cardeal da Cunha, que assumira em 1770 o cargo vago pela morte de Paulo de Carvalho, regimento, de inspiração pombalina, proíbe o segredo das testemunhas, os tormentos, as sentenças de morte baseadas no depoimento de uma só testemunha e os autos-de-fé realizados em público, estabelecendo, porém, excepções em que tormentos ou mesmo autos públicos podessem ser executados em heresiarcas, dogmatistas, sigilistas e outros desvios considerados particularmente perigosos.

Os Autos da Fé poderiam continuar, mas seriam realizados em locais fechados, sem o aparato que até esse momento os caracterizara.

Em verdade, muitas das novas disposições não faziam senão reconhecer normas que, de fato, estavam já ficando fora de uso. A última execução pública tinha acontecido em Lisboa em 1761, com a queima - depois de garroteado - do jesuíta Gabriel Malagrida.

É que Pombal - talvez involuntariamente - atacara às bases dessa instituição desde um outro ângulo. O anacronismo da Inquisição não era já apenas jurídico mas, também, - e principalmente - social, político e económico.

Muitas gerações haviam passado desde a reconquista e a expulsão dos judeus. Nem os conversos à força nem os seus filhos ou netos eram mais vivos. Os actuais "cristãos novos" não eram mais novos. Apesar da permanente segregação, muitos acabaram integrando-se ao ritmo da sociedade católica e os que ainda se mantinham fiéis à sua cultura não eram mais vistos como um perigo para a nação. Por outra parte, Pombal e seus seguidores admiravam o grau de desenvolvimento alcançado por outros países com base no comércio, não ignorando que grande parte desse comércio estava alicerçado no capital e no trabalho dos judeus expulsos de Espanha e Portugal.

(Fonte de recolha Memória da Justiça Brasileira - Volume 2, do Lic. Carlos Alberto Carrillo.)

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

A deportação de Seabra da Silva

Nada faria prever que o ministro de Estado adjunto ao marquês de Pombal, desde Junho de 1771, aparentemente merecendo sempre a confiança de Pombal, visse essa situação completa e drasticamente alterada dum momemto para o outro.

A 17 de Janeiro de 1774, quando Seabra da Silva se dirigiu ao cais de Belém, para acompanhar a família real que partia para Salvaterra, ao chegar junto ao rei, pedindo-lhe as suas ordens. Ouviu estupefacto este dizer-lhe " Vá recebe-las do marquês de Pombal".

Ali chegado, lhe disse Pombal que estava demitido e desterrado.Perguntado pelas razões, disse-lhe Pombal que e tratava duma ordem real que era a seguinte:

«Cumpre ao meu real serviço que haja como hei por escuso de todos os empregos que nele ocupou o doutor José de Seabra da Silva, e lhe ordeno que no termo de quarenta e oito horas haja de sair da cidade de Lisboa e seu termo, e no de quinze dias peremptórios se apresente no Vale de Besteiros para dele não sair até segunda ordem minha. O marquês de Pombal, do meu conselho de Estado e secretário e ministro dos negócios do reino, o tenha assim entendido e faça executar, registando-se este decreto no livro a que pertence, e averbando-se os que por ele ficam reduzidos de nenhum valor. Palácio de Nossa Senhora da Ajuda em 17 de Janeiro de 1774

Foi para Vale de Besteiros e ali esteve três meses, seguindo depois dali preso para S. João da Foz no Porto, onde chegou no dia 4 de Maio. A 4 de Outubro foi tirado de S. João da Foz, e conduzido debaixo de prisão para um navio que seguia para o Rio de Janeiro, em escala para Angola com destino ao presídio das Pedras Negras, o desterro mais cruel a que se podia condenar um homem.

A resposta à pergunta sobre o motivo de tão inesperada decisão, é um dos dos enigmas mais insondáveis da nossa História, mas ao que parece tratar-se dum plano, que o marquês de Pombal urdira em combinação com D. José, para afastar do trono a princesa D. Maria, tornando seu sucessor, o príncipe D. José,seu neto e que o ministro Seabra da Silva, terá deixado transpirar esse segredo.

Não havendo a certeza de ser este o motivo de punição tão severa, parece contudo a hipótese mais plausível, conhecendo-se o relacionamento pouco amistoso entre Pombal e a Infanta, que lhe não perdoara por certo a perseguição que este faz a muitos dos seus mestre e amigos mais queridos.

terça-feira, 12 de Maio de 2009

Acontecimento no ano de 1774

  • Janeiro,2-Primeira reunião do Senado da Câmara, no novo Palácio do Rossio em Lisboa, com a presença do marquês de Pombal, Secretário de Estado e da corte.

Depois do terramoto a Senado da Câmara de Lisboa reunia no em casas de madeira no sítio que é hoje conhecido como Campo de Santana, enquanto Eugénio dos Santos executava um projecto de construção dum edifício condigno, mais tarde acabado com risco definitivo de Reinaldo dos Santos.

Obras que começaram em Abril de 1770, sendo inaugurado a 2 de Janeiro de 1774, com uma sessão solena com a presença da corte e do Marquês de Pombal.

Todo o recheio viria a desaparecer num incêndio de 19 de Novembro de 1863, n destruindo não só o Paço da Cidade, como também, em parte, de edifícios pombalino daquele quarteirão.

  • Janeiro,11-É assinado um tratado de paz entre Portugal e o sultão de Marrocos.
Com o abandono, em 1769, da última cidade marroquina ocupada pelos portugueses – Mazagão criaram-se as condições para o estabelecimento de boas relações políticas e comerciais com o reino de Marrocos. Jorge Colaço foi o primeiro cônsul português em Tânger,depois da assinatura do tratado de paz entre Portugal e Marrocos em 1774.

  • Janeiro,15-A legislação do governo da índia é alterada, suprimindo-se a Relação de Goa e o cargo de Vice-rei
Quando em 1765 o vice-rei da India e 1º conde de Ega, fiel seguidor de Pombal durante muito tempo, chegou a Lisboa foi preso, sob a acusação de se ter dedicado a tráficos comerciais ilícitos, e o seu substituto morreu durante a viagem para a India, motivou que entre 1765 e 1768, o governo daquela colónia tenha sido exercido por um conselho de governo, formado por 3 pessoas entre elas o primaz das Índias e o vedor da fazenda, já aqui radicado há muito tempo, chamado João José de Melo, que viria a assumir depois funções de governador-geral entre 1768 e 1774. até à sua morte,mas que, provavelmente já com a sua concordância, nunca foi nomeado vice-rei.

O seu substituto, ido do continente, D.José Pedro da Câmara, já não recebeu também o título de vice-rei, mas apenas o de Governador e Capitão-geral da Índia, situação que se manteria, para os seus sucessores, até ao ano de 1806

terça-feira, 14 de Abril de 2009

Acontecimentos no ano de 1773

  • Janeiro,15-Criação da Companhia Geral das Reais Pescas do Reino do Algarve.
Para fazer face a uma crise que se instalou, nas pescas, nomeadamente na região do Algarve, desde sempre conhecida como local de grandes baleeiros, o Marquês de Pombal, tentou desenvolver um plano de fomento das pescas, fundando esta Companhia, à qual foi concedido o exclusivo da pesca do atum e da corvina por um período de doze anos.

Foram tomadas algumas medidas importantes como a redução de todos os direitos do pescado a 20%, e a entrega, à Companhia, de todo o espólio das armações pertencentes à Fazenda Real o que, em si, representava significativo uma entrada grande de capital, mas em complemento, o preço do sal das marinhas de Castro Marim e Tavira descia para 900 réis o moio.

A Companhia, com sede em Lisboa, era composta por quatro membros (um dos quais residia no Algarve), eleitos pelos accionistas que detivessem, no mínimo, cinco acções. Possuía ainda três administradores, um em Lagos, um em Faro e outro em Tavira.

  • Maio,25-São mandados queimar os registos dos «Cristãos-Novos», terminando-se com a necessidade de atestados de «Limpeza de Sangue» para ocupação de cargos régios.
Com esta lei termina a diferença entre cristão-novos e velhos, tornando inválidos todos os anteriores decretos e leis que discriminavam os cristão-novos.

Passou a ser proibido usar a palavra cristão-novo, quer por escrito, quer oralmente. As penas para que usasse a expressão eram pesadas. Algumas fontes referem que Sebastião José de Carvalho e Melo tomou estas medidas a favor dos cristãos-novos ,devido ao facto de estes, sendo na sua grande maioria comerciantes, darem um grande contributo económico a Portugal

  • Março,29-O castelo de Coimbra começa a ser demolido.

Tudo mudou com a chegada da Reforma Pombalina a Coimbra, na década de 1770. Apesar de, para além de outros aspectos, esta ter sido fundamental na modernização dos espaços destinados ao ensino, construindo novos edifícios e beneficiando outros, não o acabou por ser para o seu castelo.

Quando se projectou a construção de um moderno e bem equipado observatório astronómico, segundo os moldes mais inovadores de então, foi precisamente escolhida a área ocupada pelo castelo medieval.

Adicionalmente, devido ao facto de este espaço estar rodeado por vários edifícios, convinha que fosse alto e tivesse vários pisos. Projectado, juntamente com outros, no ano de 1772, as suas obras iniciaram-se em 1773. No entanto, acabou por se revelar um completo fracasso.

Para começar, todo o custo da obra revelou-se, de facto, astronómico. Apesar dos sinais de ruína, a demolição do castelo, nomeadamente das suas robustas torres, estava-se a revelar muito demorada e difícil, para além de francamente dispendiosa.

Uma das medidas para tentar contornar este ónus, foi não demolir a parte de baixo da Torre de Menagem, de forma quadrangular, integrando-a no interior da obra. Por outro lado, descobriu-se, muito tardiamente que, afinal, a sua localização não seria a mais indicada.

O futuro Observatório Astronómico tornar-se-ia, muito provavelmente, num “elefante branco”. Desta forma, as obras foram suspensas em 1775, quando só estavam erguidas as paredes do andar térreo. Na sequência disto, optou-se por uma solução menos dispendiosa e de conclusão mais célere, que ficou localizada ao fundo do Pátio da Universidade, entre o Colégio de S. Pedro e a Biblioteca Joanina. Aí ficou o novo Observatório Astronómico, até ser demolido em 1951.

Nota retirada integralmente deste magnífico texto.

sábado, 4 de Abril de 2009

A extinção da Companhia de Jesus

Desde a expulsão da Companhia de Jesus de Portugal e dos seus territórios em 1759, que a evolução dos acontecimentos posteriores, viriam a apontar para um mesmo caminha, o banimento dos jesuítas, matéria que Portugal dentro em breve seria apenas pioneiro.

Em França na corte de Luís XV, quer grande parte dos magistrados do parlamento, quer o secretário de Estado, o duque de Choiseul eram hostis à Companhia de Jesus, também indiciados num atentado contra o rei em 1757.

Contudo a gota de água foi um processo complicado de dívidas a uma empresa marselhesa, que levou à insolvência, dos negócio jesuítas nas Antilhas. Acabando a Companhia por ser suprimida por Luís XV em Novembro de 1764, muito embora este tenha tentado protelar o mais possível a sua decisão, atendendo a que o rei tinha um confessor jesuíta, que bastante o influenciava em sentido contrário.


Em Espanha, foi um motim popular, iniciado em Madrid a 23 de Março de 1766, motivada por uma carestia de géneros de primeira necessidade, chegando o motim ao ponto de terem cercado o palácio real.

Para além das razões desse motim, o certo é que estes acontecimentos traumatizaram imenso o rei Carlos III, acabando por serem abrangidos na inculpação os jesuítas, cujo principal artífice dessa acusação, foi Pedro Campomanes, uma personagens das mais influentes de Espanha, com reflexo nos variados cargos que ocupou.

Em Abril de 1767, Carlos III acaba por assinar a ordem de expulsão da Companhia de Jesus.


Curiosamente a maioria dos bispos espanhóis, declarou-se a favor da medida, tal como boa parte da opinião pública internacional, com excepção da Áustria e dos países da Europa Central

Muito embora, os processo de expulsão dos jesuítas já tivessem acontecido em grande parte dos países europeus, nomeadamente Portugal,França, Espanha, Parma e em Nápoles o certo é que só depois da morte do papa Clemente XIII a 2 de Fevereiro 1769, que fora sempre intransigente na defesa daquela Companhia, foi possível abrirem-se portas para outras decisões.

O novo papa Clemente XIV um franciscano, foi favorável à extinção daquela Companhia a 23 de Julho de 1773, através da breve papal Dominus ac Redemptor, estava consumado o triunfo completo do marquês de Pombal

sábado, 21 de Março de 2009

A reforma da Universidade de Coímbra

A grande tarefa naqueles anos era a reforma da Universidade de Coimbra, que na perspectiva de Pombal estava uma ruina pela influência que nela tinham tido os jesuítas.

Para iniciar a sua reforma foi criada por carta régia de 23 de Dezembro de 1770 a Junta de Providência Literária, que foi constituída por várias personalidades para além do próprio marquês, que pudessem contribuir para a restruturação daquela Universidade.


Do trabalho dessa comissão saiu em Setembro de 1772, referida restruturação que a par das áreas tradicionais. Teologia, Direito Canónico, Direito Civil e Teologia, criou novas faculdades de Matemática e de Filosofia Natural,e para apoio a essas novas faculdades, institutos como o Observatório Astronómico e o Laboratório Químico.

Também o colégio das Artes foi nessa altura incorporado na Universidade de Coimbra, enquanto o Colégio dos
Jesuítas (Colégio das 11mil virgens) foi cedido ao bispado para nele se estabelecer a Sé Nova da cidade.

Todo esse projecto resultou do acompanhamento pessoal de Pombal que havia sido nomeado Plenipotenciário e Lugar-Tenente da Universidade de Coimbra, com a determinação de a inspeccionar, o que fez, permanecendo cerca de um mês em Coimbra, mandando proceder à sua total renovação, como se pode aferir por alguns dos números, referentes a alterações no corpo docente onde foram reformados compulsivamente 27 lentes e admitidos 53, entre os quais alguns estrangeiros.


Durante a permanência de Pombal em Coimbra foi também nomeado, reformador e reitor da novas universidade Francisco de Lemos, com o qual participou num conjunto de solenidades que marcaram a publicação dos novos estatutos em 29 de Setembro de 1772, que constituiu um dos momentos altos deste reinado.

Como forma de fazer face a aumento das despesas com a reforma da Universidade e do ensino em geral, Pombal criará um pouco mais tarde (Novembro) o "Subsídio Literário" que não passa de um imposto sobre o consumo de vinhos e aguardentes.

sexta-feira, 6 de Março de 2009

A reforma dos estudos menores

Foi com o Marquês de Pombal, por diploma de 6 de Novembro de 1772 5 , que surgiu a primeira legislação que determinou a abertura e a entrada em funcionamento, nas cidades e vilas do Reino, de 479escolas oficiais, incluindo 15 mestres para as Ilhas, 17 para o Brasil, 4 para África e 3 para a Ásia, entregues a professores devidamente habilitados,

No dizer do Professor Ferreira Gomes “a atribuição da “criação” do ensino primário ao Marquês de Pombal não deve ser tomada num sentido estrito, mas apenas na medida em que foi ele quem, pela primeira vez na nossa história planeou uma rede de escolas primárias públicas que, de certa maneira, faria a cobertura das principais povoações do País. O Marquês propunha-se criar as condições para que, como se lê no Preâmbulo do diploma o benefício da instrução se estendesse ao maior número de povos e de habitantes deles, que a possibilidade pudesse permitir. (...)”.


Até ao início desta reforma pombalina dos estudos menores o Estado não teve papel decisivo no ensino das primeiras letras, estando as “escolas de ler e escrever e contar” a cargo das Câmaras, da Igreja, das Congregações Religiosas e até, dos próprios pais das crianças.

Competia, em muitos casos, às câmaras a escolha e pagamento do mestre, ainda que a sua nomeação dependesse de autorização régia sempre que envolvia dinheiro de impostos cobrados pelo poder central. Por seu lado, a Igreja pretendia exercer uma inspecção sobre o ensino da Doutrina Cristã.

Como disse Áurea Adão*

Na elaboração da lei parece não ter havido influência directa de modelos de países mais adiantados, mas a experiência da história portuguesa e dos acontecimentos mais recentes.

As influências são especialmente de Luís A. Verney mas pouco se sabe de quem trabalhou no projecto. O preâmbulo da lei informa ter sido recolhido “o parecer dos homens mais doutos, e instruídos nesse género de erudições. De acordo com António Cruz,haveria contributos do lente da Universidade de Coimbra, António Dinis de Araújo, do professor António Félix Mendes e de Frei Luís de Monte Carmelo.

Nesta primeira reforma dos Estudos menores, que revestiu principalmente um carácter executivo, as concepções iluministas são escassas. Apenas se afirmava que “da cultura das Ciências depende a felicidade das Monarquias, conservando-se por meio delas a Religião, e a justiça na sua pureza, e igualdade” e que “foram sempre as mesmas Ciências o objecto mais digno do cuidado dos Senhores Reis(…) que com as suas reais providências estabeleceram, e animaram os Estudos Públicos

Créditos :
*ADÃO, Áurea (1997). Estado Absoluto e Ensino das PrimeirasLetras: As Escolas Régias (1772-1794). Lisboa, FundaçãoCalouste Gulbenkian/Serviço de Educação, 527p

terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

O regimento Diamantino (1771)

Em fins de 1771, um alvará régio, extinguiu o sistema de contratos diamantinos, e a exploração passou a ser monopolizada pela Coroa, com a criação da Real Extracção dos Diamantes, dirigida directamente pelo intendente dos diamantes.

Também no mesmo ano foi editada uma legislação específica para a região, o chamado Regimento Diamantino de 1771. Também conhecido como o Livro da Capa Verde, por ter chegado ao Distrito encadernado com uma capa de marroquim verde, foi entronizado com toda a pompa na antiga casa do contracto que sediava a Intendência dos Diamantes, que passou a ser composta por um intendente, um fiscal e três caixas, responsáveis não apenas pela administração local, mas também pela produção.

Esta legislação punha ordem numa série de bandos e instruções que em vários aspectos já vigoravam para a região e mesmo para o restante da Capitania. Apesar de grande parte da historiografia perpetuar a memória, que este foi um momento a típico e despótico, as autoridades diamantinas, na verdade, encontraram enormes dificuldades de submeter a produção e a vida local aos estreitos limites impostos pela legislação.

Análise da produção diamantífera revela o crescimento da produção no período do monopólio régio, o que trouxe prosperidade para a população que alugava seus escravos à Intendência a juros de12% ao ano, garantindo rendosos lucros aos proprietários.

Os diamantes eram enviados anualmente para o Reino sendo escoltado pela guarda diamantina e pelo regimento dos dragões até o porto do Rio de Janeiro.

Como a Coroa enviava apenas anualmente o montante em moedas necessário ao financiamento dos altos custos de extracção, principalmente no referente ao aluguel dos escravos que atingiam a cifra anual de 5.000, foi concedida à Real Extracção o privilégio de emitir bilhetes em papel referente às dívidas contraídas durante o ano

Créditos : O Distrito diamantino de Júnia Ferreira Furtado

sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

A Real Mesa Censória e o ensino



Luis António Verney uma das figuras portuguesas mais importantes do iluminismo, filho de pai francês e de mãe portuguesa, estudou no Colégio de Santo Antão e na reformadora Congregação do Oratório até se formar em Teologia na Universidade de Évora.

Em Roma, para onde fora em demanda de saber, alcançou o doutoramento em Teologia e Jurisprudência.

O mais conhecido e activo estrangeirado português, colheu fora de Portugal os pensamentos de renovação que iluminavam a Europa.


A pedido do rei D. João V, Verney iniciara a sua colaboração com o processo de Reforma pedagógica de Portugal, contribuindo inquestionavelmente para uma aproximação profícua com os ventos do progresso cultural que animavam os espíritos iluministas dos europeus mais progressistas.

A reforma que Pombal introduz, no ensino, teria forçosamente por passar pela afastamento de Verney, passando o ensino em Portugal a depender a partir do ano de 1771 da Real Mesa Censória, que fora por si criada por alvará régio, em abril de 1768, no âmbito do conjunto de medidas tomadas para cercear os privilégios e a influência da Igreja nas atividades da vida política e cultural do país, das quais fazem parte igualmente as reformas da instrução pública.


A essa instituição cabiam, entre outras atribuições, a Jurisdição privativa e exclusiva, em tudo o que pertence ao exame, "
aprovação e reprovação dos Livros, e Papéis, que já se acham introduzidos nestes Reinos, e seus domínios ou que neles pretendessem entrar, bem como o poder de conceder licenças de comercialização, impressão, reimpressão e encadernação de livros e papéis volantes, além da capacidade de autorizar a posse e a leitura de livros proibidos em Portugal e o encargo da reforma do índice expurgatório dos livros "

domingo, 1 de Fevereiro de 2009

A Real Fábrica da Cordoaria



A Cordoaria Nacional, foi fundado em 1771, por iniciativa de Marquês de Pombal.

Começou por ser chamado de Real Fábrica da Cordoaria e, tal como o nome indica, destinava-se ao fabrico de velas e cordas — mais correctamente designadas por cabos, em linguagem náutica — para os navios de guerra portugueses, numa época em que as nossas fragatas e corvetas viviam tempos áureos.

Mais tarde, viria a ser apelidado de Fábrica Nacional de Cordoaria e a ampliar as suas funções à produção de panos crus, cobertores, mantas, passadeiras, bandeiras, fardamentos, roupas de aquartelamento e outros artigos de costura e limpeza para abastecimento da Marinha de Guerra e suas Estações Navais.

Nos seus primeiros tempos de existência, o edifício pousava sob um vasto areal banhado pelo Tejo, conhecido como Praia da Junqueira, onde terá funcionado um cais, utilizado para o desembarque de matérias primas e embarque de produtos concebidos nas instalações da Fábrica.

No seu amplo e espaçoso pátio interior, sucediam-se as oficinas de tecelagem, tinturaria, fiação e cordame a laborar intensamente com maquinismos movidos manualmente por mão-de-obra angariada de forma curiosa.


Consta que para este serviço eram admitidos presos, inválidos de guerra, mulheres que se dedicavam à prostituição — e, por isso eram capturadas pela polícia em locais da cidade onde a sua permanência estava proibida —, bem como órfãos e menores vadios, que na Fábrica tinham a oportunidade de aprender um ofício para se tornarem, quando homens, cidadãos úteis à sociedade.


Ao que parece, todos eles viviam, em regime de internato, dentro do estabelecimento, onde para esse fim terão sido criadas instalações adequadas ao seu alojamento. Assim, uma parte significativa do edifício terá sido ocupada por organismos tão diversos como o Recolhimento de Santa Maria da Cordona (casa de correcção destinada às meretrizes), o Colégio de São Pedro e o Asilo da Infância Desvalida (para órfãos e reclusos menores), a Divisão de Reformados da Armada e o Quartel das Tropas do Ultramar, onde eram alojados os militares a enviar para o Ultramar e aqueles que dele regressavam, os quais lá iam dando uma ajuda na laboração das oficinas, antes de seguirem os seus próprios destinos.


No decorrer dos tempos, foram ainda instalados no edifício outros organismos, aparentemente estranhos aos fins para que o mesmo foi fundado. É o caso do Hospital Colonial, da Escola de Medicina Tropical, de uma lavandaria ligada às lides da pesca e de uma creche para os filhos dos pescadores.


Durante mais de 200 anos de laboração, a Fábrica foi alvo de violentos incêndios.Passou por grandes períodos de prosperidade, mas também enfrentou alguns problemas de viabilização económica, que aliás levaram à sua extinção definitiva em Outubro de 1992.

Hoje, o edifício pombalino da Rua da Junqueira tem uma utilização bem diferente da original. Gerido pelo Museu da Marinha e usando a designação abreviada de Cordoaria Nacional, está aberto ao acolhimento de iniciativas culturais, eventos sociais e, sobretudo, à realização de exposições de vária ordem.


É um edifício notável, que dificilmente passará despercebido ao visitante que se disponha a passear pela zona ribeirinha de Lisboa. Encontra-se na Rua da Junqueira em Lisboa e estende-se paralelo ao Tejo, com as suas inúmeras portas e janelas viradas ao rio.


Tem mais de 390 metros de comprimento e possui um só piso, ladeado por dois torreões, nas alas nascente e poente. Apresenta um estilo arquitectónico discreto e desprovido de faustosos ornamentos, mas a sua fachada pintada de amarelo vivo e rodeada de verdejantes relvados transmite-lhe um ar atractivo e cuidado, não deixando antever os seus mais de dois séculos de antiguidade.

sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

O incremento industrial (1770)

+-Industria das sedas

O ano de 1770 , começou um período de ouro para a indústria em Portugal, principalmente de algumas manufacturas como a da seda, quer no que aos aumentos de produção diziam respeito quer ao seu aproveitamento e à introdução de algumas técnicas, que anteriormente se não faziam.

Até este ano, nunca as encomendas de sedas cruas para a laboração da real fábrica, tinham excedido os 16.000 arrateis por ano, mas em cerca de 4 anos triplicou.

Bem avisado andou Pombal ,quando em 1770, por aviso expedido ao Conselheiro Joaquim Inácio da Cruz, encarregou a direcção Geral da Rela Fábrica das sedas de promover eficazmente o adiantamento da plantação das amoreiras e a criação dos bichos da seda na província da Estremadura.

Embora Pombal tenha referido neste aviso apenas a província da Estremadura, o certo é que, mandou incrementar essa plantação, em muitos outros pontos do país, como por exemplo a plantação na quinta, pertencente à casa de Alorna em Almeirim, que tomou de arrendamento.


*-Fábrica de chapéus

Até ao ano de 1767, não havia qualquer aproveitamento útil, às peles de coelho e de lebre, que até essa altura se deitavam aos cães. Após esse ano com a fundação das fábricas de chapéus,passou-se a aproveitar esses resíduos animais. A proibição de não inutilização dessas peles, estendeu-se naturalmente às ilhas adjacentes.

Os fundo para o lançamento dessa industria deveu-se a Jacome Ratton que disponibilizou os fundos para o fabricante francês Baptista Alexis, se ter estabelecido em Elvas.

No Porto apareceu outra sob a direcção de Luiz Fournol e ainda outra em Abrantes pela mão de Gabriel Milliet também francês.

De tal modo que em 1770 já se fabricavam no país, chapéus suficientes para o consumo no reino e nas colónias, mas mesmo assim Pombal em Dezembro de 1770 para assegurar o êxito dessa indústria, proibiu importação desses artigos.


segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

O reatar da relações com a Santa Sé

A morte de Clemente XIII a 2 de Fevereiro de 1769, intransigente defensor dos jesuítas, abriu a porta para reconciliação entre a coroa portuguesa e a Santa Sé, cuja ruptura durava quase há 10 anos.

A 19 de Maio, o conclave acabou por aclamar Lorenzo Gangaganelli como papa Clemente XIV após um prolongado conclave de três meses com 179 escrutínios. O mais longo da história. Gangaganelli era um franciscano e para alguns autores fora eleito “para suprimir a Companhia de Jesus”, sendo certo, porém, que era bem visto pelos governos adversos aos Jesuítas, entre os quais naturalmente o português.

A 20 de Junho de 1769 D.José I recebe uma carta de Clemente XIV, provavelmente um convite explícito ao encetar do diálogo há muito interrompido, de tal forma que em Agosto desse mesmo ano Clemente XIV recebe em Roma ainda que secretamente Francisco de Almada de Mendonça enviado de D.José I. De igual modo as relações pessoais com Pombal, também se regularizam, quer através duma carta que Clemente XIV, pelo seu próprio punho lhe enviou, quer o facto de em Novembro de 1769, o papa Clemente XIV escrever a Francisco de Almada de Mendonça, então já embaixador de Portugal junto da Santa Sé, enviando-lhe um retrato seu, para ser dado ao Marquês de Pombal.

Depois deste preliminares, estavam reunidas as condições, para a normalização das relações entre Portugal e a cúria romana e em Janeiro de 1770, Clemente XIV nomeia o arcebispo de Tiro, D. Inocêncio Conti, Núncio Apostólico em Lisboa, terminando assim o conflito que se arrastava desde 1760.

Depois da tempestade vem a bonança, ocorrendo durante todo o ano de 1760 um série de acontecimentos que demonstraram quanto a proximidade e os "afectos" estavam de novo no bom caminho a começar pela própria elevação do irmão do Marquês de Pombal a cardeal.

Realmente Paulo de Carvalho e Mendonça foi nomeado cardeal nesse mesmo mês de Janeiro, porém já um pouco tarde pois o "novo" cardeal morreria ao 68 anos, antes da notícia ter chegado a Lisboa.

As novas dioceses de Beja e Castelo Branco, e os bispados de Penafiel, Miranda do Douro e Pinhel, são criados ainda neste ano e em Julho o rei D.José recebe, em audiência o novo núncio apostólico.

De acordo com a visão política portuguesa, falta ainda uma coisa importante a eliminação total da Companhia de Jesus e em cujo banimento tínhamos sido pioneiros na europa. Mau grado as pretensões da família Bourbon, casas reinantes em Espanha, França, Nápoles e Parma, ainda não tinha sido possível obter a assinatura de Clemente XIV, para o efeito.

No fim do ano de 1770, numa festa carregada de simbolísmo, o Núncio Apostólico, dá um grande banquete por ocasião do aniversário da princesa da Beira, a futura rainha D. Maria I. Formalmente, o início do conflito diplomático com a Santa Sé tinha por motivo a falta da realização de festejos por parte da Nunciatura no dia do casamento da Princesa, a 6 de Julho de 1760.

quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

A perda de Mazagão




Entre 1672 e 1727 Marrocos viveu um período de estabilidade política correspondente ao reinado do sultão Mulei Ismail.

São conhecidas as suas tentativas de constituir uma aliança de amizade e comércio com a França de Luís XIV, goradas devido à arrogância deste último, aproveitadas pelos holandeses e, sobretudo, pelos ingleses que, paulatinamente, ganharam um lugar de destaque no comércio com o Norte de África.

Com Portugal não havia acordo possível porque a sua presença em Mazagão constituía motivo para uma exaltação à guerra santa. Num assunto destes, nenhum sultão arriscaria fosse o que fosse, sob pena de ver, imediatamente, o seu poder contestado e alvo de agitações públicas de toda a ordem. Aliás, muitas das alterações políticas marroquinas já tinham ocorrido debaixo desta égide de guerra contra os cristãos invasores. Mas o problema da persistência do conflito era mais grave para os portugueses do que para os marroquinos, porque eram os portugueses que precisavam da paz no mar, vendo-se obrigados a um esforço muito grande para garantir a segurança da navegação.

Esta é uma ideia cada vez mais clara para o governo português, e o passo decisivo seria dado no reinado de D. José, sob os auspícios do Marquês de Pombal. Em Março de 1769, Mazagão está a sofrer um cerco violento , com a agravante de que a guarnição da cidade está muito reduzida e é difícil obter as forças necessárias ao seu reforço.

Há uma esquadra que chega de Lisboa, mas, em vez do socorro que tinha sido pedido, trazia uma ordem para fazer a paz e retirar definitivamente. A 8 de Março foi feito o acordo com os sitiantes e a 11 toda a gente estava embarcada.

Diz-nos a História de Mazagão (Augusto Ferreira do Amaral) que “antes de partirem, destruíram as pedras sacras das igrejas, encravaram as peças de artilharia mataram os cavalos e mais gado e minaram todos os baluartes. Apenas trouxeram as imagens e os livros da vedoria e dos assentamentos. Soube-se depois que o rebentamento da pólvora dos baluartes veio a provocar a morte de milhares de mouros, que festivamente entravam na praça”.

Apesar de tudo isto, em 18 de Julho D. José propõe ao sultão Sidi Mohammed uma trégua cujo objectivo era a negociação de um futuro tratado de amizade, que foi aceite por carta remetida a Portugal em 5 de Setembro do mesmo ano. Nessa mesma carta se confirma a trégua e se diz que foi dada ordem aos corsários marroquinos “para que respeitem o pavilhão português, olhando-o como amigo”. Digamos que o problema do corso de Marrocos estava resolvido, com enormes benefícios para Portugal.

Naquele local cresceu a cidade que foi chamada no século XIX de Al Jadida (a nova), e a velha fortaleza de Mazagão ali ficou como testemunho de uma permanência que durara 255 anos e que agora foi declarada Património da Humanidade.

Créditos. A revista da Armada

sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Acontecimentos no ano de 1769(I)

*-A inauguração da Real Fábrica de Vidros na Marinha Grande

Na Marinha Grande já existia desde 1748 uma fábrica de vidro, fundada pelo irlandês John Beare que tinha transferido a sua fábrica em Coina, para a Marinha Grande, de forma a ficar próximo do pinhal de Leiria, para o aproveitamento das madeiras. Porém, por razões de má administração a fábrica acabaria por fechar 6 anos mais tarde.

Entretanto perto de Lisboa, em Alcântara, um inglês chamado Guilherme Stephens, possuidor de grande iniciativa, explorava, alguns fornos de cal, utilizando carvão de pedra, que mandava vir de Inglaterra, livre de direitos.

Ccom a ajuda de Carvalho e Melo, que ao conceder-lhe um empréstimo no valor de 32.000 000 réis sem juros,e a utilização gratuita da lenha do Pinhal do Rei, durante 15 anos, privilégio que se tornou depois permanente, segundo alvará de 7-VII-1769, foi uma preciosa ajuda, para o êxito que essa fábrica viria a ter.

Funda a Real Fábrica de Vidros, nas instalações da que havia sido edificadas por Beare

Os primeiros estudos para a fundação da fábrica por Guilherme Stephens foram em Vieira de Leiria, no entanto, a população vieirense opôs-se e o inglês resolveu fundá-la na Marinha Grande, no lugar da anterior fábrica. O início da laboração deu-se em 16 de Outubro de 1769, produzindo vidraça e, dois anos mais tarde, cristal.

Guilherme Stephens foi um verdadeiro "pai" dos seus trabalhadores, preocupando-se, sobretudo, com a sua educação. Recrutou mestres para lhes ensinarem as primeiras letras e para lhes darem aulas de desenho e de música.

Construiu-lhes também o teatro Stephens, onde estes representaram uma peça de Voltaire em francês!!! Tudo com o objectivo de lhes incutir um "modelo de bons costumes, de disciplina e de solidariedade"

Stephens mandou vir de Inglaterra mestres especializados na indústria do vidro, contratou cinco especialistas genoveses transformando a pequena fábrica de John Beare numa das primeiras fábricas de vidro da Europa do seu tempo.

*-A lei da Boa Razão

É o mais importante documento legislativo da era pombalina, é o texto legal que caracteriza as ideias do Marquês de Pombal, em relação à posição do Estado em face da aplicação do Direito.

Derrogando grande parte do velho direito português. Deixa de ter fundamento o direito consuetudinário, (Manda que a observação dos costumes, definindo como condição de validade, tenham mais de cem anos) acaba com a relevância do direito canónico e do direito romano nos tribunais civis, confirmando o Rei (leia-se Pombal) como fonte interpretativa mais graduada

A Lei cuida do processo judicial e previa penas a advogados que se valessem de interpretações maldosas e enganosas, nos processos judiciais, entre outras coisas.

*-Elevação a Marquês de Pombal de Sebastião José de Carvalho e Melo conde de Oeiras

Descendente de uma família nobre, era filho de Manuel de Carvalho e Ataíde e de D. Teresa Luísa de Mendonça. Seu pai, que fora capitão-tenente de Mar e Guerra, serviu no exercito e foi sargento - mor de regimento de cavalaria da corte.

Porquê então o título de Marquês de Pomba ? Muito embora tenha nascido em Lisboa a 13 de Maio de de 1699. Tudo leva a crer que por volta de 1724, tenha abandonado a casa paterna, na Rua Formos, para ir para a região de Soure e possivelmente, para a Quinta da Gramela, localizada junto a Pombal, uma vez que a Quinta pertencia ao seu tio paterno, arcipreste Paulo de Carvalho e Ataíde, de quem a acaba por herdar e onde tinha fundado, em Janeiro deste ano, uma fábrica de chapéus finos, que funcionava também como escola profissional.

Agustina Bessa-Luís na biografia que lhe dedicou, assegura que o Marquês de Pombal era natural de Soure e que teria nascido no Casconho.

De qualquer forma explica-se a razão de ser do título, pela sua ligação a essas terras de Pombal e Soure

A sua nomeação, como 1º Marquês de Pombal, aconteceu em 18 de Setembro de 1769.




terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Acontecimentos no ano de 1768

* A Criação da Real Mesa Censória

A Real Mesa censória criada a 5 de Abril de 1768, por ordem do Marquês de Pombal, tinha em vista retirar a esfera da Inquisição, os poderes de exame prévio e de censura dos livros, passando a aglutinar, os orgãos de censura existentes o Santo Ofício e Desembargo do Paço, constando nas suas atribuições o exame de livros e os papéis em circulação também entre Portugal e suas colónias.

No seguimento do Beneplácito Régio, reafirma-se o direito da "soberania temporal" à proibição de determinados "livros e papéis perniciosos", agora numa perspectiva de defesa política.

O facto porém é que foram proibidos documentos emanados pela Santa Sé, como a célebre Bula da Ceia (In coena Domini) na 5.ª feira Santa, na qual se afirmava a soberania universal do pontífice, colocando num plano inferior o poder civil das nações cristãs e que Clemente XIII havia assinado em 31 de Março anterior.

As relações com a Santa Sé, continuavam tensas, desde a expulsão dos jesuítas e não era por certo, com mais este afrontamento de Carvalho e Melo, que iriam melhorar.

As novas ideias circulavam pela Europa, antagonizando os princípios da Igreja de Roma. Essa obras eram porém lidas pelas gente mais próxima das coisas da cultura, nomeadamente entre os professores e estudantes da Universidade de Coimbra, o que fez com que, em Novembro do mesmo ano, o bispo de Coimbra, D. Miguel da Anunciação, tenha expedido uma pastoral em que listava os livros que não se deviam ler.T

Tentando usurpar o que fora estabelecido, que competia, conforme o regimento da Real Mesa Censória, a organização dum índice geral de todos os livros proibidos. Como viria aliás a acontecer, tendo aquele organismo determinado, por decreto, serem queimados publicamente a Carta Apologética do Padre António Vieira e a obra Vida do Sapateiro Santo, bem como a proibição de publicação e divulgação, das profecias do Bandarra.

O Tribunal do Desembargo do Paço, após consulta régia, (leia-se a Pombal) condena o bispo de Coimbra, pelo crime de lesa-majestade, após ter notificado o cabido da Sé de Coimbra.

* A Criação da Impressão Régia e a Junta de Providência literária

Em 24 de Dezembro são criadas a Impressão Régia, a futura Imprensa Nacional, e a Junta de Providência Literária, que viria a preparar a reforma da Universidade, indispensável à modernização que o Marquês de Pombal queria empreender para o país já que o ensino, até aí na mão da Igreja, não tinha sido agraciado pelos ventos do iluminismo que varriam o obscurantismo medieval no resto da Europa.

Na Impressão Régia também chamada de Régia Oficina Tipográfica, viria a imprimir-se depois de 1770, masi de 300 títulos por ano. Tratou-se dum esforço considerável, não só definidora duma "nova linha editorial" como opções assumidas em matéria de reforma na educação.

Quanto à Junta de Providência literária, cujo objectivo era o de examinar "com toda a exactidão": as causas da "decadência, e ruina" a que tinham chegado os estudos universitários, "ponderando os remedios" convenientes "e apontando os Cursos scientíficos, e os methodos [...] para a fundação dos bons, e depurados Estudos das Artes, e Sciencias", conforme se lê no respectivo diploma de estabelecimento.

Foram sete os componentes da Junta de Providência Literária, todos escolhidos por Pombal, como é óbvio, entre personalidades da sua maior confiança, visceralmente anti jesuítas e zelosos cumpridores das regras de orientação que deveriam receber para o desempenho do seu cargo. As reuniões da Junta efectuavam-se semanalmente, em casa do próprio marquês ou então do Cardeal da Cunha, que presidiam.
(
Segundo nota do Prof.Romulo de Carvalho publicada aqui)

segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Inauguração da Fábrica de Louça do Rato(1767)

A ideia da fundação da Real Fábrica de Louça, ao Rato, no local onde hoje existe um restaurante com o nome de Real Fábrica, passando a ser o principal centro de produção do País e formador dos técnicos que iriam depois passar, para outros locais para fundar novas fábricas.

Este foi o conceito que comandou na criação deste Fábrica escola, a difusão desse saber por todo o país, disseminando modelos, formas e decorações, através desses técnicos ali formados.

Atente-se nesta nota retirada dum livro que se publicou cerca de 60 anos mais tarde

Para fazermos uma alguma ideia da louça, que antigamente se fabricava em Portugal, veja-se que ainda hoje sai ds nossa olarias e de-se-lhe o desconto do muito que elas se tem aperfeiçoado, depois que temos algumas fábricas dessa manufactura de melhor qualidade, as quais nunca entre nós passarão da mediocridade e assim mesmo tem origem italiana.

A primeira destas fábricas foi a que se estabeleceu por conta do Estado e se anexou à das sedas no local, onde ainda existe junto à casa da água, no sítio do Rato, sendo o seu primeiro mestre Thomaz Brunetto, natural de Turim, com o qual se ajustarão condições em 1 de Agosto de 1767 e foi nomeado para contramestre outro italiano chamado José Veroli.
este mesmo Veroli foi depois estabelecer outra fábrica por sua conta em Belas, que não fez grandes progressos.
Nunca se aperfeiçoou esta manufactura, não passando de louça vermelha e duma faiança ordinária, que é o que se fazia na fábrica do Rato, mas não deixou de ser um estabelecimento importante pela novidade e pelo grande consumo desta louça.

(Extraído do livro Noções históricas, económicas e administrativas sobre a produção e manufactura das sedas em Portugal e particularmente sobre a Real Fábrica do suburbio do Rato e sua annexas da autoria de José Acúrsio das Neves publicado em 1827)

Nesta fábrica mau grado a opinião menos favorável de Acúrsio das Neves, produziram-se peças sumptuárias de altíssima qualidade, inspirada na ourivesaria ou em modelos escultórios, algumas das quais encomendadas pelo próprio Marquês de Pombal, grande impulsionador desta unidade fabril.

Numa segunda fase ela manteve a produção de louça qualificada, maioritariamente de pintura a azul e iniciou a fabricação de azulejos.

quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Acontecimentos no ano de 1766

*-Abertura solene do real Colégio dos Nobres(1766)

Por iniciativa do ainda conde de Oeiras, (começa a acentuar-se o princípio de que nada se faz no Reino, sem ser por sua "iniciativa"), foi criado o Real Colégio dos Nobres tendo sendo escolhido para a sua instalação o antigo. edifício do noviciado da Companhia de Jesus, do sítio da Cotovia, que ficara vago pela extinção daquela ordem religiosa. Para além do edifício, a nova instituição recebeu os móveis e a rica livraria do noviciado.

Este complexo, na Rua da Escola Politécnica, pertence nos nossos dias à Universidade de Lisboa e nele estão instalados o Museu de Ciência e Jardim Botânico.

O numero dos colegiais admitidos era de 100, mas para a sua admissão deviam, primeiramente, qualificar-se com o foro de moço fidalgo, pelo menos, sendo preferidos, nos casos de concurso, os que houvessem tido exercício do dito foro; era também requisito indispensável saber ler e escrever, e não ter menos de 7 anos de idade, nem mais de 13.

Cada colegial pagava de pensão anualmente 120$000 reis, em duas prestações adiantadas, no princípio de cada semestre.

No dia 1.º de Outubro deviam apresentar-se no Colégio dos Nobres todos os estudantes para assistirem à abertura das aulas, à matricula, à distribuição dos lugares de cada uma das câmaras de aposentadoria, e à nomeação dos vice-perfeitos, familiares e dos mais assistentes.

Os principais lugares do Colégio dos Nobres, segundo os estatutos, eram: reitor, vice-reitor e perfeito dos estudos. O reitor (pessoa de letras, virtudes e circunspecção), na frase dos Estatutos), era encarregado do governo do colégio, e tinha residência no mesmo edifício.

Por alvará de 27 de Setembro de 1765 foi concedida Carta de Conselho aos reitores do Colégio dos Nobres e pela carta de lei de 13 de Outubro do mesmo ano foi concedido ao Colégio dos Nobres o exclusivo da impressão dos livros de Euclides, Arquimedes e de outros clássicos das ciências.

Este privilégio foi, contudo, transferido para a Universidade de Coimbra por alvará de 16 de Dezembro de 1773. Posteriormente os reitores passaram a gozar do privilégio de admissão ao beija-mão real.

*-Assinatura de um alvará que determina a forma de proceder aos aforamentos dos baldios concelhios.

O problema da regulação dos baldios pelo poder central, proporcionou milhares de petições populares dirigidas aos tribunais do reino.

Os moradores das comunidades rurais que desejavam procederà individualização dos terrenos de matos e pastagens dirigiam, porintermédio da câmara do concelho a que pertenciam, uma petição àquele tribunal.

Desenrolando-se um processo, por vezes demorados e conflituoso, apresentavam normalmente como contentores os moradores de cada comunidade, facções que opunham os lavradores mais abastados aos mais pobres, isto é, os que desejavam a partilha do monte, aos que queriam que o monte permanecesse comum como até aí.

A inovação pretendia o incremento da agricultura, tema então em voga entre as camadas letradas e os mais pobres das aldeias que evocavam a tradição."o montesempre tinha sido usufruído em comum, desde tempos imemoriais e assim deveria continuar.

Texto extraído do texto de João Antunes Estevão, publicado na Revista de Guimarães nº 106 de 1999

quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

A regulação da produção vinícola(1765)

A personalidade ditatorial de Sebastião de Carvalho e Melo e a controvérsia sobre a justeza de algumas das suas medidas, chegam até aos nossos dias. Essa firmeza de carácter, não se cingia apenas aos aspectos políticos ou religiosos, ás tentativas de manipulação quer a favor da coroa inglesas, quer da coroa francesa, que circulavam pela corte, estendia-se igualmente aos princípios que defendia para a economia portuguesas

Portugal havia assinado em 1703 com a Inglaterra o Tratado de Methwen, para regulamentar as trocas comerciais entre os dois países e que veio incrementar a exportação de vinho,

Em consequência da fama que este vinho tinha adquirido, verificou-se um aumento da sua procura por parte de outros países da Europa, para além da Inglaterra, importador tradicional. As altas cotações que o Vinho do Porto atingiu fizeram com que os produtores se preocupassem mais com a quantidade do que com a qualidade dos vinhos exportados, o que esteve na origem de uma grave crise.

Para pôr fim a esta crise, o Marquês de Pombal criou, por alvará régio de 10 de Setembro de 1756, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, com o fim de disciplinar a produção e o comércio dos vinhos da região, prevendo ainda a necessidade de se fazer, urgentemente, a demarcação da região, o que veio a concretizar-se.

Alvarás de 1765 e 1767 emanados pelo Marquês de Pombal ordenavam o arranque de vinhas de forma violenta, não poupando sequer a colheita do ano que estava em curso, por razões que se prendiam com a defesa da indústria vinícola.

Na realidade era excessiva o cultivo da vinha em Portugal, produzia-se vinha a mais e pão a menos, sabendo-se a conhecedora resistência portuguesa à mudança, não admira que o uso da força tenha sido o recurso final. Mandou arrancar as videiras nos campos do Mondego, do Vouga, do Tejo, da Anadia, Torres Vedras e muitas outras regiões.

Calcule-se a inimizade que as ruínas e a miséria que semeou na agricultura, geraram, mas acrescente-se que as suas em Oeiras, foram poupadas.

domingo, 26 de Outubro de 2008

O beneplácito régio versus breve de Clemente XIII

Independentemente doutras razões económicas, a questão do antagonismo que se desenvolve neste século XVIII contra os jesuítas, é também uma questão política e ideológica, entre a difusão das ideias iluministas e o combate que a Companhia de Jesus fazia contra essas ideias.

Curiosamente a luta agudiza-se nos reinos católicos e governados por Bourbons (no caso português só a Rainha pertencia a essa família), iniciando-se um período caracterizado por um anticlericalismo, centrado contra aquela companhia, que Portugal abertamente iniciara coma expulsão dos jesuítas em 1758

As pressões contra os Jesuítas multiplicaram-se junto ao Papa Clemente XIII, mas este, enérgico, resistiu tenazmente e publicou em sua defesa, acusados de crimes em Portugal, França e Espanha, publicando a breve Apostolicum Pascendi elogiando os serviços, virtudes e utilidade da Companhia de Jesus e confirmando a sua instituição.

Praticamente todo o seu pontificado foi ocupado pela questão da abolição da Companhia de Jesus, requerida por muitos países. e por essas posições de defesa os governantes cristãos da Europa, chegaram a exigir a sua renúncia, ameaçando fundar suas próprias igrejas.

Pressionado por este enorme conflito, convocou uma congregação cardinalícia para discutir a questão, mas morreu misteriosa e repentinamente.

Essa breve, publicada em Janeiro de 1765, conduz a que logo em Março o procurador da Coroa, José Seabra da Silva, pede para que o breve de Clemente XIII, de defesa dos jesuítas, seja considerado nulo e ofensivo e impedida de circular em Portugal e por meio de um édito, ordena-se que fossem entregues ao tribunal da Inconfidência todos os exemplares desse breve de Clemente XIII de defesa dos jesuítas.

A argumentação de José Seabra da Silva, passava pela restabelecimento do beneplácito régio, ou seja, a prerrogativa do rei de Portugal ratificar todas as directivas papais, antes das mesmas terem valimento.





quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Notas sobre a Igreja da Memória

(Comentário de Bartolomeu, que passo a nota, agradecendo a colaboração )


Relativamente à Igreja da Memória, gostaria de chamar a sua atenção para a planta arquitectónica, para o facto de, vista de cima, apresentar algumas curiosidades, tais como a forma de cruz, assim como a sua cúpula central, apresentar a forma da rosa de 7 pétalas, símbulo dos Rosa-crucianos, a cuja sociedade secreta, consta que o Marquês pertencia. De resto, abundam pelo edifício outros símbulos maçónicos. Toda a relação de grandeza na construção do edifício assenta na relação aritmética da regra de phi, ou Lei Dourada, cuja relação será de 1,618 vezes maior que o seu antecessor e 1,618 menor que o seu sucessor.

terça-feira, 14 de Outubro de 2008

A criação do Passeio Público(1764)


A ideia da criação dum Passeio Público estilo paisagista tido como modelo pelas realizações parisienses, era considerado, então, como o paradigma da modernidade na arte dos jardins urbanos.

Foi desenhado por Reinaldo Manuel, dos Santos arquitecto da cidade, sobre as então chamadas Hortas da Cera, terras húmidas e alagadiças, que foram elevadas, deitando-se para lá os entulhos do Terramoto, e plantados os primeiros freixos, oferta de Jacomo Ratton, (que os mandou vir da sua quinta de Barroca d Alva). um jovem francês empreendedor, que se estabelecera em Portugal e cuja primeira coisa que projectou foi, neste mesmo ano de 1764, uma fábrica de chitas.

Este projecto que haveria de continuar a desenvolver-se até 1771, enquadrava-se no plano de reedificação da Baixa, o Passeio Público devia contribuir para o ordenamento do espaço público, para a ‘formosura’ da cidade e para o saneamento da mesma.

Permitiria também o encontro das classes sociais num espaço arborizado, especialmente concebido para o efeito, e a sua mútua e progressiva aceitação.

Em 1859 o vereador Júlio Máximo Pimentel sugere na Câmara a abertura de uma avenida larga que ligasse o Passeio Público do Rossio a São Sebastião da Pedreira. A 24 de Agosto de 1879 inauguram-se os trabalhos para abertura da avenida a partir do plano do arquitecto Domingos Parente.

Pondo-se assim fim ao Passeio Público, atendendo a que eeste projecto viria a permitir a abertura da cidade para Norte

Com a avenida ainda por concluir, a 25 de Maio de 1886, foi realizado o baptismo oficial com um desfile militar, integrado no programa de festas do casamento de D. Carlos, ainda príncipe, com a princesa Dona Maria Amélia de Orleans

quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Sua alteza o conde de Lippe

Acabada a guerra com a assinatura da Paz de Fontainebleau, o Conde de Lippe continuou a tentar organizar o exército português que lhe fora confiado, pelo que em 1764, realizou uma viagem de inspecção às regiões fronteiriças, mandando reparar as fortificações existentes e ordenando a construção de algumas novas.

A situação militar, não era segura para Portugal, em particular por serem marcadas pela situação na América do Sul, atendendo a que a situação se mantinha tensa nos territórios a sul do Brasil.

Não era portanto altura para desguarnecer os defesas militares o que foi enfrentado e compreendido pelo conde de Oeiras, tanto na frente militar como na diplomática, atendendo à necessidade política de aproximação à França, porque a situação na América do Norte, também propiciava desequilíbrios políticos na Península Ibérica, por força da sempre presente velha aliança luso-britânica.

Continuou a lutar pelo melhoramento do Exército Português, mas o governo do Marquês de Pombal ignorou-o. Nesse mesmo ano regressa ao seu país, não devendo ter recebido o ordenado que fora fixado em 3 000 libras anuais.

Regressa três anos depois e volta a percorrer o país certificando-se do efeito das suas reformas; durante a sua estadia realizaram-se grandes manobras de conjunto de 20 regimentos.

Recebe então como presente de agradecimento de D. José I um par de canhões miniatura em bronze dourado, um dos quais se encontra actualmente em exposição no castelo de Schaumburg, em Bükeburg.

O reconhecimento que é dado ao conde de Lippe, como comandante-chefe com o título de marechal-general do exército português, com direito ao tratamento de Alteza, apenas reservado aos membros da família real, por alvará de 25 de Janeiro de 1763.

Em 1764 regressa à sua terra embora se tenha mantido como marechal do exército português até à sua morte em 1777

Vinte anos após a sua morte, o governo português comprou os seus manuscritos referentes à defesa de Portugal; todos, ou a maior parte, foram levados para o Brasil com a invasão francesa em 1807.

Em sua homenagem, entre outros foi dado o seu nome ao Forte de Lippe em Elvas e a um dos mais notáveis regimentos do Exército Português, o actual Regimento de Infantaria n.º 1.

sábado, 12 de Julho de 2008

Acontecimentos no ano de 1763

**Tratado de Paris-fim da Guerra dos 7 anos

Muito embora os acordos de Fontainbleu tenham sido assinados em Novembro de 1762, o tratado de paz só foi assinado em Paris a 3 de Fevereiro do ano seguinte.

Do tratado de Paz, resultou que a Espanha recuperou Havana em Cuba e Manila nas Filipinas, mas teve que deixar aos ingleses, na posse da Florida. A França perdeu territórios em África e o Canadá e a Luisiana na América.

Quanto a Portugal, ficou tudo na mesma, como antes do início da guerra, a Espanha devolveu todas as praças que tinha tomado no Continente, enquanto no sul do Brasil, Portugal volta a recuperar a colónia de Sacramento, que em 1762 o governador de Buenos Aires, Pedro Ceballos, havia tomado.

O balanço final deste aspecto da Guerra dos 7 anos, que mais directamente nos diz respeito, foi o de demonstrar o ineficácia defensiva do exército português, que a inabilidade do ataque inimigo, contribuiu para que o descalabro não fosse maior, muito embora a habilidade táctica de Lippe, também tenha que se realçar.

**Transferência da Capital do Brasil de São Salvador para o Rio de Janeiro

A transferência da capital para o Rio de Janeiro, decorreu da necessidade de organizar as defesas do Sul em virtude da Guerra dos Sete Anos

A escolha do Rio de Janeiro foi o resultado de um processo que já vinha sendo delineando a alguns anos como consequência das transformações que vinham ocorrendo na cidade, onde se encontravam localizadas as principais forças militares,ao mesmo tempo que a cidade passou a concentrar as maiores riquezas da Colónia, o ouro e os diamantes de Minas Gerais.

O Rio de Janeiro era então governado por Gomes Freire de Andrade, seu último Governador, que veio a falecer em Janeiro de 1763.

A morte de Gomes Freire e a necessidade de ter no Rio de Janeiro um Governador forte contribuíram para a decisão de se transferir a Capital para o Rio de Janeiro.

Em 11 de maio de 1763, foi nomeado o António Alvares da Cunha, 1º Conde da Cunha, para Vice-Rei do Brasil, com a ordem de residir na cidade do Rio de Janeiro. O novo Vice-Rei tomou posse a 21 de dezembro de 1763

**-Morte de Carlos Mardel sucedendo-lhe como arquitecto do Reino Reinaldo dos Santos

Arquitecto hungaro, veio para Portugal em 1733, servir no exército português, chegando a coronel no ano de 1762

Mardel foi um dos principais responsáveis pela construção do Aqueduto das Águas Livres, tendo desenhado a Mãe d'Água, e um arco triunfal, o Arco das Amoreiras, para festejar a chegada das águas.

Da sua autoria são, também, o Chafariz da Esperança e do Chafariz do Rato; o Palácio do Marquês de Pombal, antiga residência de Sebastião José de Carvalho e Mello, um solar do século XVIII, em Oeiras; Capela do Solar, dedicada a Nossa Senhora das Mercês (também em Oeiras).

Em 1747, Mardel é nomeado para o cargo de arquitecto dos paços reais, e das ordens militares.

Foi um dos principais arquitectos da reconstrução de Lisboa, após o Terramoto de 1755, juntamente com Eugénio dos Santos.

quinta-feira, 26 de Junho de 2008

A Guerra Fantástica


Desde de Dezembro de 1761 que a Inglaterra e a Espanha estavam em guerra e o enquadramento desse facto com a assinatura do terceiro pacto da família Bourbon, como disse nos post anterior, indiciava a reabertura das hostilidades entre Portugal e Espanha.

Em 15 de Março de 1762, a França e a Espanha intimaram-nos que declarássemos guerra à Inglaterra, permitindo que o exército espanhol tomasse conta dos portos portugueses, para impedir a sua utilização por navios ingleses.

Novamente reformulada essa ameaça em Abril de ambas as vezes Portugal se recusou a dar guarida a essa pretensão, que motivou a retirada ds representantes diplomáticos que prenunciavam o início da guerra.

Ness mesmo mês de Abril já tropas da coligação franco-espanhola, avançavam em direcção a Miranda do Douro.

Os reforços militares, naturalmente solicitados por Portugal aos Ingleses, demonstrava as incapacidades gritantes do exército português, desde generais a soldados, armas, munições, tdo era preciso e também organização como não poderia deixar de acontecer neste País.

Á demora inglesa em colocar em Portugal toda a ajuda requisitada, juntou-se o facto das tropas invasoras e vez de atacarem entrando direitos a Lisboa, através do obvio ataque naval.resolveram entrar pelo terreno menos favorável a uma invasão, Trás-os-Montes.

Excessiva condescendência de Carlos III de Espanha, par com sua irmã a Rainha de Portugal, no entender de alguns historiadores.

Mesmo asim em menos de 2 meses e sem qualquer dificuldade, se apoderaram de Miranda do Douro, Bragança, Chaves, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e Castelo Rodrigo e com mais dificuldade Almeida, a única que dispunha efectivos de defesa razoáveis. Porém basicamente alguma resistência acontecia , devido á acção de alguma milícia que atacava em forma de guerrilha . O exército português não retaliava, pura e simplesmente porque praticamente não existia.

A chegada a Portugal do conde de Lippe em 3 de Julho, uma dos apoios que a Inglaterra viria a fornecer a Portugal muito relevante, para a inversão da sorte dos acontecimentos.

Os avanços inimigos foram acontecendo em direcção a Lisboa, estando já em Outubro atingindo Vila Velha de Rodão.

A chegada dos reforço esperados, alguma possibilidade de contra-ataque a linhas recuadas do exército invasor por forma a cortas abastecimentos, a hostilidade das populações, começou a reverter os desígnios da guerra, obrigando a força invasora a retirar, em definitivo para Espanha, que com exceptuando pequenas escaramuças acessórias teve o seu último acto bélico a 19 de Novembro e a assinatura do pré-acordo de paz em 3 de Novembro em Fontainebleu.

Guerra estranha esta na qual não chegaram a haver batalhas, só escaramuças e muitas baixas de ambos os beligerantes.




quinta-feira, 29 de Maio de 2008

O Terceiro pacto da família Bourbon(1761)

A continuação da guerra dos 7 anos e a ofensiva britânica sobre as Antilhas espanholas, em especial sobre Cuba, indicava que a Espanha abandonasse a posição neutral naquele conflito e consequentemente a agravar as relações com Portugal, independentemente dos laços familiares entre as casas reinantes.

A França também vitima nas suas frentes coloniais de ataques da marinha britânica promove pela terceira vez o Pacto de Família, assinado em Paris a 15 de Agosto de 1761, que reunia um convénio, entre as casas reinantes europeias, pertencentes à família Bourbon.

Através desse Pacto que reunia as coroas de França, Espanha, Nápoles e Parma, assumiam como inimigo comum, quem atacasse um dos seus estados.
O objectivo da França era a imposição da velha estratégia, no que aos conflito anglo-franceses dizia respeito, o fecho dos portos portugueses aos navios ingleses, ou ocupação do território português.

Durante algum tempo ainda imperaram os laços de sangue e o rei Carlos III de Espanha, mostrou-se bastante renitente a este desenlace naturalmente por afeição a sua irmã D-Mariana Vitória, ver-se-á contudo que haveria e ser por pouco tempo

*****Outros acontecimentos***
  • Março,07-Criação do Real Colégio dos Nobres
O Real Colégio dos Nobres, geralmente designado por Colégio dos Nobres, foi um estabelecimento de educação pré-universitário fundado em Lisboa, por carta de lei de 7 de Março de 1761, voltado especificamente para a formação inicial dos jovens aristocratas portugueses. sendo as suas instalações e equipamentos atribuídos à então criada Escola Politécnica de Lisboa (actual Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), nas instalações do extinto colégio jesuíta da Cotovia

A inauguração do Colégio, realizou-se a 19 de Março de 1766, com a maior solenidade, assistindo à cerimónia toda a família real e a corte.
  • Setembro,19-Alvará de 19 de Setembro de 1761 (Anexo 3) do Marquês de Pombal que proibiu a importação de escravos em Portugal Continental, oriundos do Brasil, África e Índia

Este Alvará não deve ser considerado como uma medida de abolição da escravatura, visto que a sua finalidade era apenas a de canalizar todos os escravos disponíveis para o Brasil, como claramente refere o texto: “ … fazendo nos Meus Domínios Ultramarinos uma sensível falta para a a cultura das Terras e das Minas, só vêm a este continente ocupar os lugares dos moços de servir, que ficando sem cómodo, se entregam à ociosidade…”

sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Tratado do Pardo 1761



Vinte e um ano depois da assinatura do Tratado de Madrid que havia estipulado novos limites entre as possessões portuguesas e espanholas na América do Sul, favorecendo as pretensões de Portugal, pois reconhecia o domínio territorial da Amazónia e das regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil, reconhecendo à Espanha a Colónia do Sacramento, eliminando-se os limites expressos no Tratado de Tordesilhas. 

O beneficio de Portugal resultou de alguns erros de longitude na representação cartográfica, tendo em consequência dessa constatação sido criadas duas comissões mistas portuguesa e espanhola que, tinha por missão fazer o levantamento das demarcação, e que vieram a elaborar novas cartas geográficas. 

Foi então nesse contexto de rectificação dos erros do Tratado de Madrid, que se assinou este novo Tratado do Pardo, a 12 de Fevereiro de 1761 

TRATADO ANULATÓRIO - PARDO 12 de Fevereiro de 1761 

Os Sereníssimos Reis de Portugal e Espanha, vendo por uma série de sucessivas experiências que na execução do tratado de limites da Ásia e da América celebrado entre as duas Corôas, firmado em Madrid a 13 de janeiro de 1750, . . . se tem sempre encontrado tais e tão grandes dificuldades, . . . em uns países tão distantes e pouco conhecidos das duas côrtes, . . . se viu pelo contrário que desde o ano de 1752 tem dado e daria no futuro muitos e muito frequentes motivos de controvérsias, . . . depois de haverem precedido sobre esta importante matéria muitas e muito sérias conferências, e de se haver examinado com a maior circunspecção tudo o que a ela é pertencente; . . . concordaram e concluíram de uniforme acordo os artigos seguintes:

ART. I 
O sobredito tratado de limites da Ásia e da América, celebrado em Madrid a 13 de janeiro de 1750, com todos os outros tratados ou convenções, que em consequência dele se foram celebrando depois para regular as instruções dos respectivos comissários, que até agora se empregaram nas demarcações dos referidos limites, e tudo o que em virtude delas foi autuado, se estipula agora que ficam e se dão, em virtude do presente tratado, por cancelados, cassados e anulados,, como se nunca houvessem existido, nem houvessem sido executados; de sorte que todas as cousas pertencentes aos limites da América e Ásia se restituem aos termos dos tratados, pactos e convenções que haviam sido celebrados entre as duas Coroas contratantes, antes do referido ano de 1750, ficam daqui em diante em sua força e vigor. 

ART. II 
Logo que este tratado for ratificado, farão os sobreditos Sereníssimos Reis expedir cópias dele autenticadas aos seus respectivos comissários e governadores nos limites da América, declarando-lhes por cancelado, cassado e anulado o referido tratado de limites, assinado em 13 de janeiro de 1750, com todas as convenções que dele e a ele se seguiram; e ordenando-lhes que, dando por nulas, e fazendo cessar todas as operações e actos respectivos à sua execução, derubem os monumentos ou padrões que foram erigidos em consequência dela e evacuem imediatamente os terrenos que foram ocupados a título da mesma execução, ou com o motivo do referido tratado, demolindo as habitações, casas ou fortalezas, que em consideração do sobredito tratado abolido se houveram feito ou levantado por uma e outra Parte: e declarando-lhes que desde o mesmo dia da ratificação do presente tratado em diante só lhes ficarão servindo de regras para se dirigirem os outros tratados, pactos e convenções que haviam sido estipulados entre as duas Coroas antes do referido ano de 1750; porque todos e todas se acham instaurados e restituídos à sua primitiva e devida força como se o referido tratado de 13 de janeiro de 1750 com os mais que dele se seguiram nunca houvessem existido.

ART. III 
O presente tratado e o que nele se acha estipulado e contratado, serão de perpétua força e vigor . . . trocando-se as respectivas ratificações no termo de um mês, contado da data deste, ou antes se couber no possível. Em fé do que e em virtude das ordens e plenos poderes, que nós sobreditos plenipotenciários recebemos dos referidos Sereníssimos Reis nossos Amos, assinamos o presente tratado, e o selamos com o selo das nossas armas. 

Em o Pardo, aos 12 de fevereiro de 1761. 

(L.S.) José da Silva Peçanha. 
(L.S.) D. Ricardo Wall.

quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Corte de relações com a Santa Sé(1760)

Por alturas do final do ano de 1759, já ás relações entre Portugal e a Santa Sé se encontravam, bastante deterioradas, divididas entre dois palcos em Lisboa, onde as relações entre o núncio apostólico Acciaiuoli, cujo relacionamento com o governo de D.José foi sempre difícil e em Roma onde o ministro de Portugal na Santa Sé, hoje reconhecido por embaixador, D.Francisco de Almeida Mendonça, também vivia em clima bastante tenso, dado que circulava por entre os círculos cardinalício e pró-jesuíticos que a Companhia de Jesus era presseguida "com crueldade judaica", típica dos Portugueses, "que eram todos judeus".

O agravamento das relações aconteceu quando em Abril de 1759, D.José escreveu ao para Clemente XIII, solicitando autorização para julgar colectivamente os membros da Companhia de Jesus.


O papa só viria a responder em Agosto desse ano, recusando o julgamento colectivo, mas apenas daqueles que tivesse participado no insulto à coroa ao mesmo tempo que apelava, à clemência e ao sentido de justiça imparcial do rei.


Não era obviamente a resposta que a coroa portuguesa pretendia e um detalhe formal, acabou por impedir que essa resposta fosse oficialmente entregue a D.José. O facto dessa resposta ter sido entregue ao núncio Acciaiuoli, antes de ter sido dado conhecimento ao embaixador Almada e Mendonça, como era prática corrente a altura.

Assim as relações entre Portugal e a Santa Sé evoluíam para a ruptura prevista. Independentemente dos factos ocorridos com a expulsão entretanto acontecida do jesuítas de todo o território nacional, o episódio final na concretização dessa ruptura, aconteceu quando em Junho de 1760, no anúncio do casamento da princesa da Beira, D.Maria, filha de D.José e herdeira do trono, com seu tio o infante D.Pedro, o giverno português não ter avisar o núncio apostólico, que em resposta não ostentasse as luminárias da praxe, que todo o restante corpo diplomático, não deixou de fazer. Expressando assim o seu desagrado pela omissão verificada.

A falta de júbilo pelo casamento ostensivamente demonstrada pela nunciatura, justificou que a 15 de Julho de 1760, fosse participada ao cardeal Acciauiuoli a ordem régia, para se retirar do reino o mais breve possível, consumando-se o corte de ralações entre Portugal e a Santa Sé e que assim viriam a permanecer por mais 9 anos

****Outros acontecimentos*******

Setembro,09-Lançamento da primeira pedra da Igreja da Memória, a edificar no lugar onde se dera o atentado ao rei.

A futura igreja de Nossa Senhora do Livramento e de São José, que são os oragos do templo a construir segundo projecto do Arquitecto italiano Giovanni Carlo Sicinio Bibiena, mandou construir o Rei D.José, por ter escapado com vida ao atentado de 3 de Setembro de 1758.

Esta igreja está situada em Lisboa no Largo da Memória e na calçado do Galvão, na freguesia da Ajuda.

Acima do altar-mor está um painel pintado por Pedro Alexandrino representando o atentado.

Em 1923 vieram para aqui os restos mortais do Marquês de Pombal.

Créditos : Foto tirada daqui
  • Julho,21-D.José e D.António os meninos da Palhavã, irmãos bastardos de D.José, são desterrados para o Buçaco

Os meninos da Palhavã era a expressão porque era conhecidos alguns dos bastardos do rei D.João V, portanto irmãos de D.José I, para saber quem eram, clicar aqui.

Não ficaram instalados no Grande Hotel do Buçaco, que só viria a ser construído do sec. XIX, em parte utilizando alguma área territorial deste Convento fundado em 1628, que pertenciam aos religiosos Carmelitas Descalços.
  • Junho,25-Criação da Intendência Geral da Polícia da Corte e do Reino

Pela Lei de 25 e Junho de 1760, é criada a Intendência da Policía da Corte e do Reino. É criado o lugar de Intendente-Geral da Polícía da Corte e do Reino, com ilimitada jurisdição, em matéria de Polícia, sobre todos os ministros criminais e civis que a ele recorressem e que dele recebessem as ordens nos casos correntes. Com este Decreto ficava o Intendente, em matéria de segurança pública, com mais poderes que o próprio Governo. Foi primeiro Intendente-Geral o Desembargador Inácio Ferreira Souto

sábado, 19 de Abril de 2008

A expulsão da Companhia de Jesus(1759)

A actividade da Companhia de Jesus foi interrompida por decisão de Pombal, em 3 de Setembro, ao ser decretada a expulsão dos jesuítas de todos os territórios portugueses.

Já anteriormente em Janeiro deste mesmo ano, tinha acontecido uma ordem para sequestrar todos os bens móveis e de raíz, rendas e pensões, dos padres da Companhia de Jesus.

Também em 28 de Junho foi decretado por alvará a alteração do ensino público, tendo sido extintas as escolas reguladas pela Companhia de Jesus.

As causas desta decisão parecem encontrar-se, sobretudo, em motivos de natureza ideológica e política.

A Companhia de Jesus era um obstáculo ao projecto político que se pretendia implementar: um sistema que Carvalho e Melo considerava mais moderno, centralizado no Estado, mais fácil de controlar. Era o sistema absolutista e realista, iluminado, que Pombal queria impor sem escrúpulos quanto aos meios a usar e indiferente face à resistência das forças sociais do País.

Dominando o sistema de ensino, em Portugal e no Ultramar, vinculados por uma ligação especial a Roma e possuidores de um grande influxo cultural, os jesuítas formavam um corpo facilmente visto como ameaça para um sistema absolutista que ambicionava controlar todos os aspectos da vida social, incluindo uma Igreja mais submetida ao Estado.

Se a esta moldura ideológica, juntarmos a apetência pelo património considerável na posse dos jesuítas, teremos reunidas as condições para o desencadear da perseguição. A campanha anti-jesuítica montada por Pombal levou à formulação de uma série de acusações publicitadas em toda a Europa

Entre essas acusações, encontravam-se:
  1. a resistência dos jesuítas à aplicação do Tratado de Madrid, celebrado entre Portugal e a Espanha para a delimitação de fronteiras na América do Sul;
  2. a oposição, no Brasil setentrional, às leis que regulavam a administração das aldeias de índios;
  3. o exercício de actividades comerciais proibidas a religiosos;
  4. a decadência dos jesuítas portugueses,
  5. a difamação do rei no estrangeiro;
  6. a participação pelo menos moral no atentado contra D. José e na revolta popular do Porto ocorrida em 1757.
  • Apesar deste acervo de acusações, o único jesuíta a ser objecto de julgamento formal foi o P. Gabriel Malagrida, italiano, acusado de heresia e condenado à morte, em 1761.
Os meios usados para a expulsão foram implacáveis. No total, cerca de 1100 jesuítas foram desembarcados nos Estados Pontifícios; morreram nas prisões cerca de 70 e uns 40 durante as viagens.

A luta de Pombal contra a Companhia de Jesus não se limitou aos domínios da Coroa portuguesa.

Prolongou-se, em conjunto com as cortes bourbónicas, até alcançar o fim pretendido: a extinção da Companhia de Jesus, em 21 de Julho de 1773, por breve do papa Clemente XIV.

Créditos: Companhia de Jesus.

*** Outros acontecimentos******
  • Junho,15-Sebastião José de Carvalho e Melo é agraciado com o título de Conde de Oeiras
O título de Conde de Oeiras foi instituído por decreto do rei José I de Portugal de 15 de Julho de 1759, em benefício de Sebastião José de Carvalho e Melo, diplomata e primeiro-ministro de Portugal, em recompensa pela sua actuação no processo de reconstrução de Lisboa após o Terramoto de 1755.

Naturalmente que esta título vem na sequência da sua ascensão política já que Janeiro havia recebido, a serventia de mordomo-mor da Casa real antes exercido pelo Duque de Aveiro.

segunda-feira, 7 de Abril de 2008

O Processo dos Távoras(III)(1759)


O tempo que mediou entre a leitura da sentença e a execução das penas foi escassa, logo no dia seguinte dia 13 de Janeiro de 1759, tiveram início as mesmas que se revestiram de enorme violência, não só quanto à dureza das penas em si mesmo, como também pela forma como foram aplicadas.

O local escolhido foi a Praça do Cais no lugar de Belém, em sítio alto, para que todo o povo pudesse ver as execuções.

A primeira a ser sentenciada foi a marquesa de Távora, D.Leonor, que chegou acompanhada de largo cortejo

Depois uma caixa negra que se movia vagarosamente entre dois padres. Era a cadeirinha da Marquesa de Tavora, D. Leonor. Alas de tropa ladeavam o préstito, e á volta do tablado postaram-se os juizes do crime, aconchegando as capas das faces varejadas pelas cordas da chuva. Do lado da barra reboava o mugido das vagas que rolavam e vinham chofrar espumas no parapeito da caes. Havia uma escada que subia para o patíbulo. A marquesa apeou da cadeirinha, dispensando o amparo dos padres. Ajoelhou no primeiro degrau da escada, e confessou-se por espaço de 50 minutos.
...
Trajava de setim escuro, fitas nas madeixas grisalhas, diamantes nas orelhas e num laço dos cabellos, envolta em uma capa alvadia roçagante.

Assim tinha sido presa um mez antes. Nunca lhe tinham consentido que mudasse camiza nem lenço do pescoço. Receberam-a tres algozes no topo da escada, e mandaram-a fazer um giro no cadafalso para ser bem vista e reconhecida.

Depois mostraram-lhe um por um os instrumentos das execuções, e explicaram-lhe por miudo como haviam de morrer seu marido, seus filhos, e o marido de sua filha.

Mostraram-lhe o masso de ferro que devia matar-lhe o marido a pancadas na arca do peito, as thesouras ou aspas em que se haviam de quebrar os ossos das pernas e dos braços ao marido e aos filhos, e explicaram-lhe como era que as rodas operavam no garrote, cuja corda lhe mostravam, e o modo como ella repuchava e estrangulava ao desandar do arrôcho.

A marqueza então succumbiu, chorou muito anciada, e pediu que a matassem depressa.

O algoz tirou-lhe a capa, e mandou-a sentar n’um banco de pinho, no centro do cadafalso, sobre a capa que dobrou devagar, horrendamente devagar. Ella sentou-se. Tinha as mãos amarradas, e não podia compôr o vestido que cahira mal. Ergueu-se, e com um movimento do pé consertou a orla da saia.

O algoz vendou-a; e ao pôr-lhe a mão no pescoço, - não me descomponhas - disse ella, e inclinou a cabeça que lhe foi decepada pela nuca, de um só golpe.»

Créditos : publicado na Revista "História" Nº49 - Novembro de 1982

Depois seguiram-se os restantes. Primeiro o José Maria, que tinha resistido à tortura prévia e que se encontravam em muito mau estado físico, foi garroteado enquanto os ajudantes do carrasco lhe batiam com macetes de ferro quebrando-lhe os ossos do corpo.
Depois Luís Bernardo chamado do marquês moço e o seu cunhado D.Jerónimo de Ataíde o Conde de Atouguia, bem como os 3 criados mais próximos do duque de Aveiro, todos sentenciados da mesma forma que os anteriores.
Em crescendo e em forma de espectáculo ficaram para o fim os principais suspeitos, primeiro o marquês de Távora, Francisco de Assis,acabando depois de lhe serem mostrados os despojos dos antecedentes sentenciados,foi então sentenciado com uma maça de ferro que pesava 18 arráteis que lhe batendo sobre o peito e finalmente na cara, lhe causou grande sofrimento antes de morrer.
Igual processo se seguiu para com o último condenado o duque de Aveiro, D.José Mascarenhas, que morrendo de igual modo que o antecessor, sofreu mais por certo, atendendo ao facto do carrasco ter falhado o primeiro golpe.

Após as sentenças cumpridas se lançou fogo ao cadafalso.

Segue um pequeno filme resumo que encontrei, baseado no Processo dos Távoras de Francisco Moita Flores


segunda-feira, 31 de Março de 2008

O Processo dos Távoras(II)(1759)

A acusação formulada no julgamento que se seguiu e que decorreu nos primeiros dias do mês de Janeiro de 1759, foram baseadas nas confissões do Duque de Aveiro D.José de Mascarenhas,

Concluiu-se daí que réu fora movido por questões das comendas da casa de Aveiro, insinuando-se que dado o seu poderio o duque de Aveiro, "já não tinha mais para subir, se não para o trono sendo Rei".

A acusação compunha a aproximação aos jesuítas, após a expulsão daqueles do paço, ordenada por Sebastião José, coligando-se todos na oposição ao Rei e envolvendo nessa conjugação a marquesa de Távora, D.Leonor.

Aliás a condenação da "marquesa velha" (assim era referenciada), servia para estabelecer a culpabilidade dos jesuítas, onde Gabriel Malagrida funcionava como seu líder espiritual e também a única forma de extinguir a casa do Távoras, pois fora ela e não o seu marido, que sucedera nos respectivos morgados, títulos e bens.

A sentença final foi proferida, a 12 de Janeiro de 1759, no Palácio da Ajuda, considerando o veredicto que todos os réus eram, de facto, culpados. O Duque de Aveiro, os marqueses velhos de Távora, seus filhos Luís Bernardo e José Maria e o Conde de Atouguia foram condenados à pena capital. O mesmo sucedeu com Brás José Romeiro, João Miguel, Manuel Alves, António Alves Ferreira e José Policarpo de Azevedo.

Os Távoras negaram todas as acusações, mas foram condenados à morte. Os seus bens foram confiscados pela coroa, o seu nome apagado da nobreza e os brasões familiares foram proibidos. A varonia Távora e morgadio foram então transferidos para a casa dos condes de São Vicente.

A sentença ordenou a execução de todos, incluindo mulheres e crianças. Apenas as intervenções da Rainha Mariana e de Maria Francisca, a herdeira do trono, salvaram a maioria deles. A marquesa, porém, não seria poupada.


(continua noutro post a execução dos condenados)

*******Outros acontecimentos*********
  • Março-Fundação da Real Fábrica de Chapéus em Pombal
Localizada a três quilómetros de Pombal, a Quinta da Gramela é hoje propriedade particular. Em 1759 era constituída por casas térreas e só posteriormente é construído o solar, com uma capela adjacente. Aqui funcionou a Fábrica de Chapéus de Pombal.
  • Abril,11-Elevação da vila de Aveiro à categoria de cidade
Em sessão da Câmara Municipal, e estando presentes a nobreza e muito povo, João de Sousa Ribeiro da Silveira fez entrega da carta que elevou Aveiro à categoria de cidade.

Feita a publicação, saíram todos para a vizinha igreja matriz, onde se celebrava neste mesmo dia a festa de S. Miguel, e, ainda de manhã, «se cantou com boa música uma Missa solene e orou com admirável estilo o M.R.P.M. Frei Bernardo de S. José Magalhães, da Sagrada Religião dos Pregadores»; de tarde, «cantou-se o te-deum e se fizeram várias preces pela duração da vida, saúde e felicidades do nosso ínclito Soberano, a que se seguiu uma pomposa procissão por várias ruas, que estavam vistosamente ornamentadas».

As demonstrações de alegria, com «luminárias, iluminações de diferentes artifícios e encamisadas de primorosa ideia», continuaram nos dias seguintes; além disso, «correram em algumas tardes touros e tudo se fez com galantaria e grandeza»


(Gazeta de Lisboa, n.º 44, 1-11-1759; Padre João Vieira Resende, Monografia da Gafanha, pgs. 171-172; Arquivo, I, pgs. 21-27) –
  • Abril,19-Criação da Aula de Comércio
O ISCAL orgulha-se de ter uma história marcada pela tradição e pelo rigor académicos. Por isso relembra o seu passado para melhor projectar o seu futuro que quer construir.

Na segunda metade do século XVIII foi criada pelo Marquês de Pombal a "Aula do Comércio" (Alvará de 19 de Maio de 1759), há cerca de 240 anos.

Passaram então a ministrar-se "lições de aritmética, de pesos e medidas das diversas praças comerciais, de câmbios, de seguros e de escrituração comercial", com vista a dotar profissionais competentes para as organizações de negócios, cuja falta se fazia sentir.


Esta sua perspectiva faz com que seja o Marquês de Pombal justamente considerado um dos primeiros micro economistas do mundo.

O Curso, com duração de três anos, era ministrado por "lentes" (aquele que lê, professores …) cujo primeiro foi JOÃO HENRIQUE SOUSA e frequentado essencialmente por filhos de homens de negócios e também por escolares sem recursos.

O primeiro Curso iniciou-se em 1 de Setembro de 1759 e o interesse foi de tal ordem que o numero previsto de 50 alunos foi largamente ultrapassado, facto que já em 1765 obrigou a fixação do «numerus clausus» em 200 alunos ao candidatarem-se a primeira matricula.

Muitos nomes ilustres passaram pela Aula do Comércio sendo de salientar ALEXANDRE HERCULANO, e o diplomata CIPRIANO RIBEIRO FREIRE, o 1º BARÃO DE QUINTELA, autor do Dicionário Bibliográfico Português, e INOCÊNCIO FRANCISCO DA SILVA.
Créditos : Iscal

sexta-feira, 21 de Março de 2008

O processo dos Távoras(I)(1758)

Entre todos os detidos, como suspeitos de envolvimento da tentativa de assassinato do rei D.José I que referi anteriormente, pode perguntar-se o que de comum poderiam ter todo esse extenso rol de suspeitos e na verdade a resposta pode ser simples e concisa , todos os inculpados ou tinham nascido nas casa de varonia Távora (os marqueses de Távora e os condes de Alvor), ou tinham casado com fidalgas nelas nascidas (duque de Aveiro, marquês de Alorna, conde de Atouguia), ou delas proximamente descendentes como o caso do conde da Ribeira Grande.

Razão porque esse mega processo acusatório fico conhecido como o Processo dos Távoras, sendo que muito mais simples é mencionar a meia dúzia de pessoas dessa proveniência familiar, que escaparam à acusação.

A base de toda a acusação iniciou-se na confissão de dois homens presos, como autores materiais do atentado que disseram te-lo feito a mando da família Távora, que conspirava para colocar o duque de Aveiro no trono. Rapidamente enforcados pode dizer-se que a consistência da acusação, se baseava, nesse "irrefutável depoimento," feito segundo se disse debaixo de forte tortura.

As outras provas assacadas aos réus eram mais subjectivas ainda, considerando-se que só os Távoras podiam conhecer os hábitos de itinerário do rei, quando se deslocava aos aposentos da sua amante Teresa Leonor, também ela uma Távora, como já disse anteriormente.

Acrescente-se ao processo a componente do desagravo da família Távora, pela honra do seu herdeiro, marido da "marquesinha" e o panorama acusatória ficava completo.

Surpreendente é a celeridade com que todo o processo decorreu, em cerca de um mês tudo ficou resolvido, foi claramente um processo político e sumaríssimo.
Alguns principais réus, nunca reconheceram o procedimento dos crimes de que eram acusados, e outros réus menores que só procederam a algumas confissões, após torturas.

O processo final encontra imensas lacunas, não aparecendo depoimentos nomeadamente de mulheres fidalgas que se sabe terem deposto .

O depoimento mais controverso foi o do Duque de Aveiro, que a princípio terá negado todas as acusações contudo perante a ameaça de tortura confessou os crimes, embora mais tarde tenha de novo voltado a retratar-se.

A confissões que lhe foram atribuídas são incoerentes e contraditórias, mas acabaram por envolver muita gente incluído os jesuítas, João de Matos e Malagrida

terça-feira, 11 de Março de 2008

Atentado ao Rei(1758)

Na noite de 3 de Setembro de 1758, D. José I seguia incógnito numa carruagem que percorria uma rua secundária nos arredores de Lisboa. O rei regressava para as tendas da Ajuda de uma noite com a amante a "marquesinha" Távora D.Teresa Leonor.

Pelo caminho, a carruagem foi interceptada por três homens, que dispararam sobre os ocupantes. D. José I foi ferido num braço, o seu condutor também ficou ferido gravemente, mas ambos sobreviveram e regressaram à Ajuda.

Sebastião José de Melo tomou o controle imediato da situação.

Reconstruir com certeza, o que se passou naquela noite é tarefa que carece de fundamento sólido.

O certo é que no dia seguinte a Rainha escrevia a sua mãe Isabel Farnésio, informando-a que o rei havia caído ontem por uma escada e estaria com um braço em muito mau estado. As melhoras não vieram a acontecer, tão rapidamente quanto se poderia esperar ao ponto do rei lhe ter entregue a regência do reino.

Em 17 de Dezembro, porém volta a escrever a sua mãe, relatando a verdade sobre o atentado e reconhecendo que a versão queda de escada, lhe tinha sido dito ao engano.

Muito embora não refira naturalmente, que o atentado tinha acontecido, no regresso duma visita a uma amante, informa que existiu realmente o atentado, anunciando que " deve prender-se uma família quase inteira e algumas outras pessoa todas de primeira qualidade".

Realmente as prisões começaram a acontecer na noite de 12 para 13 de Dezembro, na sequência dum edital publicado em 9 de Dezembro, onde se ofereciam prémios para eventuais denunciantes.

Com imensa celeridade foram detidos o duque de Aveiro D.José de Mascarenhas e seu filho D.Martinho, na sua quinta em Azeitão e conduzidos ao palácio dos Bichos em Belém. O marquês de Gouveia e quatro dos seus criados. Os marqueses de Távora e dois dos seus filhos, encabeçando uma lista grande de outras personalidades, onde não faltaram também alguns jesuítas.

******************************************
Outros acontecimentos
******************************************
  • Janeiro,11-Alvará que declara a liberdade de comércio com Angola
Este alvará determinou “a liberdade de comércio” em Congo, Angola, Loango e Benguela, proibindo a formação de monopólios.

O mesmo alvará aproveitava ainda para regular as partidas dos navios e a cobrança dos impostos.
  • Janeiro,26-Alvará fixando os direitos a pagar pelos escravos -8700 réis de tiverem a altura de 4 palmos craveiros e 4350 réis se não tiverem essa altura
  • Fevereiro, 1 - São mandados construir seis faróis.
O alvará da Junta Geral da Fazenda, de 1 de Fevereiro de 1758, incluía-o entre os seis faróis que mandava edificar: Berlengas, Nossa Senhora da Guia, Fortaleza de São Lourenço (Bugio), São Julião da Barra, Barra do Porto e costa de Viana.

A verdade, porém, é que, apesar de constarem deste alvará, nem a construção do farol de Montedor nem a de outros viria a concretizar-se, razão pela qual um decreto de 12 de Dezembro de 1826 determina, novamente, que se proceda à construção dos faróis de Montedor, das Berlengas, do Cabo de São Vicente, do Cabo de Santa Maria e do Cabo Mondego.
  • Fevereiro, 10 - O embaixador de Portugal em Roma, Francisco de Almeida e Mendonça, recebe novamente ordens para solicitar do papa Bento XIV uma visita à Companhia de Jesus assim como a sua modificação.
  • Março, 10 - Manuel Saldanha de Albuquerque, conde de Ega, é nomeado vice-rei da Índia.
  • Março, 15 - A colocação de cornos à porta das casas dos homens casados é proibida especificamente.
  • Março, 31 - Os oficiais do exército são isentos da obrigação de ocuparem cargos dos concelhos, continuando-se a política de separação do serviço militar da sociedade civil.
  • Abril, 1 - O papa Bento XIV expediu o breve In Specula Supremae Dignitatis, em que reconhece a urgência da reforma da Companhia de Jesus, nomeando o cardeal Saldanha visitador e reformar dos jesuítas em Portugal e nos domínios ultramarinos.
  • Abril, 8 - É proibida a importação e a circulação de atanados e de solas fabricadas fora do país.
  • Agosto,27-Falecimento de D.Bárbara de Bragança rainha de Espanha, filha de D.João V
Maria Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa nasce em Lisboa, a 4 de Dezembro de 1711; faleceu em Madrid e está sepultada no Convento das Salesas Reales, da mesma cidade. Casou em 1729 com D. Fernando, príncipe das Astúrias, que subiu ao trono de Espanha como Fernando VI;

quinta-feira, 6 de Março de 2008

A rebelião e a punição exemplar(1757)

Como foi dito no post anterior, dedicado à criação da Companhia geral da Agricultura das Vinhas do Alto-Douro esta ano de 1757 iria ficar todo ele marcado pelo evoluir dos acontecimentos que a contestação à criação daquela, fomentou.

O grande incremento na exportação do vinho do Porto, sobretudo para Inglaterra, tinha vindo a provocar a degradação da qualidade do produto e a consequente quebra de preços, veio como disse a estar na origem da criação daquela Companhia, para tentar regularizar a situação.


Foi então criada, por Sebastião José a primeira região demarcada de vinho , sendo cometida aquela Companhia amplos poderes mas também substanciais inimizades, da parte de quem ficava excluído da possibilidade de continuar a exportar aquele produto, por falta de qualidade.


Curiosamente não foram os vinhateiros excluídos, que provocaram a contestação que se seguiu, foram os taberneiros e a população menos qualificada da cidade do Porto que reagiram contra os privilégios da Companhia, que também pretendia reduzir o excessivo número de tabernas que existiam na cidade.


No dia 23 de Fevereiro de 1757 juntou-se uma enorme multidão no terreiro da Cordoria, gritando "Viva o rei ! Viva o povo ! Morra a Companhia", obrigando o governador do Tribunal da Relação do Porto a decretar a suspensão da Companhia, tendo depois a manifestação, se dirigido para os escritórios da Companhia e lançada à rua a documentação.


Voltaram mais tarde em 15 do mês seguinte a haver novos distúrbios A repressão e as prisões que se seguiram acabaram em julgamento, que redundou implacável, com forte aparato policial de cerca de 3000 soldados, com o nítido propósito de intimidar a população da cidade que esteve sitiada mais de 1 ano.


Durante meses, houve cerca de 500 detidos e a sentença é proferida em 12 de Outubro, são condenados à morte 21 homens e 9 mulheres, tendo os outros 448 réus sofrido várias penas - envio para as galés, açoites, confiscação de bens.

Trinta e dois homens e quatro mulheres são absolvidos, tendo 183 sido libertados durante a instrução do processo.


A 14 de Outubro foi a execução pública de 17 dos condenados à morte por sublevação contra a Companhia das Vinhas do Alto Douro, com a agravante de ser considerado crime de lesa majestade.


Enforcados em vários pontos destacados da cidade e depois de decapitadas as cabeças foram espetadas em paus à entradas da cidade, como exemplo demonstrativo à população que não convinha repetir.


Aliás o juiz Pacheco Pereira deixara bem expresso que se visava a punição exemplar, para que durante muito séculos não houvesse rebeliões em Portugal.
******************************
Outros acontecimentos em Portugal

******************************
  • Janeiro,05-Alvará concedendo que os funcionários do estado são autorizados a participarem nos negócios das companhias privilegiadas.
  • Janeiro,05-Decreto que ordena a mudança da Fábrica de pólvora da ribeira de Alcântara, para Barcarena
  • Fevereiro,17-Criação de uma fábrica de cal em Lisboa, de propriedade régia
  • Fevereiro,20-Os criadores de bichos-da-seda recebem vários privilégios.
  • Abril, 2 - As peças de seda fabricadas em Portugal são obrigadas a referir a sua origem.
Ver um artigo publicado no blog Bic Laranja

terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro(1756)

No reinado de D. José I, por iniciativa do seu ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, foi criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, com sede no Porto, com o objectivo de limitar a preponderância dos ingleses no comércio dos vinhos do Alto Douro e resolver a crise porque então passava aquela região.

A resistência e a hostilidade dos ingleses e de boa parte da burguesia de negócios do Porto quanto à Companhia, antes e depois da sua formação, vão obrigar Carvalho e Melo, em 1756–1757, a tomar medidas duras e repressivas, mas determinantes para o sucesso daquela Instituição, que veio a ter um papel determinante no crescimento económico do Porto e de todo o Norte de Portugal.

*********************************************

Outros acontecimentos em Portugal

*********************************************

  • Fevereiro, 10 - Derrota dos índios guaranis das Missões do Uruguai pelo exército conjunto luso-espanhol na batalha de Caiboté. Morreram 1.200 índios e 154 foram feitos prisioneiros.
Trata-se dos índios que se opunham à demarcação fronteiriça dos domínios luso-espanhóis


Retirado de : Instituto Camões
********************************************
  • Maio,15-Os ciganos são obrigados a servir nas Obras públicas de Lisboa
********************************************
  • Novembro,30-Alvará que permite o estabelecimento dum fábrica de cal em Lisboa
William Stephens, um inglês que já em 1752 foi aceite como membro da Feitoria Inglesa em Lisboa, inicia a sua actividade industrial com uma fábrica de cal no bairro de Alcântara, com muita oportunidade pois a cal era muito necessária para a reconstrução de Lisboa.
Muito embora viesse a falir, quando anos mais tarde esse negócio deixou de ser rentável, mas este mesmo Stephens, que virá alguns anos mais tarde a solicitar alvará para o estabelecimento de fábrica de vidros na Marinha Grande.
*********************************************
  • Idealização da Arcádia Lusitana

A agremiação foi idealizada em 1756 e fundada no ano seguinte pelos esforços de António Dinis da Cruz e Silva, Manuel Esteves Negrão e Teotónio Gomes de Carvalho, o primeiro dos quais se encarregou de lhe dar os estatutos por que se regeu.

Tratava-se duma agremiação um tanto semelhante às academias de literato sque tinham proliferado em Portugal no século anterior, e, como elas, também para apresentação das produções dos seus sócios e sua crítica, mas com uma orientação literária antagónica à daquelas, porquanto, ao passo que essas promoviam o desenvolvimento do barroco seiscentista, esta procurava combate-lo, seguindo algum tanto as lições dos iluministas portugueses da primeira metade do século XVIII.

Era sua divisa Inutlia truncat, significando inutlia (coisas inúteis) tudo aquilo que o critério novo considerava atentatório do bom gosto e dum programa neoclassicista a que se comprometiam os seus sócios.

Para levar a efeito estes propósitos, a Arcádia incluía entre a sua actividade não só a apreciação, segundo normas de censura muito precisas, das composições apresentadas, como ainda a discussão de teses de teoria literária comunicadas sob forma de dissertação por alguns dos seus orientadores.

Não foi muito duradoura, ou pelo menos sem incidentes, a vida desta agremiação. A um período de actividade entusiástica que vai de 1757 a cerca de 1760, seguiram-se períodos entrecortados de vicissitudes várias (afastamento dos sócios mais devotados, questões internas, ataque de literatos dissidentes, etc.), durante os quais a sua função se vai desvirtuando e caindo em franca dissolução, até seu desaparecimento por 1774.
Retirado de : Farol das letras
*********************************************
Acontecimentos fora de Portugal
*********************************************
  • Início da Guerra dos 7 anos
A assinatura do tratado de Westminster entre a Inglaterra e a Prússia, previa uma neutralidade absoluta e recíproca que provoca um desiquilíbro estratégico na Europa, desde logo motivaria o corte de relações entre a Rússia e a Inglaterra a aproximação entre a França e a Áustria que assinam em Versailhes um tratado de aliança a que virão a juntar-se a Rússia a Saxónia e a Suécia.
A Inglaterra declara formalmente guerra á França e em Agosto, Frederico II da Prússia, invade a Saxónia, conquistando Dresden.

Está assim iniciada a chamada Guerra dos 7 anos.

quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Nascimento de Wolfgang Amadeus Mozart


Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em Salzburgo a 27 de janeiro de 1756. Seu nome de baptismo era Johannes Chrisostomus Wolfgang Theophilus Mozart mas posteriormente, trocou o prenome Theophilus para Amadeus.

Foi um dos mais espantosos exemplos de precocidade na história da arte: desde os três anos de idade revelou excepcional aptidão para música, estudando cravo com seu pai, Johann Georg Leopold Mozart (1719-1787), compositor e violinista.


À medida que trabalhava com maior afinco na busca da perfeição, Mozart vivia em dificuldades: seu matrimónio naufragava, os filhos morriam prematuramente, dívidas, desprezo e incompreensão para o músico e para o homem.

Obrigado a trabalhar, incessantemente, pois suas produções jamais lhe renderam para que pudesse viver sem preocupações financeiras, teve sua saúde bastante prejudicada.


Sua morte foi atribuída a uma série de causas, inclusive à ingestão de veneno, que teria sido administrado pelo compositor rival, Antonio Salieri.


O seu enterro estava sendo acompanhado por poucos amigos, quando caiu violenta tempestade que os dispersou. Mozart teve um funeral de terceira categoria e foi enterrado numa fossa comum, com uma dúzia de cadáveres de indigentes.

Não houve monumento nem lápide.


Seus restos mortais desapareceram e o crânio conservado no Mozarteum de Salzburgo certamente não é seu.


Juntamente com Haydn, Mozart representa o ponto culminante da música no século XVIII. Figura exponencial no desenvolvimento final da ópera napolitana, foi também um dos maiores mestres da nova concepção da sonata na época.

Criou obras-primas da música instrumental, nos últimos anos do século XVIII.
Mozart costuma ser citado como um elo da cadeia do Classicismo vienense, entre Haydn e Beethoven.

A classificação, embora cómoda, não corresponde à verdadeira posição do compositor. Mozart não foi o continuador de Haydn nem o antecipador de Beethoven.

(Condensado deste site de excelente qualidade)

Sinfonia nº40 (uma das mais populares de Mozart) -1º Movimento, orquestra Sinfónica de Viena dirigida por Nikolaus Harnoncourt


sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Sebastião José-Ministro do reino(1756)

Apenas 2 semanas depois do cataclismo faleceu finalmente o Secretário de Estado do Reino, Pedro Mota e Silva já entrevado e velho, para o substituir foi nomeado em 4 de Maio, Sebastião José, muito embora já o fizesse desde a data da morte do anterior Secretário de Estado.

Foram 5 meses da máxima importância para o futuro de Sebastião José, obrigado também a trabalhar sobre grande pressão e urgência como naturalmente foram aqueles tempos após esse cataclismo de 1755.

O rei D.José admirou bastante todo esse trabalho e naturalmente que a promoção ao cargo mais poderoso do reino não se fez esperar, mas as invejas e as intrigas, contra Sebastião José fazia as primeiras surtidas.

Os contornos dessa conspiração contra o ministro do Reino, não são muito claras, mas traduziram-se no afastamento de Diogo de Mendonça Corte-Real, Secretário de Estado , que seria degredado para Mazagrão em 30 de Agosto de 1756.

Mais um homem influente do Reino, afastado da esfera do poder, com ou sem razão, injusta ou injustamente o facto é que esse afastamento apontava a preponderância de Sebastião José como "homem único de poder".

Outros implicados foram Martinho Velho Oldenberg e Francisco Xavier de Mendonça, um advogado já com querelas judiciais anteriores contra o Ministro, bem como mais alguns eclesiásticos, por acaso jesuítas.

Presos em 24 de Junho, condenados os civis à deportação para Angola e os jesuítas a Junqueira.

********************************************
Outros acontecimentos em Portugal
********************************************
  • Maio,24-Bento XIV a pedido de D.José publica o breve consagrando o jesuíta São Francisco de Borja protector da monarquia portuguesa.
Nos primeiros dias após o terramoto D.José solicitara ao Papa esta medida que se destinava a proteger a monarquia portuguesa contra terramotos.

Todo um conjunto de missas que deveriam ser rezadas em todos os distritos, devendo todas ser rezadas nas igrejas da Companhia de Jesus e apenas onde as não houver, nas Catedrais ou nas igrejas principais.

******************************************
  • Substituição do representante português em Roma, António Freire Encerrabodes por Francisco de Almada e Mendonça.
*******************************************
Esta substituição ocorre na sequência da conspiração contra Sebastião José, pelo envolvimento de Encerrabodes, bem como o José Galvão de Lacerda, representante em Paris
*******************************************
  • Novembro,1-Prisão de Gabriel Malagrida em Setúbal
*******************************************
Já atrás referido o carácter do jesuíta Gabriel Malagrida, verdadeiramente místico, associando o flagelo do cataclismo de 1755 a castigo divíno pois segundo ele " Deus revelou que estava gravemente irado pelos pecados de todo o Reino e muito mais de Lisboa", chegando nos seus escritos a desafiar a própria família real, pelo que causava no afrontamento a Deus, as imoralidade e a devassa, dos espectáculos de ópera, as comédias mais obscenas, segundo ele, e os touradas.

Espectáculos que a própria família real patrocinava como foi o caso por exemplo da Ópera do Tejo já referida.

Essa afronta levou à prisão e ao desterro para Setúbal do jesuíta Malagrida.

Outras medidas foram tomadas como o Edital de proibição de leitura de livros ímpios sobre o Terramoto, em Outubro, ou a proibição da saída de pessoas de Lisboa, cujo pânico pela repetição sísmica um ano depois, era estimulado pela divulgação daquele tipo de profecias

segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

O terramoto de 1755

No 1º de Novembro de 1755, num sábado entre as 9 e meia e as 10 da manhã,a terra começou a tremer em Lisboa a princípio brando mas depois aumentou de intensidade por forma a que começaram a abater os edifício. Terá durado cerca de 7 minutos o mais importante que aconteceu em Portugal.

O fenómeno era frequente tendo acontecido os últimos no reinado anterior, mas não havia qualquer típo de preparação contra esse fenómeno, que diga-se foi acompanhado de um maremoto, tendo o mar investido sobre a cidade de Lisboa.
Para que o pânico e a destruição fosse ainda maior, também um enorme incêndio se ateou em vários pontos da cidade.

Lisboa era um cidade de cerca de 200 000 habitantes, uma das oito maiores cidades de Mundo, mais populosa que Madrid ou Roma. É preciso não esquecer que na altura era Lisboa a capital de um Império que se estendia por 4 continentes.

Tendo grosso modo se estimado que terão perecido entre 5 e 10% da população da cidade.

Também fora de Lisboa o sismo fez as suas vítimas e causou enormes prejuízos em povoações próximas de Lisboa como Cascais e Setúbal, mas muito intensamente em muitos locais do Alentejo e em especial no Algarve.

Em Lisboa mais de 2 terços dos edifícios ficaram inabitáveis. Todos os grandes hospitais, ficaram destruídos, bem como a maioria das igrejas e os edifícios públicos como o Paço Real da Ribeira, a Igreja Patriarcal e a Ópera do Tejo que havia sido inaugurado neste mesmo ano pelo anos da Rainha D. Mariana Vitória em 31 de Março.

Os bens e mercadorias que também ficaram destruídos, foi estimado recentemente por um historiador em cerca de 75% do PIB da altura, geraram como se deve calcular enorme crescimento da violência, devido ao caos motivado pela escassez de alimentos e de habitação.

Por outro lado porém, com o distanciamento que a análise fria da situação pode gerar, que o terramoto conduziu a uma verdadeira mudança em direcção à modernidade, como se verá em próximos acontecimentos.

Deve saborear-se o notável post publicado no blogue Tapornumporco clicando aqui

Outros acontecimentos em Portugal
  • Março,31-Inauguração da Casa da Ópera (Ópera do Tejo) com a ópera Alessandro nell Indie.
Aproximadamente no local onde hoje fica o Arsenal da Marinha em LIsboa, foi inaugurado, foi construído esse teatro, sob o risco arquitectónico de Giovanni Carlo Bibiena, filho de outro famoso arquitecto, Francisco Bibiena. A construção terá sido dirigida por João Frederico Ludovice, que já trabalhara no Convento de Mafra.

Segundo diziam alguns na altura que não havia na Europa , teatro de semelhante gosto e riqueza, Com capacidade para cerca de 600 pessoas, cuja dimensão permitia que as assistências ultrapassem os círculos mais limitados da coroa, não se restringindo apenas aos nobres mais próximos do Rei.

As estreia aconteceu com a ópera Alessandro nell Indie de David Perez, segundo libretto de Pietro Metastasio, tendo sido contratados os melhores interpretes para uma espectacular encenação.

Infelizmente aquilo que teria sido um edifício espectacular ficaria integralmente destruído em Novembro desse mesmo ano.
  • Junho,06-Estabelecimento da Companhia geral do Grão-Pará e Maranhão
Esta companhia foi fundada em 1755, com o poder de monopólio estabelecido num prazo de vinte anos , com uma estrutura idêntica a outras companhias anteriormente formadas, com corpo de accionistas e funcionários administrativos.
Caracterizadas por forte componente estatal e monopolista, como o comércio de escravos e o transporte marítimo.

A ideia a criação desta companhia partiu de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão de Carvalho e Melo o futuro marquês de Pombal e governador que já em 1754 o alertava para o predomínio também económico dos jesuítas, escrevendo: “como os Jesuítas se viram senhores absolutos desta gente, os indígenas e de suas povoações, como se foram fazendo senhores das maiores e melhores fazendas deste Estado, vieram a absorver naturalmente todo o comércio, assim dos sertões, como particular desta cidade”*.

Mais adiante continuava: “como neste Estado não é rico o que tem muitas terras, senão aquele que tem maior quantidade de índios”, sendo pois os religiosos “senhores dos índios e por consequência senhores de tudo”, os colonos sentiam-se “pobres, miseráveis e perseguidos pelas ordens religiosas”.

É este o panorama que influência a criação da Companhia Geral e por certo a inflexão que irá motivar a atitude de Sebastião de Carvalho e Melo para com aquela Ordem religiosa, que sempre até aí o tinha apoiado, por influência da entretanto falecida Rainha-mãe e do seu confessor o jesuíta José Ritter.

Entretanto os índios eram declarados livres e o governo das missões dirigidas por jesuítas, iria desaparecer, passando a ser administradas pela coroa.

Já em Abril tinha sido publicado outro alvará, que declara isentos de qualquer infâmia quantos casassem com índias da América.
  • Início da construção do Palácio dos marqueses de Castelo Melhor, hoje Palácio Foz

Após o terramoto, tendo ficado arrasado o velho edifício do antigo palácio dos Condes de Castelo Melhor, foi necessário proceder-se à construção dum novo palácio junto ao decadente edifício contíguo a então já existente rampa da Glória

Ignora-se o nome do autor do traçado do Palácio, durante muitos anos atribuído ao arquitecto italiano Francisco Xavier Fabri. Os biógrafos seus compatriotas são coincidentes na inviabilização dessa hipótese, já que mencionam a sua chegada a Portugal somente em 1790.

É no entanto quase certo que tenha presidido às obras até à sua morte, em 1807. Os trabalhos ficaram então suspensos, para serem retomados em 1846, sendo apenas inaugurado em 1858 (mais de 100 anos depois de serem iniciadas as obras)

Pouco se sabe acerca do interior do Palácio Castelo Melhor excepto que, a avaliar pela referida Capela deveria ser uma mansão sumptuosa, recheada de madeiras exóticas especialmente enviadas do Brasil pelo irmão do Conde, D. António Vasconcelos, à data Governador do Grão Pará.

Pouco tempo usufruiu a família da casa em 1889 a sexta Marquesa, D. Helena, vendeu-o e a Tristão Guedes de Queiroz Correia Castelo Branco.
  • Instalação da família real em Belém, passando depois para o Alto da Ajuda onde se constrói a real Barraca

Também a família real optou por viver durante meses em grandes barracas, até se mudar para a zona da Ajuda onde foi construído um edifício em madeira, conhecido, mesmo internacionalmente, como a "Real Barraca da Ajuda", e que ardeu em 1794, dando posteriormente origem a construção de um palácio sensivelmente na mesma zona.
  • Algumas medidas tomadas para a defesa da Saúde Pública
O Estado, através da acção do marquês de Pombal chamou a si a responsabilidade de organizar medidas de emergência cujas prioridades foram: evitar as doenças, alimentar a população e impor a ordem pública.

Nesse sentido, foram tomadas, entre muitas outras, as seguintes disposições:

- para prevenir a disseminação de doenças devido ao grande número de cadáveres existente, o patriarca de Lisboa autorizou que os mortos fossem colocados em barcos e deitados ao mar em pleno oceano Atlântico.

- Mandaram-se erguer pela cidade forcas onde eram sumariamente executados todos os que fossem apanhados a roubar ou cometer outro tipo de crimes - e os ladrões eram numerosos pois tinham fugido das cadeias aquando da sua destruição.

- Impuseram-se limites máximos para o preço dos principais alimentos no sentido de desencorajar a especulação.


terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Início da construção da Torre dos Clérigos por Nicolau Nasoni


Para que não haja confusão convém dizer que quando se fala em Clérigos, na cidade do Porto, deve falar-se num conjunto arquitectónico, composto pela Igreja, pela Torre.

A obra inicia-se em 1732, com a construção da Igreja, obras que foram bastante demoradas, pois estiveram interrompidas cerca de 11 anos, só sendo inaugurada em 1750.

Nicolau Nasoni-A vinda para Portugal

A construção da Torre inicia-se mais tarde, bem como a construção duma enfermaria e duma secretaria.

A torre com 75 metros de altura e 240 degraus, foi terminada entre 1757 e 1763.

Curiosamente existe grande semelhança ente esta torre e a Torre Nueva da Sé de Zaragoza, da autoria de Gian Bautista Contini, muito embora se possa admitir que Nasoni possa não ter tido conhecimento dessa obra, fica a ideia de que no mínimo ambos tinham conhecimento das obras do classicismo romano do século XVII.

Outros acontecimentos em Portugal
  • Manuel da Maia é nomeado engenheiro-mor do Reino
Quando morreu Manuel da Maia tinha a patente de Brigadeiro de Infantaria com exercício de Engenheiro, donde se retira a ideia da sua formação como engenheiro militar e por certo um dos mais importantes.

Nascido humildemente em 1677, foi nomeado em 1754 mestre-de-campo general com o exercício de engenheiro-mor do Reino

A longa vida e carreira de Manuel da Maia tiveram os seus pontos mais altos na superintendência das obras do Aqueduto das Águas Livres, no salvamento do recheio da Torre do Tombo a seguir ao Terremoto e na elaboração do programa de reconstrução de Lisboa.
  • Fevereiro,27-Morte o primeiro cardeal-patriarca D.Tomás de Almeida.

Nasceu em 1670, em Lisboa. Foi Bispo de Lamego (1706), Bispo do Porto (1709) e o primeiro Patriarca de Lisboa (1716). O Papa Clemente XII fê-lo Cardeal em 20 Dezembro de 1737.

Sucedeu-lhe D. José Manuel da Câmara, que nasceu em Lisboa a 25 de Dezembro de 1686. Bento XIV criou-o Cardeal em 10 de Abril de 1747. A 10 de Março de 1754 foi eleito Patriarca de Lisboa.

Sucederam-se até hoje dezasseis patriarcas à frente da Igreja lisbonense, de D. Tomás de Almeida a D. José Policarpo: os patriarcas de Lisboa são sempre feitos cardeais no primeiro consistório a seguir à sua nomeação para esta Sé.
  • Agosto,14-Morte de D. Maria Ana de Áustria, esposa de D. João V.
Fundou o convento de S. João Nepomuceno em Lisboa, para carmelitas alemães, onde quis ser sepultada num magnífico mausoléu, e como era muito amiga da sua pátria recomendou no testamento que o seu coração fosse levado para o jazigo dos seus antepassados na Alemanha. 0 país deve a esta rainha a protecção ao ministro Sebastião José de Carvalho e Mello, depois marquês de Pombal, sendo ela quem, depois da morte de D. João V, a quem ainda sobreviveu quatro anos, recomendou a seu filho D. José que o nomeasse ministro.

A Rainha D.María Ana da Áustria
(clicar para ler mais)
  • O jesuíta italiano Gabriel Malagrida retorna à Portugal.
Desde criança deu provas de engenho e ao mesmo tempo duma tendência exagerada para o misticismo. Depois de completar em Milão os seus estudos entrou na Companhia de Jesus, em Génova, a 27 de Setembro de 1711.

Cedo foi destacado como missionário para o Maranhão.

Na narrativa das suas missões não se falava senão em vozes misteriosas que o avisavam, tudo são milagres e prodígios. Malagrida julgava-se favorito do céu.

Em 1749 veio para a Europa, com a fama de santo, vindo tratar de arranjar dotações para os vários conventos e seminários que fundara. Depois de trabalhosa viagem chegou a Lisboa, sendo acolhido como santo, e a imagem, que trazia consigo, foi conduzida em procissão para a igreja do colégio de Santo Antão. D. João V, nessa época, estava muito doente, e acolheu de braços abertos o santo jesuíta, fez-lhe todas as concessões que ele desejava, e chamou-o para junto de si na hora extrema.

Foi Gabriel Malagrida quem assistiu aos últimos momentos do monarca. Em 1751 voltou ao Brasil, mas não foi bem recebido no Pará, onde governava então o irmão do marquês de Pombal.

Em 1754 voltou a Lisboa, por ser chamado pela rainha, viúva de D. João V, D. Maria Ana de Áustria e encontrou no poder o marquês de Pombal. Este notável estadista que se propusera a regenerar Portugal, livrando-o da tutela dos jesuítas, não podia simpatizar com o "santo".

Não o deixando entrar na intimidade da rainha viúva, Malagrida partiu para Setúbal, onde depois teve a notícia da morte da soberana. 0 marquês de Pombal não se importou com aquele jesuíta santo, enquanto as suas santidades não contrariavam os seus projectos, mas o conflito sería inevitável.

(respigado do Portal da História)

Acontecimentos fora de Portugal
  • França-Rousseau publica o Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens
Destaco um trabalho que encontrei de Adivaldo Sampaio de Oliveira que faz algumas reflexões sobre este texto.

Destaco uma passagem das suas conclusões

No Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens Rousseau nos mostra um problema – a degeneração social provocada pelo distanciamento que o homem social está do homem natural.

No Contrato Social ele nos apresenta uma solução – já que não podemos viver como o homem natural, pois a evolução da sociedade é inevitável (perfectibilidade), que constituamos uma sociedade harmoniosa, que tenha como ponto de partida uma relação entre governantes e governados baseada na liberdade.

E em Emilio Rousseau nos mostra como chegar a tal sociedade - através da educação por um método bem específico que deve formar cidadãos livres. A educação de Emílio visa a construção do governante ideal, resolvendo um dos problemas da sociedade cujos vícios "...não pertencem tanto ao homem, mas fundamentalmente ao homem mal governado."

segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Início da Guerra Guaranítica(1753)

Os acontecimentos que tiveram o seu início neste ano e a que foi dado este nome, está intimamente relacionado com aplicação do Tratado de Madrid, assinado em 1750, mas que só em Setembro de 1752 os responsáveis de ambos os países ibéricos se reuniram para passar à aplicação prática do referido Tratado.

Por Portugal o responsável a Sul do Brasil era Gomes Freire de Andrade e por Espanha o marquês de Valdelírios. Se o acordo havia sido possível entre ambos os Países, em parte atendendo ao facto do casamento do rei de Espanha Fernando VI com D.Maria Bárbara de Bragança irmã de D.José ter aproximado as coroas, mas também pelo objectivos do ministro de Estado espanhol D.José de Carvajal y Lancaster, que defendia a aproximação pacífica a Portugal, no sentido de propiciar com o tempo a união dos dois reinos.

As dificuldades encontradas no terreno, deviam-se ao facto da concessão por Portugal a Espanha da colónia de Sacramento implicar receber em troca o território da chamada região dos Sete Povos dos Índios do Uruguai dirigidos pelos jesuítas espanhóis e que Portugal pretendia ver povoados por populações idas das ilhas atlânticas.

Porém para que tal pudesse vir acontecer era necessário realizar uma "pequena tarefa", desalojar os índios que lá viviam. o que também colidia com os interesses das missões jesuítas que as controlavam.

Logo em Fevereiro deste ano um pequeno destacamento de tropas portuguesas e espanholas, seria atacado por índios, o mesmo acontecendo a outras tentativas que decorreram neste ano na região Guarani e que se iria arrastar por mais alguns anos.

Também a norte do Brasil impunha aplicar o Tratado de Madrid, para o que tinha sido nomeado no ano anterior Francisco Xavier de Mendonça Furtado, como governador e capitão-general do Pará e Maranhão, curiosamente irmão de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda secretario de Estado, já suficientemente influente para nomear seu irmão para este cargo, mas ainda não "absolutamente" poderoso, para determinar a política portuguesa.

Outros acontecimentos em Portugal
  • Janeiro,09-Nasce em Setúbal Luísa Rosa de Aguiar Todi, cantora lírica
Luísa Todi nasceu em Setúbal, na freguesia de Nossa Senhora da Anunciada, a 9 de Janeiro de 1753, na actual rua da Brasileira, não criando grandes raízes na cidade, pois, os pais mudaram-se para Lisboa ainda ela era de tenra idade.

Luísa Rosa de Aguiar, nome de solteira, estreou-se, ainda como actriz, em 1767 ou 1768, no teatro montado na propriedade do Conde de Soure, em Lisboa, recitando com a irmã, as falas das personagens de Tartufo, de Molière.

Foi, também, aí que Luísa Aguiar conheceu Francesco Saverio Todi, violinista de origem italiana.

Em 28 de Julho de 1769, com apenas 16 anos de idade, Luísa casou com Todi, na Igreja de Nª Sª das Mercês, indo habitar no Pátio do Conde de Soure, perto do Teatro.

Um ano após o casamento, actuou no mesmo teatro, onde se estreou como actriz, mas, desta vez, como cantora, na ópera “Il Viaggiatore Ridicolo”, de Guiseppe Scolari. A partir desse momento, a carreira de Luísa Todi tomou outro rumo, apresentando-se logo no ano seguinte em Londres.

A 6 de Junho de 1772 actuou no Porto, cantando árias do compositor David Perez, mestre da Capela Real, passando a ser, figura de relevo na sociedade nortenha.
As críticas dos jornais, mesmo os estrangeiros, em relação à cantora não eram modestas, elogiando as capacidades vocais, o relevo que dava à expressividade e à emoção na caracterização das personagens que interpretava.

Londres, Paris, Berlim, Turim, Varsóvia, Veneza, Viena, São Petersburgo foram algumas das cidades em que Luísa Todi passou largas temporadas, alcançando consideráveis êxitos. Nessas ocasiões, conviveu de perto com a aristocracia europeia, como foi o caso de Frederico II da Prússia e Catarina II, imperatriz da Rússia.

“La Didone Abbandonata” talvez tenha sido, de entre todas as que cantou, a ópera onde alcançou maior êxito.

Até 1793 andou em tournée pela Europa e foi já com 40 anos de idade que voltou a Portugal para cantar nas festas da filha primogénita do príncipe regente, futuro D. João VI.

Este espectáculo foi uma excepção em Portugal, visto que D. Maria proibira as mulheres de actuarem em público. Apesar da autorização, a família real não esteve presente, nem a actuação de Luisa Todi foi devidamente referenciada.

Talvez por isso, pelas limitações impostas em Portugal, regressou ao estrangeiro, voltando a Portugal, mais concretamente ao Porto, em 1803, já viúva.

Com as invasões francesas, em 1809, Luísa Todi viu-se forçada a abandonar o Porto, perdendo, na fuga, grande parte dos bens, entre os quais se contavam jóias.

Em 1811, quando regressou a Lisboa, já era uma mulher amargurada, em parte pela morte de alguns dos seis filhos e por uma das filhas ter sido internada no Recolhimento de Rilhafoldes, destinado a doentes mentais.

Em 1813, Luísa Todi viveu na rua do Tesouro Velho, hoje, rua António Maria Cardoso, e mais tarde mudou-se sucessivamente para as ruas da Barroca e da Atalaia, Largo de S. Nicolau e Travessa da Estrela, onde morreu, em 1 de Outubro de 1833, com 80 anos de idade, cega devido a uma doença que tinha desde nova.

Fontes:
- “Cantores de Ópera Portugueses, 1º volume”, Mário Moreau
- “Setúbal e as suas celebridades”, Fran Paxeco
- “Setúbal no Século XVIII. As informações paroquiais de 1758”, Rogério Peres Claro

(retirado daqui)
  • Março,01-Entra solenemente em Pequim a Missão diplomática chefiada por Francisco Xavier Assis Pacheco de Sampaio.
Com o recrudescimento da opressão chinesa e a imposição, em 1736, duma autoridade nativa com a designação de tchó-t'óng, que passou a exercer autoridade na cidade só a partir de 1797, foi pedido ao rei D. José novo embaixador, sendo Dom Francisco Xavier Assis Pacheco e Sampaio magnificamente recebido na corte do Imperador Qianlong, em Pequim, aonde chegara a 1 de Maio de 1753.

Após cinco semanas de banquetes e festas, o embaixador deixou a capital chinesa com ricos presentes, mas sem nada conseguir, devido à animosidade das autoridades chinesas.

(ver mais sobre Macau aqui)
  • Maio,24-Concedidos privilégios a Manuel Leitão de Oliveira, para o estabelecimento de uma refinaria de açúcar em Lisboa.
  • Junho,30-Decreto que manda fabricar a pólvora por conta da Fazenda real.
O início do fabrico da pólvora, por iniciativa da família Cramer por ler-se em

As fabricas de pólvora em Barcarena e Alcântara-27

O seu cancelamento em 1753, deveu-se exclusivamente ao facto de se julgar mais seguro para a defesa do Reino que as fábricas de pólvora passassem a ser administradas directamente pela Fazenda.
  • Agosto,11-Alvará estabelecendo o monopólio régio para os diamantes do Brasil.
  • Agosto,11-Decreto autorizando Feliciano Oldenberg a fundar a Companhia Real Portuguesa da Ásia.
Já antes do início do reinado de D.José, que se pensava na criação dum projecto de criação dum companhia para o comércio na Ásia. No ano anterior um comerciante francês conseguira o privilégio do estabelecimento desse comércio, pelas costa indianas.

Essa decisão provocara o protesto de muita gente, negociantes portugueses, apoiados pelos jesuítas e por Sebastião José (ainda em tempo de aliança ), por a coroa não ter entregue essa concessão a um português.

Foi então nomeado um português de origem alemã Feliciano Velho Oldenberg, com fortuna construída no comércio do tabaco e da prata.

Foi então criada as bases desta companhia que deveria promover a viagem de 11 navios, para a Índia e para Macau, com a validade de 10 anos.

A empresa veio a falir, por causas pouco claras, tanto quanto os meandros da própria constituição do capital da empresa, conexões entre o secretário de Estado Diogo de Mendonça e Oldenberg e do próprio rei encarregando um seu criado Pedro Virgolino de investir dinheiro em seu próprio nome.
  • Fundação da escola de escultura de Mafra, sob a direcção de Alessandro Giusti, onde se formaram, entre outros, Machado de Castro.
Com a consciência do seu valor artístico, Machado de Castro, intentou ir para as obras da grandiosa basílica de Mafra, onde estavam muitos artistas de merecimento, tendo à frente o professor e ilustre estatuário romano Alexandre Giusti.

O seu ardente desejo de se aperfeiçoar na arte, o obrigou a sair de Lisboa, onde auferia bons lucros, e ir encerrar-se naquela vila conseguindo dentro em pouco, em 1756, ser nomeado ajudante do professor romano, situação em que se conservou durante 14 anos, trabalhando sempre assíduo e com o maior aproveitamento, adquirindo cada dia novos conhecimentos, e produzindo trabalhos já de excepcional valor.

Mas em Mafra esperava-o um novo futuro. Como ali se tornara um ponto de reunião, não só de viajantes estrangeiros, como de poetas, artistas e sábios portugueses, Machado soube tirar óptimo partido, para se instruir, com a conversação dos homens doutos.

Um dos frequentadores era o poeta Cândido Lusitano, que não se cansava de admirar as novas produções dos artistas, que trabalhavam ali. Travou relações com o jovem escultor, e desde logo lhe votou sincera amizade. Reconhecendo o seu desejo de aprender, encarregou-se de lhe dar lições de Retórica, que o nosso artista aceitou gratamente.

Mafra foi, por assim dizer, para Machado de Castro, não só um centro de educação artística, como uma espécie de universidade onde se lhe deparavam os melhores livros do seu tempo, como professores que o instruíssem e o iniciassem no movimento intelectual do século.

As novas relações com o poeta e pintor Vieira Lusitano, marcaram assim uma época na educação literária de Machado de Castro. As novas teorias que se revoltavam contra a imitação servil dos mestres, contra o fanatismo das regras e que colocava acima de tudo o entusiasmo e espontaneidade da poesia, a imitação da natureza, foram adoptadas para sempre pelo nosso ilustre artista, tornado um entusiasta discípulo delas. Joaquim Machado de Castro caracteriza-se, porém, pelo seu bom senso, pela rectidão dos seus julgamentos e a lucidez das suas ideias.

(retirado do Portal da História)
  • Novembro,19-Proibição aos estrangeiros de andarem a vender pelas ruas.
  • Dezembro,31-Morte de Alexandre de Gusmão, principal inspirador e definidor da política externa portuguesas entre 1735 e 1750.
Acontecimentos fora de Portugal
  • França-Luís XV condena ao exílio o parlamento de Paris, tomando o partido do arcebispo da própria cidade ao qual foram atribuída confiscação de bens temporais. As funções do parlamento de Paris são confiadas aos parlamentos das províncias.
  • Espanha-Fernando VI e o papa Bento XIV estabelecem uma concordata que reconhece ao soberano direitos de controlo sobre o clero espanhol.
  • Inglaterra-ratificação duma convenção secreta, com a Áustria e o ducado de Modena, para defesa mútua.

segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007

A paixão pela Ópera(1752)

  • Chega a Lisboa o arquitecto teatral Giovanni Bibiena,entre outros artistas, começando a construir-se um teatro provisório no Paço da Ribeira (Teatro do Forte).
A verdadeira paixão pela ópera que o casal régio tinha, havia sido reprimida pela longa doença de D.João V, adivinhando-se que passado o tempo de luto, se desenvolveria mais intensamente.

Toda a atenção dos primeiros tempo deste reinado iria centrar-se na construção da Casa da Ópera, começando contudo por um pequeno
teatro provisório do Paço da Ribeira.

D. José manteve contacto com importantes compositores italianos da época,como os napolitanos David Perez, contratado para as funções equivalentes às de director musical, como mestre da Capela Real de Música.

Perez, assim como Jommelli, compositor napolitano que também serviu a corte de Lisboa, era um dos compositores mais importantes ligados à aristocracia europeia na segunda metade do século XVIII.

Contrataram-se grandes cantores como o castrado Gizziello(** ver nota no final sobre os cantores castrati), ou do tenor Anton Raaf e do do arquitecto membro da famosa família dos famosos Bibena, Giovanni Carlo, acompanhado do pintor de cenários Azzolini e o especialista em engenharia teatral Petronio Mazzoni.

Em Junho de 1752 já se havia cantado uma serenata do paço em dia de aniversário do Rei, e ainda nesse ano se inauguraria o referido teatro provisório no Paço da Ribeira. representando-se a primeira das muitas óperas que terão lugar no anos seguintes, em vários lugares por onde o casal real permanecia. designadamente em Salvaterra de Magos e na Ajuda.

A Casa da ópera será inaugurada 3 anos mais tarde, conhecida como a Ópera do Tejo e que se localizava mais ou menos onde ficará mais tarde o Arsenal do Alfeite.

Outros acontecimentos em Portugal
  • Criação da capitania Geral de Moçambique autonomizada do Estado da Índia.
Moçambique foi com a sua própria formação portuguesa totalmente entregue ao Estado da Índia, para ser apanágio político, administrativo, social e económico.

Não há qualquer exagero em afirmar-se que Moçambique foi, em todos os aspectos da sua vida, uma colónia de Goa, sob a égide da Metrópole. Macau também, em grande parte. De facto, a importante colónia de Moçambique, desmesuradamente maior que Goa, só em 1752 cria a sua própria estrutura político-administrativa independente do Estado da Índia.

Super Goa

As razões desta alteração estão por esclarecer, devem contudo estar associadas a uma reforma administrativa que já vinha ocorrendo desde o tempo de D.João V no sentido de promover alguma economia e que viria a culminar com a não nomeação de vice-reis para a Índia, entre 1767 até 1808.
  • Outubro,13-Instalação do Tribunal da Relação no Rio de Janeiro-a Bahia perde o privilégio de ter o único Tribunal do Estado do Brasil.
Em 13 de Outubro, é instalada a Relação do Rio de Janeiro, com jurisdição sobre Minas Gerais e as Capitanias do Sul. O centro do poder económico estava mudando e o fluxo de ouro e diamantes exigia o desenvolvimento de um porto na região Sul-Sudeste.
  • Reconhecimento pelo rei dos seus irmãos, legitimados por D.João V, em 1742.
Como antecedente desta questão consultar Os meninos da Palhavã e ... outras mais

Estes bastardos irmão de D.José I, só seriam reconhecidos depois de alguma polémica e dum longo requerimento do seu mentor Frei Gaspar, feito pouco antes de falecer. Porém a admissão à presença real só viria a acontecer em Janeiro de 1755.

Os meninos de Palhavã, viriam a desempenhar um papel político relevante.

**Uma nota sobre os cantores Castrados.

Estes cantores eram castrados na fase pré-puberdade o que possibilitava alcançarem timbres de voz bem altos.

Estes cantores foram bastante populares na Itália durante os séculos XVII e XIX. A castração era feita em crianças, na maioria pobres, com a idade mínima de oito anos para que a voz aguda fosse preservada. Esta cirurgia possibilitava que as cordas vocais não crescessem sem impedir o crescimento do resto do corpo.

Proporcionava uma voz doce com uma grande capacidade pulmonar. Há época, eram castrados quatro mil garotos por ano que recebiam um treinamento castrati, mas os que chegaram ao estrelato foram poucos, a maioria cantava, além das óperas, em igrejas, como solistas.

Os que se tornavam famosos eram extremamente excêntricos e arrogantes.

Tinham um público cativo e por isso cobravam valores altíssimos. A prática de castração foi extinta da Itália em 1870. Na época, a castração era repudiada por um sector da sociedade. A Igreja Católica condenava a castração ameaçando os fiéis sob pena de excomunhão, mas ao mesmo tempo utilizou os cantores castrati em coros na Capela Sistina, no Vaticano até o ano de 1903.

sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

Impasse na aplicação do tratado de Madrid(1751)

Acontecimentos em Portugal
  • Aplicação do Tratado de Madrid de 1750
Este tratado assinado no ano anterior coma Espanha, pretendia fixar os limites territoriais do Brasil.

Desde a fundação da colónia de Sacramento em 1680, na foz do rio da Prata, encravada em território espanhol, era um permanente foco de tensões e conflitos militares.

A aproximação entre as duas cortes propiciou o tratado, mas trouxe muito descontentamento e resistências posteriores, que dificultaram a sua aplicação.

Pelo lado português Carvalho e Melo e pelo lado espanhol o marquês de Ensenada, secretário de Estado da Fazenda constituam a frente que em ambos os países se opunham à concretização desse tratado.

A favor do Tratado estavam pelo lado espanhol o ministro de Estado D. José Carvajal e o português s Alexandre de Gusmão que embora não fosse subscritor do documento figurava como seu principal redactor.

Com opositores deste calibre não é de estranhar, que no decorrer deste ano, não tivesse havido, nenhuma evolução no sentido da aplicação desse tratado.
  • Publicação em Lisboa da Recreação Filosófica do padre Teodoro de Almeida.
Teodoro de Almeida foi uma das principais figuras do Iluminismo português e provavelmente o que maior repercussão obteve no estrangeiro, muito por força desta sua obra que foi publicada em 10 volumes.

A sua vasta obra tem o interesse de percorrer toda a segunda metade do século XVIII, verificando-se nesse longo percurso o permanente anseio de conciliar a filosofia com o cristianismo.
  • O português Francisco Xavier de Oliveira adere à Igreja Anglicana, na Inglaterra.
O Cavaleiro de Oliveira como gostava de assinar as suas obras francesas, era professo da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tendo levado uma vida boémia. Herdou de seu pai o cargo de secretário da embaixada em Viena, que não chegou a exercer por divergências com o próprio embaixador.

A péssima situação financeira em que vivia, agravada com os problemas com a Inquisição portuguesas que boicotava a entrada dos seus escritos em Portugal

Mudou-se para Inglaterra em busca de melhor sorte, encontrando-se aí com o futuro marquês de Pombal, que o protegeu junto da corte. Acabou por voltar a casar e mais tarde por se converter ao luteranismo.

Entretanto, a Inquisição moveu-lhe um processo queimando o seu retrato num auto-de-fé.

  • Maio,21-Ratificação da pragmática anti-sumptuária de 1749 proibindo a importação de bens luxuosos salvo se transportados em navio portugueses.
A pragmática aprovada no anos derradeiros do reinado de D.João V e publicitada nos primeiros meses de 1750, suscitou alguma celeuma, mas não foi aplicado nas cerimónias de enterro e aclamação dos meses seguintes.

Essencialmente, a pragmática focava a proibição de objectos de luxo no vestuário e na ostentação.

O alvará agora publicado pretende ratificar esses princípios, que contudo se podem considerar irrelevantes em termos de impacto económico.

Acontecimentos fora de Portugal
Filósofo e hábil escritor e enciclopedista francês nascido em Langres, na região francesa da Champagne, um dos símbolos do Iluminismo e um dos ideólogos da revolução francesa. Filho de um mestre de cutelaria de boa posição, estudou com os jesuítas.

Estudou em Paris (1729-1732) onde se graduou em artes. Ainda estudou leis, literatura, filosofia e matemática, até ser contratado pelo produtor Andre Le Breton para traduzir uma enciclopédia inglesa (1745), a Cyclopaedia, do inglês Ephraim Chambers.

Organizou uma enciclopédia (Encyclopédie, 1751-1772) que pretendia reunir todo o conhecimento científico e filosófico da época, e que fosse o veículo das novas ideias contra as forças, para ele reaccionárias, da igreja e do estado, e que destacasse os princípios essenciais das artes e das ciências. Por essa razão os iluministas também são conhecidos como "enciclopedistas". Esta enciclopédia foi planeada juntamente com d’Alembert sob o título Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers(1750)
  • Janeiro,17-Morte do compositor italiano Tomaso Giovanni Albinoni.
Tomaso Giovanni Albinoni (Veneza, 14 de junho de 1671 — Veneza, 17 de janeiro de 1751) foi um compositor e violinista italiano, e grande produtor de dezenas de obras vocais e instrumentais.

Fica a peça mais conhecida do seu espólio musical o Adagio em G Menor.
Em rigor este Adagio foi adaptado pelo catalogador da sua obra, Remo Giazotto que em 1949 descobriu nas ruínas duma biblioteca em Dresden, que havia sido bombardeada na 2ª guerra Mundial, a sonata in G Minor




Quem quiser ouvir uma versão moderna deste Adagio com a voz de Lara Fabian clicar aqui.

terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Jornal do ano de 1750

(J.S.Bach- ano da sua morte ouvir mais abaixo a Toccata e Fuga BWV 565- tocada por Karl Richter)

Acontecimentos em Portugal-(de Julho a Dezembro)
  • Julho,31-Inicio de reinado de D.José I que durou 27 anos.
  • Agosto,03-Nomeação de Diogo Corte Real (filho) e Sebastião José Carvalho e Melo para as secretarias da Marinha e Negócios Estrangeiros.
Em 31 de Julho de 1750 morreu o monarca, e subindo ao trono seu filho D. José, a rainha viúva, que se tornara muito amiga da mulher de Sebastião de Carvalho, que fora nomeada sua dama de honor, instou com o novo soberano para que nomeasse o antigo embaixador secretario de Estado dos negócios da guerra e estrangeiros. Assim se fez logo no dia 3 de Agosto, sendo ao mesmo tempo nomeado secretario de Estado da marinha o ultramar Diogo de Mendonça Corte-real, filho do antigo e célebre ministro de D. João V. Com Pedro da Mota, secretário de estado, que o rei D. José encontrou em exercício, ficou o ministério completo.
(retirado de O portal da História)

Fontes conhecidas na altura indicavam em Maio desse ano que Carvalho e Melo não seria secretário, mesmo atendendo ao trabalho que havia desenvolvido em Londres, como "embaixador" e as boas recomendações de D.Luís da Cunha.

A morte de Azevedo Coutinho, secretário dos Negócios Estrangeiros, em 6 de Maio, vem tornar premente a substituição por "alguém".

Recaiu a escolha em Carvalho e Melo, pela influência da sua segunda mulher, junto da Rainha-mãe ambas austríacas de nascimento e curiosamente como se verá, por influência dos jesuítas.
  • Agosto,10-Grande incêndio do Hospital de Todos os Santos
Havia apenas bem poucos dias que estava no poder, quando rebentou o terrível incêndio do Hospital de Todos os Santos, a 10 de Agosto do 1750, que serviu logo para manifestar a energia e desembaraço de Sebastião de Carvalho

Hospital Real de Todos os Santos, ocupava toda a actual área da praça D. João I (Praça da Figueira), tendo por limites o Convento de S. Domingos a norte, a rua da Betesga a sul, rua do Borratem a nascente e a praça do Rossio a poente. O incêndio destruiu-lhe 11 enfermarias e quase todas as áreas adjacentes.

  • Setembro,07-Aclamação de D.José como rei de Portugal.
Como era norma, o acto de aclamação decorreu no Terreiro do Paço construindo-se uma enorme varanda no Paço da Ribeira, onde se colocaram os lugares para cada uma das Eminências convidadas e no centro um dossel com a cadeira régia.

Após grande cortejo que o Rei encabeçava seguido dos moços de câmara e restante pessoal de sua proximidade, depois os Grandes e títulos, com os oficiais da Casa real ao meio.

Os secretários de Estado, Corte-Real e Carvalho e Melo, o duque de Lafões, regedor de Justiça, atrás o infante D.Pedro, em funções de Condestável do Reino. Enfim um cortejo que exprimia hierarquias entre os nobres, o clero, os inquisidores numa palavra o poder nas sua totalidade.

Após o que se seguiu o juramento real, com as palavras habituais e as promessas de governar bem, que se esperava essencialmente consistisse em ministrar a justiça, fazendo respeitar os privilégios de cada um, ou seja manter as coisas nos seu lugar.

Depois competia ao povo aclamar, de preferência dando mostras de grande alvoroço e alegria, como gostavam de referir os cronistas nesse tempo.

Destacou-se desse acto a ausência da nobreza da província, quase exclusivamente se apresentavam neste acontecimento apenas a residente em Lisboa, sendo certo que o acto era deliberado já com antecedentes doutros acontecimentos no tempo de seu Pai.

Em seguida a relevância dada ao secretário de Estado Corte-Real e não de Carvalho e Melo, também na altura já secretário de Estado, mas pelos visto ainda de menor qualidade.

As mercês e distinções foram profusamente distribuídas pelo referidos Grandes e para Damas da corte ao serviço da Rainha, foram igualmente nomeadas muitas senhoras.

O novo reinado principiou, assim, sob o signo da liberalidade régia. Terminaria de forma bem diversa como depois se verá.


  • Setembro,09-Contrato de pesca de baleia na ilha de Santa Catarina no Brasil.
  • Setembro,11-Ludovice é nomeado arquitecto-mor do Reino e Eugénio dos Santos nomeado arquitecto-mor da cidade de Lisboa.
Johann Friedrich Ludwig (1670 - 1752) foi um arquitecto e ourives alemão. Natural da conhecido em Portugal como João Frederico Ludovice. Da Suábia, emigrou para a Itália, onde se converteu ao Catolicismo. Veio depois para Portugal, projectando entre outras obras o Palácio Nacional de Mafra (1717-1730), ao serviço de D. João V. Naturalizou-se, mais tarde, cidadão português.

A consagração suprema, foi dada porém, em 1750, por D. José I, que o nomeou Arquitecto-Mor do Reino, com a patente de Brigadeiro. No decreto de nomeação referem-se os serviços prestados “ tanto no Reino como fora dele”, pelo que é de presumir que a sua acção se tenha estendido também ao Brasil.

Eugénio dos Santos e Carvalho (Aljubarrota, 1711 — Lisboa, 5 de Agosto de 1760) foi um dos engenheiros militares, e o arquitecto responsável, pela reconstrução da Baixa Pombalina de Lisboa após o terramoto de 1755.

Foi aluno na “Aula de Fortificação e de Arquitectura Militar” onde entrou em 1735, mas já no ano seguinte estava a trabalhar nas fortificações de Estremoz, onde foi responsável pelas obras do Paiol de Santa Bárbara, Paço e Armazéns.

Posteriormente foi responsável pelas fortificações da Marinha e trabalhou na construção do Hospital das Caldas da Rainha, dirigidas por Manuel da Maia.


Em 1750 foi nomeado inspector das obras da Corte, entre as quais as obras dos Paços da Ribeira e dos outros Paços reais e arquitecto do Senado de Lisboa.

Homem de confiança do mestre Manuel da Maia, engenheiro-mor do Reino, a sua obra mais notável foi a Praça do Comércio, que abre os horizontes de Lisboa ao Rio Tejo.

  • Setembro,21-Juramento de D.José I como protector da Universidade de Coimbra.
  • Outubro-Carvalho e Melo impugna o projecto dum tratado comercial com a Espanha, mesmo assumindo que isso podería por em causa o Tratado de Madrid, de que era bastante crítico
  • Dezembro-Morre Manuel Pereira Sampaio ministro de Portugal em Roma.
  • Dezembro,05-Publicação dum novo esquema de de cobrança dos quintos do ouro do Brasil.
Esta foi a primeira grande medida respeitante ao Brasil, que foi tomada por Carvalho e Melo, alterando o sistema de cobrança dos quintos de ouro. Substituindo a lei que impunha a cobrança por capitação, substituindo-a pela avença, ou seja 100 arrobas ano era o tributo fixo para a Fazenda Real.

Acabava-se a proporcionalidade entre a riqueza arrecadada e o imposto a pagar e consequentemente a equidade, que a capitação assegurava.

Por certo que este novo sistema interessava aos mais poderosos e mais abonados, que ficariam a ganhar, enquanto outros iam ser mais penalizados.

  • Dezembro,14-Morre D.Nuno da Cunha de Ataíde cardeal-inquisidor.
Estudou em Coimbra Direito Canónico, tendo aí exercido também as funções de cónego da Sé. Foi ainda membro do Conselho de Estado, Inquisidor-mor dos Reinos de Portugal e Algarves, e capelão privado d'el-rei D. Pedro II.

Foi designado bispo de Elvas (1705), cargo que recusou, tendo em compensação recebido o título de bispo de Targa.

Clemente XI elevou-o ao cardinalato a 18 de Maio de 1712, com o título de Santa Anastácia.

Está sepultado na Sé de Lisboa.

Acontecimentos fora de Portugal-(de Julho a Dezembro)
  • Julho,31-Funeral de Johann Sebastian Bach
Foi um músico e compositor alemão do período barroco da música erudita. Foi também um organista notável.

Bach é considerado por muitos, o maior compositor da história da música em todos os tempos, ainda que pouco reconhecido na altura em que viveu.

Muitas das suas obras reflectem uma grande profundidade intelectual, uma expressão emocional impressionante e, sobretudo, um grande domínio técnico em grande parte responsável pelo fascínio que diversas gerações de músicos demonstraram pelo Pai Bach, especialmente depois de Felix Mendelssohn que foi um dos responsáveis pela divulgação da obra de Bach, até então bastante esquecida.


J.S.Bach-Toccata e Fuga BWV 565 por Karl Richter uma das peças mais conhecidas de JS Bach


Foi Compositor Oficial da Corte de José II, Imperador da Áustria. Sua música foi bastante conhecida na sua época.

Há lendas a respeito do seu relacionamento com Wolfgang Amadeus Mozart, com quem conviveu, em Viena, até à morte deste.

Essas suspeitas datam da morte de Salieri até à actualidade e foram alimentadas pela peça de teatro de Peter Shaffer, a qual foi adaptada para o cinema, sob direção de Milos Forman, com o título Amadeus. O filme, vencedor de oito Óscares, em 1984, retrata um Salieri invejoso do génio de Mozart e medíocre musicalmente. Tal imagem é resultante da liberdade ficcional dos realizadores, não correspondendo à figura histórica do compositor.



quinta-feira, 13 de Setembro de 2007

A frouxidão do príncipe do Brasil



Parque da Sereia em Coimbra (clicar aqui)

Os últimos anos da vida de D.João V, corresponderam a um período de verdadeiro marasmo nacional, que correspondeu à doença do Rei e à regência da Rainha, num período que coincide com a morte em 1747 do seu principal valido o cardeal da Mota.

Deve pois referenciar-se esse período entre 1747 e 1750, como um tempo em que a doença de D.João V o afastou da governação ao mesmo tempo, que as lutas entre as principais facções dentro da corte se intensificavam, com a ascensão da influência de Frei Gaspar da Encarnação, uma vez desaparecido o cardeal da Mota.

Descendente dos Condes de Santa Cruz, franciscano, a intimidade com D.João V, acontecia já de há muito anos, pois foi à sua guarda que ficaram os já aqui referidos filhos bastardos de el-rei, conhecidos como os meninos da Palhavã, talvez esta a razão da antipatia que a Rainha D.Maria Ana lhe votava.

O outro pólo congregador de influência na Corte por esta altura era Alexandre de Gusmão, secretário particular do Rei desde 1730 até á sua morte. Brasileiro, teve naturalmente grande importâncias nas decisões tomadas sobre aquela importante parte do reino.

Homem de grande cultura, frequentou a Sorbonne, e foi embaixador em Roma.


Foi pois em torno destes dois homens que se moveram todas as influências, muito embora se possa em verdade dizer que o franciscano Gaspar da Encarnação, (nascido Gaspar Moscoso e Silva) , havia ganho a Gusmão nesse computo de jogo do poder.

Claro que os derrotados, murmuravam contra o príncipe do Brasil, D.José, por não por cobro por frouxidão aos desmandos de Frei Gaspar.


domingo, 9 de Setembro de 2007

Uma princesa descontente

Ao contrário do que acontecia, noutras cortes, ou mesmo na tradição monárquica portuguesa, o príncipe D.José e sua esposa não tiveram casa separada, viveram sempre junto do rei D.João V e da Rainha.

Atendendo a que só aos 36 anos D.José herdou a coroa portuguesa por morte de seu pai, viveu muita da sua vida de adulto e já casado sem a independência que o casal deveria ter e que causou alguma tensão, conforme se pode extrair da inúmera correspondência trocada pela jovem princesa com a sua família.

O estilo austero e maçador da corte portuguesa, foi diversas vezes relatado para Madrid, naturalmente que ao princípio mais ténue, mas cada vez mais frequente à medida que o tempo ia passando, como é natural.

Aconteciam alguns eventos musicais, de que a corte em geral gostava, em especial a jovem princesa, mas a quantidade não era suficiente, por certo bem menor do que a que havia na corte espanhola, pois durante todo o reinado de D.João VI só se terão representado 6 óperas todas cómicas, apenas durante o Carnaval.

Assistiu por certo à representação da primeira ópera de António José da Silva O Judeu que foi “Vida do Grande D.Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança”, que se representou no Teatro do Bairro Alto em Lisboa em Outubro de 1733.

D.Mariana Vitória era uma apaixonada pelo canto e terá "contagiado" o príncipe, o que se irá reflectir no seu futuro reinado, nomeadamente entre 1750 e 1755.

Ela sempre referia o seu contentamento por esses espectáculos, referindo que era o "nosso único entretenimento". Quanta tristeza deixava transparecer nas sua cartas, por não poder assistir em Madrid, às exibições do cantor castrado Farinello, o mais famoso na altura.

A progressiva atracção da Rainha D.Maria Ana de Áustria pela religião, foi tornando a vida na corte cada vez mais austera, contribuirá para o avolumar do descontentamento da princesa, pelo regime tirânico instituído pela Rainha, levando a jovem princesa que chega a dizer a seu pai "se não fosse a ternura que tenho pelo meu príncipe pedir-vos-ía que me tirassem de uma tão grande escravatura" assim se referia ela ao ambiente que se vivia na corte.



quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

Nascimento da primeira filha-D.Maria

Em 17 de Dezembro de 1734, nasce a primeira filha de D.José e de D.Mariana Vitória, assistida por um cirurgião espanhol enviado expressamente pelos Reis de Espanha.

Foi-lhe dado o nome de Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, o título de Princesa da Beira e que viria a ser coroada Rainha de Portugal como D.Maria I.


Apadrinhada pelo avôs, D.João V e Filipe V, é certo que este nascimento, não foi o ideal, atendendo ao facto de sempre se esperar que o nascimento dum filho varão se ajustava melhor aos desígnios da sucessão.

Bem patente nessa intenção o facto da atribuição do título de princesa da Beira a D.Maria, reservando-se o título de príncipe do Brasil ao futuro varão.

Tal não viria a acontecer porque este jovem casal só teve filhas, só mais tarde quando as esperanças se desvaneceram, foi-lhe então atribuído o título de princesa do Brasil.

sábado, 25 de Agosto de 2007

A real noite de nupcias

Foi o rei D.João V que anunciou à jovem princesa que nessa noite de 31 de Março de 1732, iria dormir pela primeira vez com o príncipe D.José seu marido, assim o relata D.Mariana Vitória em carta a seus pais, descrevendo a lágrimas de alegria que o Rei e a Raínha verteram nessa noite.

Continua descrevendo a sua noite nupcial,( segundo nos é relatado na biografia de D.José da autoria de Nuno Monteiro, aqui amplamente citado)na qual foi acompanhada pela Rainha que a penteou e meteu na cama. tendo chegado depois D.João V acompanhado pelo príncipe metendo-o na cama e retiraram-se cobrindo-os de bênçãos.

Depois o meu Príncipe começou a cumprir o seu dever muito bem-continua a princesa-No outro dia levantá-mo-nos às dez horas e quando eu estava na toilete ele deu-me uma peça de brilhantes para o pescoço.

Havia muitas dúvidas quanto á virilidade de D.José, atendendo á ua menor robustez e flacidez nos joelhos quando anda em contrate com o vigor demonstrado pela sua sereníssima esposa, apreensões imputáveis a observadores espanhóis, quando ao que parece tudo teria corrido muito bem, mau grado a apregoada debilidade real, por falta de exercício, não se confirmou.


quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

Bach estreia a Paixão segundo S.Mateus-1729

A Paixão Segundo S.Mateus foi apresentada ela primeira vez na Sexta-feira de paixão em 1729 na Igreja de São Tomás em Leipzig. Embora Bach tenha alterado a orquestração pois e 1736 já incluía dois orgãos na orquestração.

Esta oratória representa o sofrimento e a morte de Cristo segundo aquele evangelho e tem uma duração de 2 horas e meia, sendo a sua obra mais extensa

Trata-se, sem dúvida alguma, de uma das obras mais importantes de Bach e uma das obras-primas da música ocidental.

São esta e a Paixão segundo São João as únicas Paixões autênticas do compositor conservadas em sua totalidade. A Paixão segundo São Mateus consta de duas grandes partes constituídas de 68 números, em que se alternam coros(5), corais, recitativos, ariosos e árias.

Para lá da mera apreciação estética, é uma música paradoxal: é inegável que se constrói em cima de um culto da dor e da culpa, verdadeiramente doentio, que o cristianismo histórico cultivou.

Por outro lado, atinge níveis de beleza que, dizem alguns, flutuam longe acima da divisão ordinária entre alegria e dor – um estado que somente os místicos parecem compreender.

Clicar aqui para ouvir uma passagem

texto compilado de Wilkipédia

quinta-feira, 9 de Agosto de 2007

O casamento


(Palácio de Vendas Novas)

O primeiro facto importante da vida de D.José foi o seu casamento no dia 19 de Janeiro de 1729 ainda com 14 anos, com Mariana Vitória filha de Filipe V de Espanha, apenas com 11 anos, filha do segundo casamento do rei de Espanha com Isabel Farnésio.

Na realidade tratou-se dum duplo casamento, pois também se negociou o casamento de D.Maria Bárbara, filha de D.João V, com o infante Fernando, futuro Fernando VI, também filho de Filipe V do seu primeiro casamento com Maria Luisa de Saboia.

As negociações prévias, para a realização destes casamentos, foram por demais complicadas e a isso faço referência no blogue que dedico ao rei D.João V seu pai
.

Quanto aos casamentos propriamente dito, começaram nos dias 7 e 8 de Janeiro, com a partidas das respectivas famílias reais em direcção à fronteira de Badajoz.


A viagem da família real que começou por ser de bergantim até à Aldeia Galega, nome porque era conhecido nesse tempo a localidade, que hoje reconhecemos como Montijo, com foral atribuído desde 1514 por D.Manuel I.

Depois já uma comitiva mais alargada, seguiu viagem que durou 9 dias até à chegada a Elvas no dia 16, altura em que se juntaram as duas comitivas.

O dia 17 foi destinado à troca de cumprimentos e presentes e no dia 19 realizou-se então a cerimónia que decorreu num palácio de madeira especialmente construído para o efeito, sobe o rio Caia,metade sobre o lado espanhol e a outra metade sobre o lado português.

O duplo casamento motivou que a referida construção em madeira, fosse ricamente decorada por preciosas tapeçarias. Como a decoração foi repartida entre as duas coroas, pode antever-se a competição que daí terá ocorrido entre "os dois monarcas mais opulentos da Europa, aqueles que tinham por tributários dos seus tesouros, as minas de prata do Peru e as de oiro e diamantes do Brasil".


Deu-se então a 19 a respectiva "troca de princesas", retirando-se depois os respectivos monarcas, para Elvas e Badajoz, onde se teriam então realizado os festejos que se prolongaram até ao dia 27 de Janeiro.


D.José e a futura rainha só regressaram a Lisboa no dia 12 de Fevereiro , tendo o desembarque do bergantim real sido realizado em frente aos jardins do palácio de Belém, seguindo-se um Te Deum, beija-mão real na Patriarcal e fogo de artifício do Castelo de S.Jorge.


Naturalmente que atendendo à idade dos noivos a consumação do casamento foi adiada, só vindo a acontecer em 1732, quando D.Maria Vitória, completou 14.


Na realidade mesmo sendo tão jovem era a segunda vez porque passava por esta situação, pois já anteriormente havia "casado "com Luís XV de França quando tinha 3 anos de idade e o seu noivo apenas 11.

O Palácio de Vendas Novas na foto acima reproduzida, hoje edifício da Escola Prática de Artilharia, foi mandado construír por D.João V, para que a comítiva real ao duplo casamento, lá pudesse prenoitar duas noites, uma à ida para o Caia outra na vinda.

quinta-feira, 19 de Abril de 2007

O nascimento e a educação

Filho de D.João V e de D.Maria Ana de Áustria.

D. José I nasceu em Lisboa, a 6 de Junho de 1714, recebendo o nome de José Francisco António Inácio Norberto Agostinho, nome sem tradições na onomástica real, atribuído provavelmente, em homenagem ao Imperador D.José da Áustria seu tio que havia falecido em 1711. Embora não tenha nascido sucessor da coroa portuguesa, por não ser primogénito, logo em Outubro do mesmo ano, devido ao falecimento do seu irmão Pedro, veio a adquirir esse estatuto.

Com habitualmente o seu nascimento foi festejado com repiques de sinos por toda a cidade de Lisboa, muito embora tenha nascido ás 10 horas da noite duma quinta-feira.

Foi baptizado a 27 de Agosto de 1714, sendo afilhado de Luís XIV e da Imperatriz Isabel Cristina mulher de Carlos VI, do Sacro Império.

Os seus primeiros tempos de infância passou-os junto de sua mãe, recebendo a sua influência altamente religiosa, bem como a do seu confessor o jesuíta António Stief que lhe ministrou as primeiras letras de Latim.

Recebeu a educação adequada a um Príncipe do seu tempo, no domínio das ciências e das línguas bem como da "nobre arte da Cavalaria". Muito embora se saiba pouco sobre a sua educação musical, ao contrário da sua irmã D.Maria Bárbara , que beneficiou dos ensinamento dum dos grande músicos do seu tempo Domenico Scarlatti, que com ela seguiu para Espanha quando do seu casamento, o certo é que ficou conhecida a grande paixão de D.José I pela ópera italiana, muito embora também se possa presumir que a mesma lhe tenha sido incutida pela sua futura mulher D.Mariana Vitória.

Não se pense contudo que houve unanimidade de opiniões entre os historiadores, acerca da educação de D.José , para alguns muito embora fosse inequívoca a educação recebida durante a primeira infância, parece que a mesmo não aconteceu ao logo da sua juventude, de tal forma que se afirmava quando sucedeu a seu pai que "se achava sem instrução alguma da arte de reinar".

Existem afirmações extraídas da correspondência da sua mulher para seus pais , onde diz que "ele (o rei) não conhece suficientemente bem o francês para entender tudo e vos responder", ou mesmo alguns elementos extraídos através de embaixadores franceses na corte portuguesa, que confirmam a fraca aptidão de D.José, para dialogar na língua que na época se usava na actividade diplomática.