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segunda-feira, 7 de abril de 2008

O Processo dos Távoras(III)


O tempo que mediou entre a leitura da sentença e a execução das penas foi escassa, logo no dia seguinte dia 13 de Janeiro de 1759, tiveram início as mesmas que se revestiram de enorme violência, não só quanto à dureza das penas em si mesmo, como também pela forma como foram aplicadas.

O local escolhido foi a Praça do Cais no lugar de Belém, em sítio alto, para que todo o povo pudesse ver as execuções.

A primeira a ser sentenciada foi a marquesa de Távora, D.Leonor, que chegou acompanhada de largo cortejo

Depois uma caixa negra que se movia vagarosamente entre dois padres. Era a cadeirinha da Marquesa de Tavora, D. Leonor. Alas de tropa ladeavam o préstito, e á volta do tablado postaram-se os juizes do crime, aconchegando as capas das faces varejadas pelas cordas da chuva. Do lado da barra reboava o mugido das vagas que rolavam e vinham chofrar espumas no parapeito da caes. Havia uma escada que subia para o patíbulo. A marquesa apeou da cadeirinha, dispensando o amparo dos padres. Ajoelhou no primeiro degrau da escada, e confessou-se por espaço de 50 minutos.
...
Trajava de setim escuro, fitas nas madeixas grisalhas, diamantes nas orelhas e num laço dos cabellos, envolta em uma capa alvadia roçagante.

Assim tinha sido presa um mez antes. Nunca lhe tinham consentido que mudasse camiza nem lenço do pescoço. Receberam-a tres algozes no topo da escada, e mandaram-a fazer um giro no cadafalso para ser bem vista e reconhecida.

Depois mostraram-lhe um por um os instrumentos das execuções, e explicaram-lhe por miudo como haviam de morrer seu marido, seus filhos, e o marido de sua filha.

Mostraram-lhe o masso de ferro que devia matar-lhe o marido a pancadas na arca do peito, as thesouras ou aspas em que se haviam de quebrar os ossos das pernas e dos braços ao marido e aos filhos, e explicaram-lhe como era que as rodas operavam no garrote, cuja corda lhe mostravam, e o modo como ella repuchava e estrangulava ao desandar do arrôcho.

A marqueza então succumbiu, chorou muito anciada, e pediu que a matassem depressa.

O algoz tirou-lhe a capa, e mandou-a sentar n’um banco de pinho, no centro do cadafalso, sobre a capa que dobrou devagar, horrendamente devagar. Ella sentou-se. Tinha as mãos amarradas, e não podia compôr o vestido que cahira mal. Ergueu-se, e com um movimento do pé consertou a orla da saia.

O algoz vendou-a; e ao pôr-lhe a mão no pescoço, - não me descomponhas - disse ella, e inclinou a cabeça que lhe foi decepada pela nuca, de um só golpe.»

Créditos : publicado na Revista "História" Nº49 - Novembro de 1982

Depois seguiram-se os restantes. Primeiro o José Maria, que tinha resistido à tortura prévia e que se encontravam em muito mau estado físico, foi garroteado enquanto os ajudantes do carrasco lhe batiam com macetes de ferro quebrando-lhe os ossos do corpo.
Depois Luís Bernardo chamado do marquês moço e o seu cunhado D.Jerónimo de Ataíde o Conde de Atouguia, bem como os 3 criados mais próximos do duque de Aveiro, todos sentenciados da mesma forma que os anteriores.
Em crescendo e em forma de espectáculo ficaram para o fim os principais suspeitos, primeiro o marquês de Távora, Francisco de Assis,acabando depois de lhe serem mostrados os despojos dos antecedentes sentenciados,foi então sentenciado com uma maça de ferro que pesava 18 arráteis que lhe batendo sobre o peito e finalmente na cara, lhe causou grande sofrimento antes de morrer.
Igual processo se seguiu para com o último condenado o duque de Aveiro, D.José Mascarenhas, que morrendo de igual modo que o antecessor, sofreu mais por certo, atendendo ao facto do carrasco ter falhado o primeiro golpe.

Após as sentenças cumpridas se lançou fogo ao cadafalso.

Segue um pequeno filme resumo que encontrei, baseado no Processo dos Távoras de Francisco Moita Flores


segunda-feira, 31 de março de 2008

O Processo dos Távoras(II)

A acusação formulada no julgamento que se seguiu e que decorreu nos primeiros dias do mês de Janeiro de 1759, foram baseadas nas confissões do Duque de Aveiro D.José de Mascarenhas,

Concluiu-se daí que réu fora movido por questões das comendas da casa de Aveiro, insinuando-se que dado o seu poderio o duque de Aveiro, "já não tinha mais para subir, se não para o trono sendo Rei".

A acusação compunha a aproximação aos jesuítas, após a expulsão daqueles do paço, ordenada por Sebastião José, coligando-se todos na oposição ao Rei e envolvendo nessa conjugação a marquesa de Távora, D.Leonor.

Aliás a condenação da "marquesa velha" (assim era referenciada), servia para estabelecer a culpabilidade dos jesuítas, onde Gabriel Malagrida funcionava como seu líder espiritual e também a única forma de extinguir a casa do Távoras, pois fora ela e não o seu marido, que sucedera nos respectivos morgados, títulos e bens.

A sentença final foi proferida, a 12 de Janeiro de 1759, no Palácio da Ajuda, considerando o veredicto que todos os réus eram, de facto, culpados. O Duque de Aveiro, os marqueses velhos de Távora, seus filhos Luís Bernardo e José Maria e o Conde de Atouguia foram condenados à pena capital. O mesmo sucedeu com Brás José Romeiro, João Miguel, Manuel Alves, António Alves Ferreira e José Policarpo de Azevedo.

Os Távoras negaram todas as acusações, mas foram condenados à morte. Os seus bens foram confiscados pela coroa, o seu nome apagado da nobreza e os brasões familiares foram proibidos. A varonia Távora e morgadio foram então transferidos para a casa dos condes de São Vicente.

A sentença ordenou a execução de todos, incluindo mulheres e crianças. Apenas as intervenções da Rainha Mariana e de Maria Francisca, a herdeira do trono, salvaram a maioria deles. A marquesa, porém, não seria poupada.


(continua noutro post a execução dos condenados)

*******Outros acontecimentos*********
  • Março-Fundação da Real Fábrica de Chapéus em Pombal
Localizada a três quilómetros de Pombal, a Quinta da Gramela é hoje propriedade particular. Em 1759 era constituída por casas térreas e só posteriormente é construído o solar, com uma capela adjacente. Aqui funcionou a Fábrica de Chapéus de Pombal.
  • Abril,11-Elevação da vila de Aveiro à categoria de cidade
Em sessão da Câmara Municipal, e estando presentes a nobreza e muito povo, João de Sousa Ribeiro da Silveira fez entrega da carta que elevou Aveiro à categoria de cidade.

Feita a publicação, saíram todos para a vizinha igreja matriz, onde se celebrava neste mesmo dia a festa de S. Miguel, e, ainda de manhã, «se cantou com boa música uma Missa solene e orou com admirável estilo o M.R.P.M. Frei Bernardo de S. José Magalhães, da Sagrada Religião dos Pregadores»; de tarde, «cantou-se o te-deum e se fizeram várias preces pela duração da vida, saúde e felicidades do nosso ínclito Soberano, a que se seguiu uma pomposa procissão por várias ruas, que estavam vistosamente ornamentadas».

As demonstrações de alegria, com «luminárias, iluminações de diferentes artifícios e encamisadas de primorosa ideia», continuaram nos dias seguintes; além disso, «correram em algumas tardes touros e tudo se fez com galantaria e grandeza»


(Gazeta de Lisboa, n.º 44, 1-11-1759; Padre João Vieira Resende, Monografia da Gafanha, pgs. 171-172; Arquivo, I, pgs. 21-27) –
  • Abril,19-Criação da Aula de Comércio
O ISCAL orgulha-se de ter uma história marcada pela tradição e pelo rigor académicos. Por isso relembra o seu passado para melhor projectar o seu futuro que quer construir.

Na segunda metade do século XVIII foi criada pelo Marquês de Pombal a "Aula do Comércio" (Alvará de 19 de Maio de 1759), há cerca de 240 anos.

Passaram então a ministrar-se "lições de aritmética, de pesos e medidas das diversas praças comerciais, de câmbios, de seguros e de escrituração comercial", com vista a dotar profissionais competentes para as organizações de negócios, cuja falta se fazia sentir.


Esta sua perspectiva faz com que seja o Marquês de Pombal justamente considerado um dos primeiros micro economistas do mundo.

O Curso, com duração de três anos, era ministrado por "lentes" (aquele que lê, professores …) cujo primeiro foi JOÃO HENRIQUE SOUSA e frequentado essencialmente por filhos de homens de negócios e também por escolares sem recursos.

O primeiro Curso iniciou-se em 1 de Setembro de 1759 e o interesse foi de tal ordem que o numero previsto de 50 alunos foi largamente ultrapassado, facto que já em 1765 obrigou a fixação do «numerus clausus» em 200 alunos ao candidatarem-se a primeira matricula.

Muitos nomes ilustres passaram pela Aula do Comércio sendo de salientar ALEXANDRE HERCULANO, e o diplomata CIPRIANO RIBEIRO FREIRE, o 1º BARÃO DE QUINTELA, autor do Dicionário Bibliográfico Português, e INOCÊNCIO FRANCISCO DA SILVA.
Créditos : Iscal

sexta-feira, 21 de março de 2008

O processo dos Távoras(I)

Entre todos os detidos, como suspeitos de envolvimento da tentativa de assassinato do rei D.José I que referi anteriormente, pode perguntar-se o que de comum poderiam ter todo esse extenso rol de suspeitos e na verdade a resposta pode ser simples e concisa , todos os inculpados ou tinham nascido nas casa de varonia Távora (os marqueses de Távora e os condes de Alvor), ou tinham casado com fidalgas nelas nascidas (duque de Aveiro, marquês de Alorna, conde de Atouguia), ou delas proximamente descendentes como o caso do conde da Ribeira Grande.

Razão porque esse mega processo acusatório fico conhecido como o Processo dos Távoras, sendo que muito mais simples é mencionar a meia dúzia de pessoas dessa proveniência familiar, que escaparam à acusação.

A base de toda a acusação iniciou-se na confissão de dois homens presos, como autores materiais do atentado que disseram te-lo feito a mando da família Távora, que conspirava para colocar o duque de Aveiro no trono. Rapidamente enforcados pode dizer-se que a consistência da acusação, se baseava, nesse "irrefutável depoimento," feito segundo se disse debaixo de forte tortura.

As outras provas assacadas aos réus eram mais subjectivas ainda, considerando-se que só os Távoras podiam conhecer os hábitos de itinerário do rei, quando se deslocava aos aposentos da sua amante Teresa Leonor, também ela uma Távora, como já disse anteriormente.

Acrescente-se ao processo a componente do desagravo da família Távora, pela honra do seu herdeiro, marido da "marquesinha" e o panorama acusatória ficava completo.

Surpreendente é a celeridade com que todo o processo decorreu, em cerca de um mês tudo ficou resolvido, foi claramente um processo político e sumaríssimo.
Alguns principais réus, nunca reconheceram o procedimento dos crimes de que eram acusados, e outros réus menores que só procederam a algumas confissões, após torturas.

O processo final encontra imensas lacunas, não aparecendo depoimentos nomeadamente de mulheres fidalgas que se sabe terem deposto .

O depoimento mais controverso foi o do Duque de Aveiro, que a princípio terá negado todas as acusações contudo perante a ameaça de tortura confessou os crimes, embora mais tarde tenha de novo voltado a retratar-se.

A confissões que lhe foram atribuídas são incoerentes e contraditórias, mas acabaram por envolver muita gente incluído os jesuítas, João de Matos e Malagrida