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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Acontecimentos no ano de 1756

No reinado de D. José I, por iniciativa do seu ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, foi criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, com sede no Porto, com o objectivo de limitar a preponderância dos ingleses no comércio dos vinhos do Alto Douro e resolver a crise porque então passava aquela região.

A resistência e a hostilidade dos ingleses e de boa parte da burguesia de negócios do Porto quanto à Companhia, antes e depois da sua formação, vão obrigar Carvalho e Melo, em 1756–1757, a tomar medidas duras e repressivas, mas determinantes para o sucesso daquela Instituição, que veio a ter um papel determinante no crescimento económico do Porto e de todo o Norte de Portugal.


  • Fevereiro, 10 - Derrota dos índios guaranis das Missões do Uruguai pelo exército conjunto luso-espanhol na batalha de Caiboté. Morreram 1.200 índios e 154 foram feitos prisioneiros.
Trata-se dos índios que se opunham à demarcação fronteiriça dos domínios luso-espanhóis


Retirado de : Instituto Camões

  • Novembro,30-Alvará que permite o estabelecimento dum fábrica de cal em Lisboa
William Stephens, um inglês que já em 1752 foi aceite como membro da Feitoria Inglesa em Lisboa, inicia a sua actividade industrial com uma fábrica de cal no bairro de Alcântara, com muita oportunidade pois a cal era muito necessária para a reconstrução de Lisboa.
Muito embora viesse a falir, quando anos mais tarde esse negócio deixou de ser rentável, mas este mesmo Stephens, que virá alguns anos mais tarde a solicitar alvará para o estabelecimento de fábrica de vidros na Marinha Grande.
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  • Idealização da Arcádia Lusitana

A agremiação foi idealizada em 1756 e fundada no ano seguinte pelos esforços de António Dinis da Cruz e Silva, Manuel Esteves Negrão e Teotónio Gomes de Carvalho, o primeiro dos quais se encarregou de lhe dar os estatutos por que se regeu.

Tratava-se duma agremiação um tanto semelhante às academias de literato sque tinham proliferado em Portugal no século anterior, e, como elas, também para apresentação das produções dos seus sócios e sua crítica, mas com uma orientação literária antagónica à daquelas, porquanto, ao passo que essas promoviam o desenvolvimento do barroco seiscentista, esta procurava combate-lo, seguindo algum tanto as lições dos iluministas portugueses da primeira metade do século XVIII.

Era sua divisa Inutlia truncat, significando inutlia (coisas inúteis) tudo aquilo que o critério novo considerava atentatório do bom gosto e dum programa neoclassicista a que se comprometiam os seus sócios.

Para levar a efeito estes propósitos, a Arcádia incluía entre a sua actividade não só a apreciação, segundo normas de censura muito precisas, das composições apresentadas, como ainda a discussão de teses de teoria literária comunicadas sob forma de dissertação por alguns dos seus orientadores.

Não foi muito duradoura, ou pelo menos sem incidentes, a vida desta agremiação. A um período de actividade entusiástica que vai de 1757 a cerca de 1760, seguiram-se períodos entrecortados de vicissitudes várias (afastamento dos sócios mais devotados, questões internas, ataque de literatos dissidentes, etc.), durante os quais a sua função se vai desvirtuando e caindo em franca dissolução, até seu desaparecimento por 1774.
Retirado de : Farol das letras

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Sebastião José-Ministro do reino

Apenas 2 semanas depois do cataclismo faleceu finalmente o Secretário de Estado do Reino, Pedro Mota e Silva já entrevado e velho, para o substituir foi nomeado em 4 de Maio, Sebastião José, muito embora já o fizesse desde a data da morte do anterior Secretário de Estado.

Foram 5 meses da máxima importância para o futuro de Sebastião José, obrigado também a trabalhar sobre grande pressão e urgência como naturalmente foram aqueles tempos após esse cataclismo de 1755.

O rei D.José admirou bastante todo esse trabalho e naturalmente que a promoção ao cargo mais poderoso do reino não se fez esperar, mas as invejas e as intrigas, contra Sebastião José fazia as primeiras surtidas.

Os contornos dessa conspiração contra o ministro do Reino, não são muito claras, mas traduziram-se no afastamento de Diogo de Mendonça Corte-Real, Secretário de Estado , que seria degredado para Mazagrão em 30 de Agosto de 1756.

Mais um homem influente do Reino, afastado da esfera do poder, com ou sem razão, injusta ou injustamente o facto é que esse afastamento apontava a preponderância de Sebastião José como "homem único de poder".

Outros implicados foram Martinho Velho Oldenberg e Francisco Xavier de Mendonça, um advogado já com querelas judiciais anteriores contra o Ministro, bem como mais alguns eclesiásticos, por acaso jesuítas.

Presos em 24 de Junho, condenados os civis à deportação para Angola e os jesuítas a Junqueira.

  • Maio,24-Bento XIV a pedido de D.José publica o breve consagrando o jesuíta São Francisco de Borja protector da monarquia portuguesa.
Nos primeiros dias após o terramoto D.José solicitara ao Papa esta medida que se destinava a proteger a monarquia portuguesa contra terramotos.

Todo um conjunto de missas que deveriam ser rezadas em todos os distritos, devendo todas ser rezadas nas igrejas da Companhia de Jesus e apenas onde as não houver, nas Catedrais ou nas igrejas principais.

  • Substituição do representante português em Roma, António Freire Encerrabodes por Francisco de Almada e Mendonça.

Esta substituição ocorre na sequência da conspiração contra Sebastião José, pelo envolvimento de Encerrabodes, bem como o José Galvão de Lacerda, representante em Paris

  • Novembro,1-Prisão de Gabriel Malagrida em Setúbal
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Já atrás referido o carácter do jesuíta Gabriel Malagrida, verdadeiramente místico, associando o flagelo do cataclismo de 1755 a castigo divíno pois segundo ele " Deus revelou que estava gravemente irado pelos pecados de todo o Reino e muito mais de Lisboa", chegando nos seus escritos a desafiar a própria família real, pelo que causava no afrontamento a Deus, as imoralidade e a devassa, dos espectáculos de ópera, as comédias mais obscenas, segundo ele, e os touradas.

Espectáculos que a própria família real patrocinava como foi o caso por exemplo da Ópera do Tejo já referida.

Essa afronta levou à prisão e ao desterro para Setúbal do jesuíta Malagrida.

Outras medidas foram tomadas como o Edital de proibição de leitura de livros ímpios sobre o Terramoto, em Outubro, ou a proibição da saída de pessoas de Lisboa, cujo pânico pela repetição sísmica um ano depois, era estimulado pela divulgação daquele tipo de profecias

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Acontecimentos no ano de 1755(1ªParte)

No 1º de Novembro de 1755, num sábado entre as 9 e meia e as 10 da manhã,a terra começou a tremer em Lisboa a princípio brando mas depois aumentou de intensidade por forma a que começaram a abater os edifício. Terá durado cerca de 7 minutos o mais importante que aconteceu em Portugal.

O fenómeno era frequente tendo acontecido os últimos no reinado anterior, mas não havia qualquer típo de preparação contra esse fenómeno, que diga-se foi acompanhado de um maremoto, tendo o mar investido sobre a cidade de Lisboa.
Para que o pânico e a destruição fosse ainda maior, também um enorme incêndio se ateou em vários pontos da cidade.

Lisboa era um cidade de cerca de 200 000 habitantes, uma das oito maiores cidades de Mundo, mais populosa que Madrid ou Roma. É preciso não esquecer que na altura era Lisboa a capital de um Império que se estendia por 4 continentes.

Tendo grosso modo se estimado que terão perecido entre 5 e 10% da população da cidade.

Também fora de Lisboa o sismo fez as suas vítimas e causou enormes prejuízos em povoações próximas de Lisboa como Cascais e Setúbal, mas muito intensamente em muitos locais do Alentejo e em especial no Algarve.

Em Lisboa mais de 2 terços dos edifícios ficaram inabitáveis. Todos os grandes hospitais, ficaram destruídos, bem como a maioria das igrejas e os edifícios públicos como o Paço Real da Ribeira, a Igreja Patriarcal e a Ópera do Tejo que havia sido inaugurado neste mesmo ano pelo anos da Rainha D. Mariana Vitória em 31 de Março.

Os bens e mercadorias que também ficaram destruídos, foi estimado recentemente por um historiador em cerca de 75% do PIB da altura, geraram como se deve calcular enorme crescimento da violência, devido ao caos motivado pela escassez de alimentos e de habitação.

Por outro lado porém, com o distanciamento que a análise fria da situação pode gerar, que o terramoto conduziu a uma verdadeira mudança em direcção à modernidade, como se verá em próximos acontecimentos.

Deve saborear-se o notável post publicado no blogue Tapornumporco clicando aqui

  • Março,31-Inauguração da Casa da Ópera (Ópera do Tejo) com a ópera Alessandro nell Indie.
Aproximadamente no local onde hoje fica o Arsenal da Marinha em LIsboa, foi inaugurado, foi construído esse teatro, sob o risco arquitectónico de Giovanni Carlo Bibiena, filho de outro famoso arquitecto, Francisco Bibiena. A construção terá sido dirigida por João Frederico Ludovice, que já trabalhara no Convento de Mafra.

Segundo diziam alguns na altura que não havia na Europa , teatro de semelhante gosto e riqueza, Com capacidade para cerca de 600 pessoas, cuja dimensão permitia que as assistências ultrapassem os círculos mais limitados da coroa, não se restringindo apenas aos nobres mais próximos do Rei.

As estreia aconteceu com a ópera Alessandro nell Indie de David Perez, segundo libretto de Pietro Metastasio, tendo sido contratados os melhores interpretes para uma espectacular encenação.

Infelizmente aquilo que teria sido um edifício espectacular ficaria integralmente destruído em Novembro desse mesmo ano.
  • Junho,06-Estabelecimento da Companhia geral do Grão-Pará e Maranhão
Esta companhia foi fundada em 1755, com o poder de monopólio estabelecido num prazo de vinte anos , com uma estrutura idêntica a outras companhias anteriormente formadas, com corpo de accionistas e funcionários administrativos.
Caracterizadas por forte componente estatal e monopolista, como o comércio de escravos e o transporte marítimo.

A ideia a criação desta companhia partiu de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão de Carvalho e Melo o futuro marquês de Pombal e governador que já em 1754 o alertava para o predomínio também económico dos jesuítas, escrevendo: “como os Jesuítas se viram senhores absolutos desta gente, os indígenas e de suas povoações, como se foram fazendo senhores das maiores e melhores fazendas deste Estado, vieram a absorver naturalmente todo o comércio, assim dos sertões, como particular desta cidade”*.

Mais adiante continuava: “como neste Estado não é rico o que tem muitas terras, senão aquele que tem maior quantidade de índios”, sendo pois os religiosos “senhores dos índios e por consequência senhores de tudo”, os colonos sentiam-se “pobres, miseráveis e perseguidos pelas ordens religiosas”.

É este o panorama que influência a criação da Companhia Geral e por certo a inflexão que irá motivar a atitude de Sebastião de Carvalho e Melo para com aquela Ordem religiosa, que sempre até aí o tinha apoiado, por influência da entretanto falecida Rainha-mãe e do seu confessor o jesuíta José Ritter.

Entretanto os índios eram declarados livres e o governo das missões dirigidas por jesuítas, iria desaparecer, passando a ser administradas pela coroa.

Já em Abril tinha sido publicado outro alvará, que declara isentos de qualquer infâmia quantos casassem com índias da América.


terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Acontecimentos no ano de 1754

  • Início da construção da Torre dos Clérigos por Nicolau Nasoni
Para que não haja confusão convém dizer que quando se fala em Clérigos, na cidade do Porto, deve falar-se num conjunto arquitectónico, composto pela Igreja, pela Torre.

A obra inicia-se em 1732, com a construção da Igreja, obras que foram bastante demoradas, pois estiveram interrompidas cerca de 11 anos, só sendo inaugurada em 1750.

Nicolau Nasoni-A vinda para Portugal

A construção da Torre inicia-se mais tarde, bem como a construção duma enfermaria e duma secretaria.

A torre com 75 metros de altura e 240 degraus, foi terminada entre 1757 e 1763.

Curiosamente existe grande semelhança ente esta torre e a Torre Nueva da Sé de Zaragoza, da autoria de Gian Bautista Contini, muito embora se possa admitir que Nasoni possa não ter tido conhecimento dessa obra, fica a ideia de que no mínimo ambos tinham conhecimento das obras do classicismo romano do século XVII.

  • Manuel da Maia é nomeado engenheiro-mor do Reino
Quando morreu Manuel da Maia tinha a patente de Brigadeiro de Infantaria com exercício de Engenheiro, donde se retira a ideia da sua formação como engenheiro militar e por certo um dos mais importantes.

Nascido humildemente em 1677, foi nomeado em 1754 mestre-de-campo general com o exercício de engenheiro-mor do Reino

A longa vida e carreira de Manuel da Maia tiveram os seus pontos mais altos na superintendência das obras do Aqueduto das Águas Livres, no salvamento do recheio da Torre do Tombo a seguir ao Terremoto e na elaboração do programa de reconstrução de Lisboa.
  • Fevereiro,27-Morte o primeiro cardeal-patriarca D.Tomás de Almeida.

Nasceu em 1670, em Lisboa. Foi Bispo de Lamego (1706), Bispo do Porto (1709) e o primeiro Patriarca de Lisboa (1716). O Papa Clemente XII fê-lo Cardeal em 20 Dezembro de 1737.

Sucedeu-lhe D. José Manuel da Câmara, que nasceu em Lisboa a 25 de Dezembro de 1686. Bento XIV criou-o Cardeal em 10 de Abril de 1747. A 10 de Março de 1754 foi eleito Patriarca de Lisboa.

Sucederam-se até hoje dezasseis patriarcas à frente da Igreja lisbonense, de D. Tomás de Almeida a D. José Policarpo: os patriarcas de Lisboa são sempre feitos cardeais no primeiro consistório a seguir à sua nomeação para esta Sé.
  • Agosto,14-Morte de D. Maria Ana de Áustria, esposa de D. João V.
Fundou o convento de S. João Nepomuceno em Lisboa, para carmelitas alemães, onde quis ser sepultada num magnífico mausoléu, e como era muito amiga da sua pátria recomendou no testamento que o seu coração fosse levado para o jazigo dos seus antepassados na Alemanha. 0 país deve a esta rainha a protecção ao ministro Sebastião José de Carvalho e Mello, depois marquês de Pombal, sendo ela quem, depois da morte de D. João V, a quem ainda sobreviveu quatro anos, recomendou a seu filho D. José que o nomeasse ministro.

A Rainha D.María Ana da Áustria
(clicar para ler mais)
  • O jesuíta italiano Gabriel Malagrida retorna à Portugal.
Desde criança deu provas de engenho e ao mesmo tempo duma tendência exagerada para o misticismo. Depois de completar em Milão os seus estudos entrou na Companhia de Jesus, em Génova, a 27 de Setembro de 1711.

Cedo foi destacado como missionário para o Maranhão.

Na narrativa das suas missões não se falava senão em vozes misteriosas que o avisavam, tudo são milagres e prodígios. Malagrida julgava-se favorito do céu.

Em 1749 veio para a Europa, com a fama de santo, vindo tratar de arranjar dotações para os vários conventos e seminários que fundara. Depois de trabalhosa viagem chegou a Lisboa, sendo acolhido como santo, e a imagem, que trazia consigo, foi conduzida em procissão para a igreja do colégio de Santo Antão. D. João V, nessa época, estava muito doente, e acolheu de braços abertos o santo jesuíta, fez-lhe todas as concessões que ele desejava, e chamou-o para junto de si na hora extrema.

Foi Gabriel Malagrida quem assistiu aos últimos momentos do monarca. Em 1751 voltou ao Brasil, mas não foi bem recebido no Pará, onde governava então o irmão do marquês de Pombal.

Em 1754 voltou a Lisboa, por ser chamado pela rainha, viúva de D. João V, D. Maria Ana de Áustria e encontrou no poder o marquês de Pombal. Este notável estadista que se propusera a regenerar Portugal, livrando-o da tutela dos jesuítas, não podia simpatizar com o "santo".

Não o deixando entrar na intimidade da rainha viúva, Malagrida partiu para Setúbal, onde depois teve a notícia da morte da soberana. 0 marquês de Pombal não se importou com aquele jesuíta santo, enquanto as suas santidades não contrariavam os seus projectos, mas o conflito sería inevitável.

(respigado do Portal da História)


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Início da Guerra Guaranítica(1753)

Os acontecimentos que tiveram o seu início neste ano e a que foi dado este nome, está intimamente relacionado com aplicação do Tratado de Madrid, assinado em 1750, mas que só em Setembro de 1752 os responsáveis de ambos os países ibéricos se reuniram para passar à aplicação prática do referido Tratado.

Por Portugal o responsável a Sul do Brasil era Gomes Freire de Andrade e por Espanha o marquês de Valdelírios. Se o acordo havia sido possível entre ambos os Países, em parte atendendo ao facto do casamento do rei de Espanha Fernando VI com D.Maria Bárbara de Bragança irmã de D.José ter aproximado as coroas, mas também pelo objectivos do ministro de Estado espanhol D.José de Carvajal y Lancaster, que defendia a aproximação pacífica a Portugal, no sentido de propiciar com o tempo a união dos dois reinos.

As dificuldades encontradas no terreno, deviam-se ao facto da concessão por Portugal a Espanha da colónia de Sacramento implicar receber em troca o território da chamada região dos Sete Povos dos Índios do Uruguai dirigidos pelos jesuítas espanhóis e que Portugal pretendia ver povoados por populações idas das ilhas atlânticas.

Porém para que tal pudesse vir acontecer era necessário realizar uma "pequena tarefa", desalojar os índios que lá viviam. o que também colidia com os interesses das missões jesuítas que as controlavam.

Logo em Fevereiro deste ano um pequeno destacamento de tropas portuguesas e espanholas, seria atacado por índios, o mesmo acontecendo a outras tentativas que decorreram neste ano na região Guarani e que se iria arrastar por mais alguns anos.

Também a norte do Brasil impunha aplicar o Tratado de Madrid, para o que tinha sido nomeado no ano anterior Francisco Xavier de Mendonça Furtado, como governador e capitão-general do Pará e Maranhão, curiosamente irmão de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda secretario de Estado, já suficientemente influente para nomear seu irmão para este cargo, mas ainda não "absolutamente" poderoso, para determinar a política portuguesa.


  • Janeiro,09-Nasce em Setúbal Luísa Rosa de Aguiar Todi, cantora lírica
Luísa Todi nasceu em Setúbal, na freguesia de Nossa Senhora da Anunciada, a 9 de Janeiro de 1753, na actual rua da Brasileira, não criando grandes raízes na cidade, pois, os pais mudaram-se para Lisboa ainda ela era de tenra idade.

Luísa Rosa de Aguiar, nome de solteira, estreou-se, ainda como actriz, em 1767 ou 1768, no teatro montado na propriedade do Conde de Soure, em Lisboa, recitando com a irmã, as falas das personagens de Tartufo, de Molière.

Foi, também, aí que Luísa Aguiar conheceu Francesco Saverio Todi, violinista de origem italiana.

Em 28 de Julho de 1769, com apenas 16 anos de idade, Luísa casou com Todi, na Igreja de Nª Sª das Mercês, indo habitar no Pátio do Conde de Soure, perto do Teatro.

Um ano após o casamento, actuou no mesmo teatro, onde se estreou como actriz, mas, desta vez, como cantora, na ópera “Il Viaggiatore Ridicolo”, de Guiseppe Scolari. A partir desse momento, a carreira de Luísa Todi tomou outro rumo, apresentando-se logo no ano seguinte em Londres.

A 6 de Junho de 1772 actuou no Porto, cantando árias do compositor David Perez, mestre da Capela Real, passando a ser, figura de relevo na sociedade nortenha.
As críticas dos jornais, mesmo os estrangeiros, em relação à cantora não eram modestas, elogiando as capacidades vocais, o relevo que dava à expressividade e à emoção na caracterização das personagens que interpretava.

Londres, Paris, Berlim, Turim, Varsóvia, Veneza, Viena, São Petersburgo foram algumas das cidades em que Luísa Todi passou largas temporadas, alcançando consideráveis êxitos. Nessas ocasiões, conviveu de perto com a aristocracia europeia, como foi o caso de Frederico II da Prússia e Catarina II, imperatriz da Rússia.

“La Didone Abbandonata” talvez tenha sido, de entre todas as que cantou, a ópera onde alcançou maior êxito.

Até 1793 andou em tournée pela Europa e foi já com 40 anos de idade que voltou a Portugal para cantar nas festas da filha primogénita do príncipe regente, futuro D. João VI.

Este espectáculo foi uma excepção em Portugal, visto que D. Maria proibira as mulheres de actuarem em público. Apesar da autorização, a família real não esteve presente, nem a actuação de Luisa Todi foi devidamente referenciada.

Talvez por isso, pelas limitações impostas em Portugal, regressou ao estrangeiro, voltando a Portugal, mais concretamente ao Porto, em 1803, já viúva.

Com as invasões francesas, em 1809, Luísa Todi viu-se forçada a abandonar o Porto, perdendo, na fuga, grande parte dos bens, entre os quais se contavam jóias.

Em 1811, quando regressou a Lisboa, já era uma mulher amargurada, em parte pela morte de alguns dos seis filhos e por uma das filhas ter sido internada no Recolhimento de Rilhafoldes, destinado a doentes mentais.

Em 1813, Luísa Todi viveu na rua do Tesouro Velho, hoje, rua António Maria Cardoso, e mais tarde mudou-se sucessivamente para as ruas da Barroca e da Atalaia, Largo de S. Nicolau e Travessa da Estrela, onde morreu, em 1 de Outubro de 1833, com 80 anos de idade, cega devido a uma doença que tinha desde nova.

Fontes:
- “Cantores de Ópera Portugueses, 1º volume”, Mário Moreau
- “Setúbal e as suas celebridades”, Fran Paxeco
- “Setúbal no Século XVIII. As informações paroquiais de 1758”, Rogério Peres Claro

(retirado daqui)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

A paixão pela Ópera

  • Chega a Lisboa o arquitecto teatral Giovanni Bibiena,entre outros artistas, começando a construir-se um teatro provisório no Paço da Ribeira (Teatro do Forte).
A verdadeira paixão pela ópera que o casal régio tinha, havia sido reprimida pela longa doença de D.João V, adivinhando-se que passado o tempo de luto, se desenvolveria mais intensamente.

Toda a atenção dos primeiros tempo deste reinado iria centrar-se na construção da Casa da Ópera, começando contudo por um pequeno
teatro provisório do Paço da Ribeira.

D. José manteve contacto com importantes compositores italianos da época,como os napolitanos David Perez, contratado para as funções equivalentes às de director musical, como mestre da Capela Real de Música.

Perez, assim como Jommelli, compositor napolitano que também serviu a corte de Lisboa, era um dos compositores mais importantes ligados à aristocracia europeia na segunda metade do século XVIII.

Contrataram-se grandes cantores como o castrado Gizziello(** ver nota no final sobre os cantores castrati), ou do tenor Anton Raaf e do do arquitecto membro da famosa família dos famosos Bibena, Giovanni Carlo, acompanhado do pintor de cenários Azzolini e o especialista em engenharia teatral Petronio Mazzoni.

Em Junho de 1752 já se havia cantado uma serenata do paço em dia de aniversário do Rei, e ainda nesse ano se inauguraria o referido teatro provisório no Paço da Ribeira. representando-se a primeira das muitas óperas que terão lugar no anos seguintes, em vários lugares por onde o casal real permanecia. designadamente em Salvaterra de Magos e na Ajuda.

A Casa da ópera será inaugurada 3 anos mais tarde, conhecida como a Ópera do Tejo e que se localizava mais ou menos onde ficará mais tarde o Arsenal do Alfeite.

**Uma nota sobre os cantores Castrados.

Estes cantores eram castrados na fase pré-puberdade o que possibilitava alcançarem timbres de voz bem altos.

Estes cantores foram bastante populares na Itália durante os séculos XVII e XIX. A castração era feita em crianças, na maioria pobres, com a idade mínima de oito anos para que a voz aguda fosse preservada. Esta cirurgia possibilitava que as cordas vocais não crescessem sem impedir o crescimento do resto do corpo.

Proporcionava uma voz doce com uma grande capacidade pulmonar. Há época, eram castrados quatro mil garotos por ano que recebiam um treinamento castrati, mas os que chegaram ao estrelato foram poucos, a maioria cantava, além das óperas, em igrejas, como solistas.

Os que se tornavam famosos eram extremamente excêntricos e arrogantes.

Tinham um público cativo e por isso cobravam valores altíssimos. A prática de castração foi extinta da Itália em 1870. Na época, a castração era repudiada por um sector da sociedade. A Igreja Católica condenava a castração ameaçando os fiéis sob pena de excomunhão, mas ao mesmo tempo utilizou os cantores castrati em coros na Capela Sistina, no Vaticano até o ano de 1903.




sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Aconteecimentos no ano de 1751


  • Aplicação do Tratado de Madrid de 1750
Este tratado assinado no ano anterior coma Espanha, pretendia fixar os limites territoriais do Brasil.

Desde a fundação da colónia de Sacramento em 1680, na foz do rio da Prata, encravada em território espanhol, era um permanente foco de tensões e conflitos militares.

A aproximação entre as duas cortes propiciou o tratado, mas trouxe muito descontentamento e resistências posteriores, que dificultaram a sua aplicação.

Pelo lado português Carvalho e Melo e pelo lado espanhol o marquês de Ensenada, secretário de Estado da Fazenda constituam a frente que em ambos os países se opunham à concretização desse tratado.

A favor do Tratado estavam pelo lado espanhol o ministro de Estado D. José Carvajal e o português s Alexandre de Gusmão que embora não fosse subscritor do documento figurava como seu principal redactor.

Com opositores deste calibre não é de estranhar, que no decorrer deste ano, não tivesse havido, nenhuma evolução no sentido da aplicação desse tratado.
  • Publicação em Lisboa da Recreação Filosófica do padre Teodoro de Almeida.
Teodoro de Almeida foi uma das principais figuras do Iluminismo português e provavelmente o que maior repercussão obteve no estrangeiro, muito por força desta sua obra que foi publicada em 10 volumes.

A sua vasta obra tem o interesse de percorrer toda a segunda metade do século XVIII, verificando-se nesse longo percurso o permanente anseio de conciliar a filosofia com o cristianismo.
  • O português Francisco Xavier de Oliveira adere à Igreja Anglicana, na Inglaterra.
O Cavaleiro de Oliveira como gostava de assinar as suas obras francesas, era professo da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tendo levado uma vida boémia. Herdou de seu pai o cargo de secretário da embaixada em Viena, que não chegou a exercer por divergências com o próprio embaixador.

A péssima situação financeira em que vivia, agravada com os problemas com a Inquisição portuguesas que boicotava a entrada dos seus escritos em Portugal

Mudou-se para Inglaterra em busca de melhor sorte, encontrando-se aí com o futuro marquês de Pombal, que o protegeu junto da corte. Acabou por voltar a casar e mais tarde por se converter ao luteranismo.

Entretanto, a Inquisição moveu-lhe um processo queimando o seu retrato num auto-de-fé.

  • Maio,21-Ratificação da pragmática anti-sumptuária de 1749 proibindo a importação de bens luxuosos salvo se transportados em navio portugueses.
A pragmática aprovada no anos derradeiros do reinado de D.João V e publicitada nos primeiros meses de 1750, suscitou alguma celeuma, mas não foi aplicado nas cerimónias de enterro e aclamação dos meses seguintes.

Essencialmente, a pragmática focava a proibição de objectos de luxo no vestuário e na ostentação.

O alvará agora publicado pretende ratificar esses princípios, que contudo se podem considerar irrelevantes em termos de impacto económico.


terça-feira, 27 de novembro de 2007

Acontecimentos no ano de 1750

  • Julho,31-Inicio de reinado de D.José I que durou 27 anos.
  • Agosto,03-Nomeação de Diogo Corte Real (filho) e Sebastião José Carvalho e Melo para as secretarias da Marinha e Negócios Estrangeiros.
Em 31 de Julho de 1750 morreu o monarca, e subindo ao trono seu filho D. José, a rainha viúva, que se tornara muito amiga da mulher de Sebastião de Carvalho, que fora nomeada sua dama de honor, instou com o novo soberano para que nomeasse o antigo embaixador secretario de Estado dos negócios da guerra e estrangeiros. Assim se fez logo no dia 3 de Agosto, sendo ao mesmo tempo nomeado secretario de Estado da marinha o ultramar Diogo de Mendonça Corte-real, filho do antigo e célebre ministro de D. João V. Com Pedro da Mota, secretário de estado, que o rei D. José encontrou em exercício, ficou o ministério completo.
(retirado de O portal da História)

Fontes conhecidas na altura indicavam em Maio desse ano que Carvalho e Melo não seria secretário, mesmo atendendo ao trabalho que havia desenvolvido em Londres, como "embaixador" e as boas recomendações de D.Luís da Cunha.

A morte de Azevedo Coutinho, secretário dos Negócios Estrangeiros, em 6 de Maio, vem tornar premente a substituição por "alguém".

Recaiu a escolha em Carvalho e Melo, pela influência da sua segunda mulher, junto da Rainha-mãe ambas austríacas de nascimento e curiosamente como se verá, por influência dos jesuítas.
  • Agosto,10-Grande incêndio do Hospital de Todos os Santos
Havia apenas bem poucos dias que estava no poder, quando rebentou o terrível incêndio do Hospital de Todos os Santos, a 10 de Agosto do 1750, que serviu logo para manifestar a energia e desembaraço de Sebastião de Carvalho

Hospital Real de Todos os Santos, ocupava toda a actual área da praça D. João I (Praça da Figueira), tendo por limites o Convento de S. Domingos a norte, a rua da Betesga a sul, rua do Borratem a nascente e a praça do Rossio a poente. O incêndio destruiu-lhe 11 enfermarias e quase todas as áreas adjacentes.

  • Setembro,07-Aclamação de D.José como rei de Portugal.
Como era norma, o acto de aclamação decorreu no Terreiro do Paço construindo-se uma enorme varanda no Paço da Ribeira, onde se colocaram os lugares para cada uma das Eminências convidadas e no centro um dossel com a cadeira régia.

Após grande cortejo que o Rei encabeçava seguido dos moços de câmara e restante pessoal de sua proximidade, depois os Grandes e títulos, com os oficiais da Casa real ao meio.

Os secretários de Estado, Corte-Real e Carvalho e Melo, o duque de Lafões, regedor de Justiça, atrás o infante D.Pedro, em funções de Condestável do Reino. Enfim um cortejo que exprimia hierarquias entre os nobres, o clero, os inquisidores numa palavra o poder nas sua totalidade.

Após o que se seguiu o juramento real, com as palavras habituais e as promessas de governar bem, que se esperava essencialmente consistisse em ministrar a justiça, fazendo respeitar os privilégios de cada um, ou seja manter as coisas nos seu lugar.

Depois competia ao povo aclamar, de preferência dando mostras de grande alvoroço e alegria, como gostavam de referir os cronistas nesse tempo.

Destacou-se desse acto a ausência da nobreza da província, quase exclusivamente se apresentavam neste acontecimento apenas a residente em Lisboa, sendo certo que o acto era deliberado já com antecedentes doutros acontecimentos no tempo de seu Pai.

Em seguida a relevância dada ao secretário de Estado Corte-Real e não de Carvalho e Melo, também na altura já secretário de Estado, mas pelos visto ainda de menor qualidade.

As mercês e distinções foram profusamente distribuídas pelo referidos Grandes e para Damas da corte ao serviço da Rainha, foram igualmente nomeadas muitas senhoras.

O novo reinado principiou, assim, sob o signo da liberalidade régia. Terminaria de forma bem diversa como depois se verá.



quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A frouxidão do príncipe do Brasil



Parque da Sereia em Coimbra (clicar aqui)

Os últimos anos da vida de D.João V, corresponderam a um período de verdadeiro marasmo nacional, que correspondeu à doença do Rei e à regência da Rainha, num período que coincide com a morte em 1747 do seu principal valido o cardeal da Mota.

Deve pois referenciar-se esse período entre 1747 e 1750, como um tempo em que a doença de D.João V o afastou da governação ao mesmo tempo, que as lutas entre as principais facções dentro da corte se intensificavam, com a ascensão da influência de Frei Gaspar da Encarnação, uma vez desaparecido o cardeal da Mota.

Descendente dos Condes de Santa Cruz, franciscano, a intimidade com D.João V, acontecia já de há muito anos, pois foi à sua guarda que ficaram os já aqui referidos filhos bastardos de el-rei, conhecidos como os meninos da Palhavã, talvez esta a razão da antipatia que a Rainha D.Maria Ana lhe votava.

O outro pólo congregador de influência na Corte por esta altura era Alexandre de Gusmão, secretário particular do Rei desde 1730 até á sua morte. Brasileiro, teve naturalmente grande importâncias nas decisões tomadas sobre aquela importante parte do reino.

Homem de grande cultura, frequentou a Sorbonne, e foi embaixador em Roma.


Foi pois em torno destes dois homens que se moveram todas as influências, muito embora se possa em verdade dizer que o franciscano Gaspar da Encarnação, (nascido Gaspar Moscoso e Silva) , havia ganho a Gusmão nesse computo de jogo do poder.

Claro que os derrotados, murmuravam contra o príncipe do Brasil, D.José, por não por cobro por frouxidão aos desmandos de Frei Gaspar.


domingo, 9 de setembro de 2007

Uma princesa descontente

Ao contrário do que acontecia, noutras cortes, ou mesmo na tradição monárquica portuguesa, o príncipe D.José e sua esposa não tiveram casa separada, viveram sempre junto do rei D.João V e da Rainha.

Atendendo a que só aos 36 anos D.José herdou a coroa portuguesa por morte de seu pai, viveu muita da sua vida de adulto e já casado sem a independência que o casal deveria ter e que causou alguma tensão, conforme se pode extrair da inúmera correspondência trocada pela jovem princesa com a sua família.

O estilo austero e maçador da corte portuguesa, foi diversas vezes relatado para Madrid, naturalmente que ao princípio mais ténue, mas cada vez mais frequente à medida que o tempo ia passando, como é natural.

Aconteciam alguns eventos musicais, de que a corte em geral gostava, em especial a jovem princesa, mas a quantidade não era suficiente, por certo bem menor do que a que havia na corte espanhola, pois durante todo o reinado de D.João VI só se terão representado 6 óperas todas cómicas, apenas durante o Carnaval.

Assistiu por certo à representação da primeira ópera de António José da Silva O Judeu que foi “Vida do Grande D.Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança”, que se representou no Teatro do Bairro Alto em Lisboa em Outubro de 1733.

D.Mariana Vitória era uma apaixonada pelo canto e terá "contagiado" o príncipe, o que se irá reflectir no seu futuro reinado, nomeadamente entre 1750 e 1755.

Ela sempre referia o seu contentamento por esses espectáculos, referindo que era o "nosso único entretenimento". Quanta tristeza deixava transparecer nas sua cartas, por não poder assistir em Madrid, às exibições do cantor castrado Farinello, o mais famoso na altura.

A progressiva atracção da Rainha D.Maria Ana de Áustria pela religião, foi tornando a vida na corte cada vez mais austera, contribuirá para o avolumar do descontentamento da princesa, pelo regime tirânico instituído pela Rainha, levando a jovem princesa que chega a dizer a seu pai "se não fosse a ternura que tenho pelo meu príncipe pedir-vos-ía que me tirassem de uma tão grande escravatura" assim se referia ela ao ambiente que se vivia na corte.



quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Nascimento da primeira filha-D.Maria

Em 17 de Dezembro de 1734, nasce a primeira filha de D.José e de D.Mariana Vitória, assistida por um cirurgião espanhol enviado expressamente pelos Reis de Espanha.

Foi-lhe dado o nome de Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana, o título de Princesa da Beira e que viria a ser coroada Rainha de Portugal como D.Maria I.


Apadrinhada pelo avôs, D.João V e Filipe V, é certo que este nascimento, não foi o ideal, atendendo ao facto de sempre se esperar que o nascimento dum filho varão se ajustava melhor aos desígnios da sucessão.

Bem patente nessa intenção o facto da atribuição do título de princesa da Beira a D.Maria, reservando-se o título de príncipe do Brasil ao futuro varão.

Tal não viria a acontecer porque este jovem casal só teve filhas, só mais tarde quando as esperanças se desvaneceram, foi-lhe então atribuído o título de princesa do Brasil.

sábado, 25 de agosto de 2007

A real noite de nupcias

Foi o rei D.João V que anunciou à jovem princesa que nessa noite de 31 de Março de 1732, iria dormir pela primeira vez com o príncipe D.José seu marido, assim o relata D.Mariana Vitória em carta a seus pais, descrevendo a lágrimas de alegria que o Rei e a Raínha verteram nessa noite.

Continua descrevendo a sua noite nupcial,( segundo nos é relatado na biografia de D.José da autoria de Nuno Monteiro, aqui amplamente citado)na qual foi acompanhada pela Rainha que a penteou e meteu na cama. tendo chegado depois D.João V acompanhado pelo príncipe metendo-o na cama e retiraram-se cobrindo-os de bênçãos.

Depois o meu Príncipe começou a cumprir o seu dever muito bem-continua a princesa-No outro dia levantá-mo-nos às dez horas e quando eu estava na toilete ele deu-me uma peça de brilhantes para o pescoço.

Havia muitas dúvidas quanto á virilidade de D.José, atendendo á ua menor robustez e flacidez nos joelhos quando anda em contrate com o vigor demonstrado pela sua sereníssima esposa, apreensões imputáveis a observadores espanhóis, quando ao que parece tudo teria corrido muito bem, mau grado a apregoada debilidade real, por falta de exercício, não se confirmou.


quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Bach estreia a Paixão segundo S.Mateus-1729

A Paixão Segundo S.Mateus foi apresentada ela primeira vez na Sexta-feira de paixão em 1729 na Igreja de São Tomás em Leipzig. Embora Bach tenha alterado a orquestração pois e 1736 já incluía dois orgãos na orquestração.

Esta oratória representa o sofrimento e a morte de Cristo segundo aquele evangelho e tem uma duração de 2 horas e meia, sendo a sua obra mais extensa

Trata-se, sem dúvida alguma, de uma das obras mais importantes de Bach e uma das obras-primas da música ocidental.

São esta e a Paixão segundo São João as únicas Paixões autênticas do compositor conservadas em sua totalidade. A Paixão segundo São Mateus consta de duas grandes partes constituídas de 68 números, em que se alternam coros(5), corais, recitativos, ariosos e árias.

Para lá da mera apreciação estética, é uma música paradoxal: é inegável que se constrói em cima de um culto da dor e da culpa, verdadeiramente doentio, que o cristianismo histórico cultivou.

Por outro lado, atinge níveis de beleza que, dizem alguns, flutuam longe acima da divisão ordinária entre alegria e dor – um estado que somente os místicos parecem compreender.

Clicar aqui para ouvir uma passagem

texto compilado de Wilkipédia

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O casamento


(Palácio de Vendas Novas)

O primeiro facto importante da vida de D.José foi o seu casamento no dia 19 de Janeiro de 1729 ainda com 14 anos, com Mariana Vitória filha de Filipe V de Espanha, apenas com 11 anos, filha do segundo casamento do rei de Espanha com Isabel Farnésio.

Na realidade tratou-se dum duplo casamento, pois também se negociou o casamento de D.Maria Bárbara, filha de D.João V, com o infante Fernando, futuro Fernando VI, também filho de Filipe V do seu primeiro casamento com Maria Luisa de Saboia.

As negociações prévias, para a realização destes casamentos, foram por demais complicadas e a isso faço referência no blogue que dedico ao rei D.João V seu pai
.

Quanto aos casamentos propriamente dito, começaram nos dias 7 e 8 de Janeiro, com a partidas das respectivas famílias reais em direcção à fronteira de Badajoz.


A viagem da família real que começou por ser de bergantim até à Aldeia Galega, nome porque era conhecido nesse tempo a localidade, que hoje reconhecemos como Montijo, com foral atribuído desde 1514 por D.Manuel I.

Depois já uma comitiva mais alargada, seguiu viagem que durou 9 dias até à chegada a Elvas no dia 16, altura em que se juntaram as duas comitivas.

O dia 17 foi destinado à troca de cumprimentos e presentes e no dia 19 realizou-se então a cerimónia que decorreu num palácio de madeira especialmente construído para o efeito, sobe o rio Caia,metade sobre o lado espanhol e a outra metade sobre o lado português.

O duplo casamento motivou que a referida construção em madeira, fosse ricamente decorada por preciosas tapeçarias. Como a decoração foi repartida entre as duas coroas, pode antever-se a competição que daí terá ocorrido entre "os dois monarcas mais opulentos da Europa, aqueles que tinham por tributários dos seus tesouros, as minas de prata do Peru e as de oiro e diamantes do Brasil".


Deu-se então a 19 a respectiva "troca de princesas", retirando-se depois os respectivos monarcas, para Elvas e Badajoz, onde se teriam então realizado os festejos que se prolongaram até ao dia 27 de Janeiro.


D.José e a futura rainha só regressaram a Lisboa no dia 12 de Fevereiro , tendo o desembarque do bergantim real sido realizado em frente aos jardins do palácio de Belém, seguindo-se um Te Deum, beija-mão real na Patriarcal e fogo de artifício do Castelo de S.Jorge.


Naturalmente que atendendo à idade dos noivos a consumação do casamento foi adiada, só vindo a acontecer em 1732, quando D.Maria Vitória, completou 14.


Na realidade mesmo sendo tão jovem era a segunda vez porque passava por esta situação, pois já anteriormente havia "casado "com Luís XV de França quando tinha 3 anos de idade e o seu noivo apenas 11.

O Palácio de Vendas Novas na foto acima reproduzida, hoje edifício da Escola Prática de Artilharia, foi mandado construír por D.João V, para que a comítiva real ao duplo casamento, lá pudesse prenoitar duas noites, uma à ida para o Caia outra na vinda.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

O nascimento e a educação

Filho de D.João V e de D.Maria Ana de Áustria.

D. José I nasceu em Lisboa, a 6 de Junho de 1714, recebendo o nome de José Francisco António Inácio Norberto Agostinho, nome sem tradições na onomástica real, atribuído provavelmente, em homenagem ao Imperador D.José da Áustria seu tio que havia falecido em 1711. Embora não tenha nascido sucessor da coroa portuguesa, por não ser primogénito, logo em Outubro do mesmo ano, devido ao falecimento do seu irmão Pedro, veio a adquirir esse estatuto.

Com habitualmente o seu nascimento foi festejado com repiques de sinos por toda a cidade de Lisboa, muito embora tenha nascido ás 10 horas da noite duma quinta-feira.

Foi baptizado a 27 de Agosto de 1714, sendo afilhado de Luís XIV e da Imperatriz Isabel Cristina mulher de Carlos VI, do Sacro Império.

Os seus primeiros tempos de infância passou-os junto de sua mãe, recebendo a sua influência altamente religiosa, bem como a do seu confessor o jesuíta António Stief que lhe ministrou as primeiras letras de Latim.

Recebeu a educação adequada a um Príncipe do seu tempo, no domínio das ciências e das línguas bem como da "nobre arte da Cavalaria". Muito embora se saiba pouco sobre a sua educação musical, ao contrário da sua irmã D.Maria Bárbara , que beneficiou dos ensinamento dum dos grande músicos do seu tempo Domenico Scarlatti, que com ela seguiu para Espanha quando do seu casamento, o certo é que ficou conhecida a grande paixão de D.José I pela ópera italiana, muito embora também se possa presumir que a mesma lhe tenha sido incutida pela sua futura mulher D.Mariana Vitória.

Não se pense contudo que houve unanimidade de opiniões entre os historiadores, acerca da educação de D.José , para alguns muito embora fosse inequívoca a educação recebida durante a primeira infância, parece que a mesmo não aconteceu ao logo da sua juventude, de tal forma que se afirmava quando sucedeu a seu pai que "se achava sem instrução alguma da arte de reinar".

Existem afirmações extraídas da correspondência da sua mulher para seus pais , onde diz que "ele (o rei) não conhece suficientemente bem o francês para entender tudo e vos responder", ou mesmo alguns elementos extraídos através de embaixadores franceses na corte portuguesa, que confirmam a fraca aptidão de D.José, para dialogar na língua que na época se usava na actividade diplomática.