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quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O casamento


(Palácio de Vendas Novas)

O primeiro facto importante da vida de D.José foi o seu casamento no dia 19 de Janeiro de 1729 ainda com 14 anos, com Mariana Vitória filha de Filipe V de Espanha, apenas com 11 anos, filha do segundo casamento do rei de Espanha com Isabel Farnésio.

Na realidade tratou-se dum duplo casamento, pois também se negociou o casamento de D.Maria Bárbara, filha de D.João V, com o infante Fernando, futuro Fernando VI, também filho de Filipe V do seu primeiro casamento com Maria Luisa de Saboia.

As negociações prévias, para a realização destes casamentos, foram por demais complicadas e a isso faço referência no blogue que dedico ao rei D.João V seu pai
.

Quanto aos casamentos propriamente dito, começaram nos dias 7 e 8 de Janeiro, com a partidas das respectivas famílias reais em direcção à fronteira de Badajoz.


A viagem da família real que começou por ser de bergantim até à Aldeia Galega, nome porque era conhecido nesse tempo a localidade, que hoje reconhecemos como Montijo, com foral atribuído desde 1514 por D.Manuel I.

Depois já uma comitiva mais alargada, seguiu viagem que durou 9 dias até à chegada a Elvas no dia 16, altura em que se juntaram as duas comitivas.

O dia 17 foi destinado à troca de cumprimentos e presentes e no dia 19 realizou-se então a cerimónia que decorreu num palácio de madeira especialmente construído para o efeito, sobe o rio Caia,metade sobre o lado espanhol e a outra metade sobre o lado português.

O duplo casamento motivou que a referida construção em madeira, fosse ricamente decorada por preciosas tapeçarias. Como a decoração foi repartida entre as duas coroas, pode antever-se a competição que daí terá ocorrido entre "os dois monarcas mais opulentos da Europa, aqueles que tinham por tributários dos seus tesouros, as minas de prata do Peru e as de oiro e diamantes do Brasil".


Deu-se então a 19 a respectiva "troca de princesas", retirando-se depois os respectivos monarcas, para Elvas e Badajoz, onde se teriam então realizado os festejos que se prolongaram até ao dia 27 de Janeiro.


D.José e a futura rainha só regressaram a Lisboa no dia 12 de Fevereiro , tendo o desembarque do bergantim real sido realizado em frente aos jardins do palácio de Belém, seguindo-se um Te Deum, beija-mão real na Patriarcal e fogo de artifício do Castelo de S.Jorge.


Naturalmente que atendendo à idade dos noivos a consumação do casamento foi adiada, só vindo a acontecer em 1732, quando D.Maria Vitória, completou 14.


Na realidade mesmo sendo tão jovem era a segunda vez porque passava por esta situação, pois já anteriormente havia "casado "com Luís XV de França quando tinha 3 anos de idade e o seu noivo apenas 11.

O Palácio de Vendas Novas na foto acima reproduzida, hoje edifício da Escola Prática de Artilharia, foi mandado construír por D.João V, para que a comítiva real ao duplo casamento, lá pudesse prenoitar duas noites, uma à ida para o Caia outra na vinda.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

O nascimento e a educação

Filho de D.João V e de D.Maria Ana de Áustria.

D. José I nasceu em Lisboa, a 6 de Junho de 1714, recebendo o nome de José Francisco António Inácio Norberto Agostinho, nome sem tradições na onomástica real, atribuído provavelmente, em homenagem ao Imperador D.José da Áustria seu tio que havia falecido em 1711. Embora não tenha nascido sucessor da coroa portuguesa, por não ser primogénito, logo em Outubro do mesmo ano, devido ao falecimento do seu irmão Pedro, veio a adquirir esse estatuto.

Com habitualmente o seu nascimento foi festejado com repiques de sinos por toda a cidade de Lisboa, muito embora tenha nascido ás 10 horas da noite duma quinta-feira.

Foi baptizado a 27 de Agosto de 1714, sendo afilhado de Luís XIV e da Imperatriz Isabel Cristina mulher de Carlos VI, do Sacro Império.

Os seus primeiros tempos de infância passou-os junto de sua mãe, recebendo a sua influência altamente religiosa, bem como a do seu confessor o jesuíta António Stief que lhe ministrou as primeiras letras de Latim.

Recebeu a educação adequada a um Príncipe do seu tempo, no domínio das ciências e das línguas bem como da "nobre arte da Cavalaria". Muito embora se saiba pouco sobre a sua educação musical, ao contrário da sua irmã D.Maria Bárbara , que beneficiou dos ensinamento dum dos grande músicos do seu tempo Domenico Scarlatti, que com ela seguiu para Espanha quando do seu casamento, o certo é que ficou conhecida a grande paixão de D.José I pela ópera italiana, muito embora também se possa presumir que a mesma lhe tenha sido incutida pela sua futura mulher D.Mariana Vitória.

Não se pense contudo que houve unanimidade de opiniões entre os historiadores, acerca da educação de D.José , para alguns muito embora fosse inequívoca a educação recebida durante a primeira infância, parece que a mesmo não aconteceu ao logo da sua juventude, de tal forma que se afirmava quando sucedeu a seu pai que "se achava sem instrução alguma da arte de reinar".

Existem afirmações extraídas da correspondência da sua mulher para seus pais , onde diz que "ele (o rei) não conhece suficientemente bem o francês para entender tudo e vos responder", ou mesmo alguns elementos extraídos através de embaixadores franceses na corte portuguesa, que confirmam a fraca aptidão de D.José, para dialogar na língua que na época se usava na actividade diplomática.